TODO PROSA

Minha foto

Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O FIM DO JORNAL DO BRASIL


 (capa do JB no dia da promulgação do AI-5 em dezembro de 68)

Entre 1983 e 1986 trabalhei no "Jornal do Brasil". Foi o lugar onde mais aprendi em minha carreira. Naquela época ainda era o melhor jornal do país fosse pela credibilidade que exalava fosse pelos bons textos que publicava. Éramos praticamente obrigados a escrever direito. Havia um cuidado especial com isso. Zelo pelo texto claro, ordenado, bem direcionado. Fiz reportagens sobre todos os assuntos até que passei a me dedicar exclusivamenteàs reportagens do Caderno B em  São Paulo na época em que os editores foram Zózimo, Flávio Pinheiro e Zuenir Ventura. Pelo "Jornal do Brasil" me orgulho de ter tomado parte da equipe que cobriu com rara competência e agonia e morte do ex-presidente Tancredo Neves e se aqui fosse narrar cada boa memória que tenho desse período incomodaria meus amados leiotores.
Tudo isso me vem a mente quando hoje ,ao abrir o computador, dou de cara com a notícia de que circula no país a última edição impressa do "Jornal do Brasil". Apesar dele continuar na versão exclusivamente  digital  todo a simbologia que acompanha seu fim físico é carregada de significados pra mim e muita gente que passou pelo finado JB. Os controladores do jornal garant eque ele será bacana,eficiente e que a versão digital
nada ficará a dever ao que já foi a edição fisica. Também dizem que acabam com a versão tradicional para seguir a onda ecologicamente correta de economizar papel. Tá bom. Me engana que eu gosto. Fato é que mesmo na versão digital como na agonizante versão fisica o JB há muito tempo não era nem sombra do que foi. E é só dar uma espiada na tal versão on line pra ver que  deixa muitissimo a desejar. Mesmo assim ainda é provável que eu venha a ter ainda um sonho recorrente. De que ainda adentro àquela redação da sucursal do JB paulista ( que ficava na avenida Paulista) em meio a máquinas de escrever, laudas, folhas de carbono e garrafas térmicas com café doce e num ambiente de total coleguismo e quase nenhuma competição aprenda, todos os dias, o que é ser jornalista de fato.Um profissional que narra e mostra a notícia e não a protagoniza . Mas essa é outra discussão.Não estou mesmo em busca do tempo perdido.Apenas lamentando o tempo que passou onde o sonho do bom jornalismo não havia naufragado.

domingo, 29 de agosto de 2010

MARINA LIMA



Uma das mais infernalmente belas (e talentosas) mulheres da história do show bizz brasileiro Marina, que virou Marina Lima, nunca parece ter sido levada pelo vai e vem dos mexericos sobre sua vida pessoal e blindou sua privacidade no que fez muito bem. Manteve o mistério,entrada nos cinquenta continua mantendo a beleza e o talento, seu gosto por filosofia e deixou na nossa memória canções incríveis muitas delas compostas em parceria com o irmão Antonio Cícero como o clássico abaixo onde ela é acompanhada do belo baixo do Liminha...


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sossega que só estou voltando de Sergipe

Como num tropical filme de Fellini estou na praia do Leme e no horizonte passa um enorme transatlântico vermelho. La nave va e segue a linha do tempo tirando o mar da linha do olhar e me jogando nas montanhas de Minas onde os matagais ardem e as cobras se escondem do calor abrasador. Do alto da serra vejo mais abaixo Catas Altas da Noruega numa época indefinida onde as luzes eram poucas, os queijos mais salgados e o meu pai vivo.
Faz calor na imensidão do rio Amazonas que quase cobre essa alva estátua de São José de Macapá. No que penso quando vejo o santo branco ali plantado a reger as marés de um rio ? Voadeiras passam, camarões no bafo são consumidos no calçadão e o governador imbecil acena para a multidão. Eita calorão no mundo dos igarapés, nos seixos dos rios profundos, na casa dos botos e das tartarugas.
O barco agora está parado e uma ariranha em busca de peixe tenta subir. Ninguém a afugenta e a bicha tenta. Ninguém espera aqui que o Pantanal dure para sempre mas quero pegar o trem da memória que o atravessa e cortar toda Mato Grosso rumo a Bauru, Cajuru, Cascavel ou até o hotel de luxo em Rio das Pedras onde a mulher aranha devorou o meu pescoço. Há sim o beijo que não é um mistério gozoso e me desmancho em resíduos que vieram da Venezuela onde o soldado corrupto me tira todo o dinheiro e quase me priva da vida. Fuzil parecido com o que vi no interior da Colômbia sendo alisado como um falo metálico pela guerrilheira de olhar vago.
Vago eu com meu lábio inchado de tanto falar. Histórias muitas para contar e sem platéias para ouvir eu deslizo lembranças que se cruzam como números que se sobrepõe numa calculadora. Acumulo mas não multiplico. Divido de um jeito esquivo quando canto alto para ninguém ouvir. Minha voz anasalou , meu sono melhorou e agora um trem de minério corta a periferia de Conselheiro Lafaiete enquanto eu bato queixo num hotel barato. Gentileza gera gentileza e o profeta me acena com seus salmos de louros de papel rumo a um dia virar cult no mundo dos vivos.
Meus amigos músicos me procuram com sorrisos e eu preciso tocar um instrumento. Mas não toco nem a poesia que sobre a ponte se anuncia suicida. Vai se matar jogando seu corpo etéreo no Tietê, no Tapajós, no velho Chico. Então, antes de mais nada, ela levanta poeira enquanto pousa . Ladina olha de lado e não acha interlocutor. Me vê ao longe encostado num jipe. Só para ter rima eu estou voltando de Sergipe e ali o forró comeu meus sentimentos.
Na praia da Atalaia abraço de pé um corpo forte e delgado e como amendoins moles pois o trocadilho de que a vida é dura não é mais suficiente para explicar o coração dos contrasensos. A vida tem cheiros, ares variam e não decoro historinhas , sou péssimo em contas e diplomacia, esqueci onde foi parar meu chapéu panamá comprado em Santa Catarina.
Sinto que o copo transborda, que o tempo escoa e que o café passou do ponto. As bananeiras brotam no meu quintal e vislumbro as parreiras da minha infância. Há um pedaço de mim por cada rincão pelo qual passei e quero que a frase vire letra de bolero. Abolerado blues de manteiga me compadeço da própria sorte e me certifico de que nasci para carreira solo pois é grande em mim a vocação para magoar terceiras. Minhas intenções são de quart0 e muitas vezes não passam da cozinha e essa é minha ladainha.
Pago milhares de pedágios pelas estradas mercantilistas quentes de asfalto nem tão nobre. Escrevo para ter esquecido que eu queria ser lembrado. Muito mais que um homem de cabelos brancos a vislumbrar o horizonte do Leme achando que o mar é vermelho.

Ricardo Soares
meio dia de 24 de agosto de 2010

NASCEU A TVT

Desarmem os espíritos cidadãos conflagrados pois não estou a narrar a partir daqui nenhuma contenda entre Fla e Flu ou tucanos e petistas. Em épocas belicosas eleitorais como essas esclarecimentos como esses se fazem necessário quando vou abordar o assunto a seguir que foi a inauguração agora pouco da TVT lá em São Bernardo do Campo com a presença da fina flor do sindicalismo by PT e o companheiro-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Estive presente para ver e abraçar queridos amigos que são os responsáveis pela empreita e torcer por eles pois são gente de bem e muito capaz. Depois de mais de 23 anos de idas e vindas a TVT é a primeira emissora de TV outorgada a um sindicato de trabalhadores ( no caso o dos Metalúrgicos do ABC) e vai transmitir para diversas regiões do país conforme vocês podem conferir pelo portal deles. Clique aqui.     No começo terão pouco mais de hora e meia de programação própria com o resto preenchido pela grade de programação da TV Brasil, Tv Senado e Tv Câmara. Um dos principais desafios de quem está tocando a TV é não transformá-la em uma emissora maçante, voltada apenas ao universo sindical mas uma televisão multifacetada que reflita o conjunto da sociedade ,óbvio, visto pela ótica do trabalhador. Na inauguração Lula -que desde quando era deputado batalhou pela outorga- disse que assim que deixar o poder pretende dar muitos pitacos na programação. Ele e todos os telespectadores visto que o portal da TVT quer a opinião de quem os assiste e muito mais do que isso.Quer a participação de organizações sociais através de videos. Estamos torcendo. Tive o privilégio de receber o convite para ser o diretor de jornalismo da nova emissora e não pude aceitar por motivos que aqui não vem ao caso. Isso não quer dizer que de alguma forma eu não queira colaborar com eles no pouco que aprendi em muitos anos de tv pública. Fazendo criação e não malcriação como muita gente. Dirigindo, apresentando e escrevendo programas e não fazendo política. Mas essa é outra prosa. E muito chata por sinal...deixemos de lado. E vamos torcer para que seja essa uma tv plural e não apenas uma agremiação para defender interesses específicos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O MEU SANGUE FERVE POR VOCÊ...

Você me enlouquece. Olho o sol se pondo e o coração padece. O desejo não arrefece e não resisto à tentação da rima que me levanta do chão, me joga pra cima. O tempo está seco e o trem passa ao longe.Visões do interior. De um tempo remoto onde as árvores não se decompunham tão depressa ou não morriam aos montes sob as hastes do progresso. Um tempo em que os fogões a lenha ditavam os temperos e onde matutos tocavam modas de viola para a lua cheia e os lobisomens pouco agressivos.
E vou lá agora pensar em tempos sombrios,tempestades com vento, ilusões de cegueiras ou fogos-fátuos ? vou lá eu pensar em pianos antigos, arquivos mortos, estradas desbarrancadas, ciladas, motins, seres sem poesia, carnaval sem alegoria ? Penso em nada ruim . Nem em político, nem em eleição, nem em discurso pronto, missa tediosa, baile de quinze anos, batizado com churrasco e maionese.
Quando e o quanto você me enlouquece é pra ficar vendo morcego no sereno, passear de mão dada entre seixos e cobras, dar risada de filmes tolos e cenas banais,comer pipoca quebrando o dente, achar que nada existe no futuro e nem no passado, que aquilo que nos é dado é duplo presente. Não me ausento dessa fervura,olho por cima do muro e nem sei o que há do outro lado. Sei apenas que o sangue ferve por você e eu saracoteio no refrão da canção do Magal pois sei que no mundo , na esquina , na quebrada, nada , nada mil vezes nada está igual.

domingo, 22 de agosto de 2010

VINCERE E O DESPREZÍVEL DITADOR

Inegável que o cinema tem o poder de vilanizar ainda mais os vilões e turbinar o desprezo que muitas vezes já temos naturalmente por ditadores medonhos e caricatos como Benito Mussolini um dos maiores imbecis já nascidos entre o gênero humano, patética criatura cheia de caras e bocas e um desmedido apetite pelo poder, autoridade máxima e assassinatos. Sua medonha passagem sobre a terra trouxe à luz (ou às sombras) o fascismo tão vivo e bem disposto em vários rincões planetários. Pois agora está em cartaz um filme que nos dará mais motivos ainda pra desprezar o verme Mussolini. Uma pérola chamada "Vincere" de Marco Bellocchio, veterano e craque, diretor daquele ousado "Diabo no Corpo" que entre nós causou sensação em 1986. "Vincere" não é apenas  o retrato da Itália autoritária de Benito Mussolini  mas uma bela síntese de quanto o poder corrompe, do quanto é capaz a ingratidão e insanidade. A trajetória do beócio Duce,interpretado pelo bom ator Filippo Timi,é contada através da vida e do olhar de sua amante  Ida Dalser (interpretada pela sensacional  Giovanna Mezzogiorno, foto acima), sua amante e mãe de seu filho mais velho. As ambições de Mussolini o levam longe , inclusive à derrocada da Itália na Segunda Guerra, e quanto mais ele angaria poder, grana e fama mais a amante dos primeiros tempos da politica, a linda e frágil Ida, vai se tornando inconveniente. A inconveniência a leva a um longo calvário de privações e sofrimentos e mais não conto. Com bela música de Philip Glass e fotografia impecável o filme é de encher os olhos, literalmente. 


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

POST 900 +COLÍRIO 17= SONIA BRAGA DELÍCIA SUPREMA

Outro dia ela apareceu no programa do mala Jô no esplendor dos seus 60 anos completados por um acaso no dia 8 de junho que é o dia do meu aniversário também. Foi a musa onanista de grande parte da minha geração e um exemplar raro de bom astral, brasilidade, claro objeto de desejo envolto em baixinha morenice cheia de curvas,seios perfeitos e coxas demolidoras. Nasceu em Maringá,Paraná, apareceu no inocente Vila Sésamo da Tv Cultura e continua no nosso inconsciente coletivo. É nossa Sofia Loren, nossa Ana Magnani, nossa musa brejeira, eterna moreninha lasciva. Me penitencio de nunca tê-la homenageado aqui no marcador "colírio" e hoje, ao festejar (??) 900 posts em 3 anos desse espaço uso a Sonia na cor do blog e em outra foto para a comemoração. Ela foi de fato minha primeira musa completa em cenas inesquecíveis como aquela subida no telhado em "Gabriela" ou em trepadas fenomenais no "Dama do Lotação"... 

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

CAMINHOS DO DESTINO

Mais do que nome de novela mexicana "Caminhos do Destino" é um mote interessante para a gente falar da quase certa eleição de Dilma Roussef como presidente do Brasil. Ou presidenta como deve gostar a imperial senhora que vai nos reger em breve.Dilma tem um passado de militante e tecnocrata, presença discreta no primeiro período do governo Lula até que o vexame do mensalão solapou nossas esperanças na integridade do PT, se é que tínhamos alguma. Mar ao menos achávamos que eles iam trilhar um caminho mais ético e não esse que sai por aí de mãos dadas com elementos como Sarney,Collor,Temer e congêneres. A queda do czar José Dirceu e toda sua patota deu visibilidade à saída encontrada que era Dilma como a czarina.Ou seja os caminhos do destino levaram a um escorregão dos poderosos e abriu uma via imensa para essa senhora. Como não dar então uma certa razão àquelas pessoas (muitas queridas minhas inclusive) que enxergam a vida pelo viés mistico, pelo viés de que tudo as  vezes pode estar escrito.Quem imaginaria que no começo do governo Lula em 2003 veríamos em 2010 a então desconhecida Dilma Roussef quase presidenta do Brasil e nomes que estavam sendo preparados totalmente descartados ? vide Palocci pois acho muito improvável que o pedante e nefasto Zé Dirceu teria punch , carisma ou charme para se lançar à sucessão de Lula embora vejamos que nosso presidente tenha força pra eleger até um poste sem ginga como Dilma se é que existe um poste com ginga.
Isso posto ao vermos nossa futura presidenta aí na foto com um chapéu da terra do Lula a surpresa deixa de ser surpresa embora a oposição , os futuros historiadores e os meros espectadores ainda vão levar muito tempo para entender o fenômeno Luis Inácio Pernambuco Lula da Silva. Os caminhos do destino e as mãos dele nos levaram  a esse estado de coisas. Que Deus nos guarde. Não pode ser pior que Serrágio e sua corte de asseclas pedantes e presunçosos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Serrágios a valer

Lógico que o assunto vem a tona, agora com mais força,em virtude do horário eleitoral.Mas faz tempo que eu e outros cidadãos indignados protestamos com veemência contra os Serrágios que pedagiaram todo o estado de São Paulo.Quem duvidar é só ler aqui. Pois hoje voltando mais uma vez de Ribeirão tive a manha de além de contar os pedágios ( nove, eu disse nove!!!!!) fazer o cálculo exato do gasto. Foram 45,45 centavos, um preço extorsivo. Já foi pior mas ainda continua um absurdo. Oito pedágios no eixo Anhanguera-Bandeirantes mais um pra sair no Rodoanel que agora, além de vc pagar na saída , ainda paga para usar se for usar de ponta a ponta. A questão pode ser considerada menor se formos encarar do ponto de vista de outras muitas mazelas que o tucanato nos deu nas suas questionáveis gestões. Mas é uma questão maior quando você imagina o quanto é uma mina de dinheiro tanta gente todo dia viajando pelo estado de São Paulo e passando por quase 120 praças de pedágio. Sem me acusarem de petista (pelamor de Deus, não sou PT) só pode ser considerado sem juízo quem acha que o preço dos pedágios é justo. Quase 46 reais para andar em 300 km e pagar pedágio a cada 30 kms ??? Serrágio, você é muito cara de pau em querer defender o indefensável...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

EM SEGREDO : feridas muitas, feridas outras

Um dos maiores males da indústria cultural é não ter tempo para o público (e sequer para o divulgador dessa indústria) ter tempo de digerir a quantidade de lançamentos que todos os dias chegam na área de cinema, literatura, música, artes plásticas, cultura pop. A novidade é o que conta. E a novidade de ontem é a antiguidade de hoje.Assim sendo muitas pérolas nos passam desapercebidas e minha modesta pretensão aqui é as vezes dividir com leitores e amigos algumas descobertas ou redescobertas que me passaram batido. Uma delas é esse belo filme "Em Segredo" de Jasmila Zbanic, filme de 2006, premiado com o Urso de Ouro de melhor filme no  56º Festival de Berlim. A sinopse diz de maneira simplista que a ação se passa na  cidade de Saravejo. "Uma mãe solteira e sua filha adolescente, que pensa que seu pai é um herói de guerra desaparecido durante o conflito dos Balcãs, entram em conflito quando surge uma excursão da escola e é solicitado um documento do pai.Então a mãe tem que decidir se conta a verdade sobre seu passado. Muita coisa se perde em uma guerra, principalmente a inocência". Inocente é essa sinopse bobinha que não dá conta de tanta sutileza nesse filme belíssimo. Se eu fosse vocês arrisca uma busca nas vossas locadoras. É um filme que prova que as guerras deixam muito além das feridas visíveis. E dessas feridas milhares de almas nos Balcãs estão cheias...

Perla e o meu lado paraguaio

Tenho um lado paraguaio meio derramado, meio brega, meio abolerado que não aparece apenas quando como chipa ou bebo terere mas quando em mim aflora aquele clima de bordel de beira de estrada, com luzes vermelhas e caminhões freando a ar defronte a esses estabelecimentos. Esse clima evocado em algumas histórias do meu prezado Marçal Aquino ou presente na fina estampa do ator Chico Diaz tem sua mais completa tradução quando lembro da grande diva paraguaia, a espetacular Perla que tanto bem já fez aos meus ouvidos e olhos com sua estampa morena caliente e seus cabelos sedosos da cor da asa da graúna. Agora pouco voltando para casa pela congestionada rodovia Raposo Tavares ouvi pela enésima vez na vida a versão definitiva que Perla deu ao clássico INDIA para mim mil vezes melhor que a versão festejada de Gal Costa em seu belo disco INDIA também. Pero, India por India, prefiro a versão de Perla em português ou espanhol como na capa desse jurássico LP.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sensacionais dicas editoriais

Não fui mais convidado a fazer a mediação dos debates que acontecem nas Bienais do Livro aqui em São Paulo o que me deixa a vontade para sugerir aos editores que se reúnem ao redor da Câmara Brasileira do Livro livros que serão com certeza sucesso de crítica e público. Temas variados associados a personagens que tão bem representam os assuntos escolhidos.


Manual da Modéstia Humana – pelo ministro Nelson Jobim


Como ter o ego pequeno – pelos publicitários Nizan Guanaes (foto) e Washington Olivetto


Manual da Correção Política- por Roberto Jefferson


Manual da Delicadeza Feminina – por Dilma Roussef

Como eliminar pedágios e influenciar pessoas- por José Serra

Manual imparcial de entrevistas políticas- por William Bonner e Fátima Bernardes

Palavras de equilíbrio - por Ciro Megalô Gomes

Diário de um asceta- por João Dória Jr.

Nunca tive nada com isso - por José Dirceu
Democracia e futebol – pelo professor Dunga

Vaidade, o mal do século – por Roberto Justus

Os males da superexposição- por Ivete Sangalo

Eu,Einstein e Shakespeare-“triálogo” entre gênios- por Otávio Mesquita

Como Deus aprendeu comigo – por Miguel Falabella

Bem, essa é só uma amostra das minhas sugestões de bons títulos gente. Cansei de divulgar literatura e agora vou ganhar dinheiro abrindo uma editora . Vocês não acham que levo jeito ?

o excesso de sommeliers

O que é mais chato que um caboclo querendo impressionar uma fêmea no restaurante quando se põe a bochechar com vinho na boca, cheirar rolha e dizer que o aroma que dele desprende é frutado e o vinho é encorpado,robusto, amadeirado ? céus ! mais chato que isso é a praga de pseudo-sommeliers que se espalham por qualquer restaurante a quilo onde está se vendo que o dito "especialista" não sabe sequer qual é a capital do Chile mas faz um verdadeiro monólogo sobre o vinho que você, pobre mortal não especialista, está pensando em beber.  Recomendam vivamente alguns vinhos (os mais caros lógico) e desdenham muitas vezes de sua escolha apontando as maravilhas do "custo benefício" se você tomar o vinho que eles recomendam. Essa praga se equivale a uma outra ( que começa a entrar em desuso com a pirataria e a mania de baixar filmes pela internet) dos atendentes de locadora que recomendam filmes "de amor", "de ação" e outras designações improváveis.
A pergunta que não quer calar é simples : será que a gente não pode tomar um vinhozinho honesto em paz, sem frescura e rituais desnecessários ? na verdade especialista que é especialista sabe que só existem dois tipos de vinhos. Os bons e os ruins. E isso não está ligado a preço. Está ligado a bom gosto, bom paladar. Apenas.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

JABOR E A OPINIÃO PÚBLICA

Jabor é entre os criadores brasileiros um dos que mais me incomoda. Sobretudo pelas relações paradoxais que me inspira sua vida e obra. Assisti nos últimos dias os seus dois primeiros trabalhos , o curta-metragem "O Circo" e seu primeiro longa ( documental) "Opinião Pública" que talvez tenham sido fundamentais para eu ter ( ou não) uma opinião fechada sobre a obra dele. Vi sua cinematografia completa e dou um exemplo do paradoxo. Jabor  consegue fazer o sensacional "Opinião Pública" de 1967 que apreende o que se passava pelos corações e mentes da classe média no período pós 64 com um vigor branco e preto invejável. Tudo ali flui, tudo ali está imerso num clima verdadeiro e sem grandes pretensões. Esse mesmo Jabor pouco mais de uma década depois consegue fazer os insuportáveis discursos onanistas intelectualoídes de "Eu sei que vou te amar" e "Eu te amo" depois de fazer os muito bons "Toda Nudez será Castigada" e "O Casamento", baseados ( muito bem) na obra de Nelson Rodrigues. Não, não , não busco coerência em Arnaldo Jabor porque ao artista não se deve cobrar coerência como dizia o Glauber Rocha, contemporâneo de Glauber. Talvez pois se eu tiver em mente esse conceito glauberiano possa ter definitivamente bons olhos pra Jabor, esse criativo brasileiro que ao mesmo tempo tem a coragem de falar que o "Brasil é um país de canalhas" em 1977 (quando o consenso a esse respeito ainda parecia novidade) e anos depois assume a postura de voz oficial da rebeldia consentida quando desfila sua indignação bem penteada e bem vestida nas páginas dos vetustos jornalões e na nave-mãe global .Pois então o que é Jabor ? um incendiário ou um vendido ? um herói ou um bandido ? Talvez tudo ao mesmo tempo aos olhos da opinião pública. A mesma  que ele radiografou em 1967. 

sábado, 7 de agosto de 2010

Cinema como terapia para o desapontamento

Ontem descobri mais uma utilidade para o cinema. Terapia para o desapontamento. E no caso um desapontamento colossal pois quando ele vem em relação a quem a gente admira pessoal e profissionalmente aprendi que é muito pior do que em relação a pessoas de quem a gente nada espera.Ontem, por  mais que não me deixe abater, fui nocauteado por um desapontamento peso pesado em relação a uma pessoa da área audiovisual. E descobri, ironicamente, que a melhor maneira de curar um desapontamento audiovisual é com audiovisual. Desnorteado ,atônito ,até indignado por ainda não ter digerido o "upper" entrei em sessão dupla "road movie" para fazer hora até um jantar com dois amigos queridos que tentaram me consolar em relação à decepção audiovisual.


Pois foi assim. Entrei no UNIBANCO sala 4 aqui em São Paulo para assistir "A Prova de Morte" o mais recente Tarantino e daí pulei para a sala 5 e mergulhei no "Viajo porque preciso volto porque te amo" filme brazuca  de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes.Dois "road movies" diametralmente opostos e igualmente estimulantes. Um com uma rotação tão alta que poderia estourar potentes caixas acústicas (no caso do filme de Tarantino) e outro numa levada quase minimalista se me permitem o uso do desgastado termo que até Philip Glass repudia.
Se não achei redenção total pra meu desapontamento ao menos sai mais leve da sessão dupla por perceber que cinema continua sendo território livre para a ousadia, a falta de medo, a coragem de trilhar caminhos ainda não percorridos.Nesse ponto a saga "B" de Tarantino tem pontos de convergência com o trabalho de Karim e Gomes. Cada qual, na lentidão contemplativa e sem história linear do "Viajo porque preciso" à frenética corrida de imagens do novo Tarantino ousa,incita, busca,provoca. Não é uma receita para quem tem medo de filmar ou de assistir.  
Se eu disser que apenas recomendo esses filmes poderia ser muito simplista. Eles de certa forma são mais do que recomendáveis.São a prova viva de que o cinema respira e abraça (para o bem e para o mal) diretores que não temem e que se guiam por bússolas que mesmo desorientadas apontam para algum lugar. Ontem aprendi mais uma definitiva utilidade do cinema. Sai feliz das sessões. Se não foi um alumbramento serviu para abrandar o meu desapontamento.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

GOL E AS BOLAS FORA...

Confesso que não entendo muito bem como se processa essa confusão das companhias aéreas que operam no Brasil. E confesso que não tenho a menor simpatia por nossas companhias aéreas apesar do marketing que praticam  e das revistinhas de bordo que distribuem sempre focadas em céus de brigadeiro que não percorrem. A recente crise de impontualidade e esculhambação agora afetou a GOL como antes já havia fretado outras como a TAM que durante muito tempo submeteu seus passageiros à tortura de ter que ouvir ponderações de ex-presidente mala -comandante Barioni nas tvs de bordo como eu já escrevi aqui uma vez. LEIA AQUI. Dessa vez a crise de relaxo não me pegou mas a pessoas que estão muito próximas de mim. Solange Vieira, a bonitona presidente da ANAC (foto abaixo)
 e o intragável ministro da Defesa Nelson Jobim vieram a publico anunciar multas e medidas pra (dizem eles) evitar que os abusos prossigam e para dizer que tudo está sob controle. Pode ser. Sob controle até a próxima desordem. A impressão que nos dá, com multas ou sem multas, é que nossas companhias aéreas querem passar aos consumidores um grau de eficiência que não possuem o que torna ainda mais escandaloso os preços que praticam. Tomemos como exemplo a própria GOL, vilã da hora. Surgiu como alternativa de companhia que praticaria preços mais módicos, com seu astral jovem de fornecedora superlativa de barrinhas de cereais. Pois bem, bastou cativar a freguesia e seus preços ficaram iguais ( quando não mais caros) que as outras. Agora a Avianca compra a Ocean Air e ainda temos Webjets e outras. Mas nenhuma tem um grau de excelência como já vimos na Varig do passado remoto mesmo com seus preços escorchantes. Pelo sim, pelo não, seja como passageiro , seja como cidadão , sempre me sinto lesado pelas companhias aéreas brasileiras. Isso sem falar nos ridiculos programas de milhagem que praticam que adora dificultar o resgate das milhas a que fazemos jus. Mas isso é assunto pra outro dia.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

VIVA A CATIFUNDA !


Faz apenas 18 horas que coloquei no FACEBOOK uma pequetita tirada sobre a imortal  Catifunda (interpretada magistralmente pela sensacional Zilda Cardoso) que dizia :

Em meio a tanto intelectualóide e "mudernete" pentelho me dá as vezes uma baita saudade da Catifunda!!!!

Essa ação rendeu até agora mais de 60 curtições e mais de 30 comentários provando que a personagem/atriz são inesquecíveis e voltando a me fazer entender com surpresa como funciona bem as vezes a interação entre essas midias novas que são blogs, faces e twitters. Aprendi que muitas vezes quando um assunto bomba no Face merece vir pra cá e vice- versa, com ou sem relação com  twitter. Ou seja, entendendo e desentendendo todo dia. Mas viva a alegria da Catifunda em meio ao marasmo de pseudos intelectuais. Olhem o presente abaixo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

REFLEXÕES TROPICAIS (2)

UM SALVE PRA ROGÉRIO DUARTE

Há homens e há artistas que não se ajustam. E isso é muito bom. Mais para o mundo que recebe o resultado criativo e inquietante de seus desajustes do que para eles mesmos, desajustados, fora dos fusos horários dos mortais comuns e da desordem materialista monetária do planeta. Por afinidade ou por covardia completa em não conseguir ser um desajustado completo me identifico com eles, sua busca, suas alegrias, seus hedonismos e seus sofrimentos. Ser desajustado pode doer muito sim senhores. O meu trabalho atual tem me aproximado muito da vida e obra de um desajustado, um homem que não cabe em si mesmo, a mais completa tradução do que pode ser um artista na acepção atual e até cosmética dessa palavra. O nome dele é Rogério Duarte, escritor, designer e desenhista responsável pelas mais criativas capas de discos da Tropicália e pelo cartaz genial do filme " Deus e o Diabo na Terra do Sol" de Glauber Rocha.


 Sempre o admirei a distância mas nunca cheguei tão próximo quanto agora quando tenho a sorte e a chance de poder ler seus livros com mais cuidado (não conhecia por exemplo  TROPICAOS, onde dá sua versão sobre o movimento tropicalista, um belo contraponto a "Verdade Tropical" de Caetano ) e entender melho suas idéias para solidificar dentro de mim uma certeza já antiga que ele tem na história da Tropicália a mesmissima senão mais importância do que Caetano e Gil  que não fizeram aquele alarde e barulho colorido sozinhos não. Viraram uma espécie de Oswald e Mário de Andrade do Tropicalismo mas os pilares da sabedoria da TROPICALIA ainda tem a contribuição fundamental desse Rogério esquecido e maltratado pelo destino (não o estou vitimizando pois muitas vezes escolhemos nossos próprios caminhos) e de Tom Zé, José Agripino de Paula, Torquato Neto, Rogério Duprat, Julio Medaglia, Os Mutantes, Capinam, e , na medida das influências, Glauber Rocha e José Celso Martinez Correa sem falar da Gal , voz e atitude  do grupo quando Caetano e Gil estavam no exílio londrino.
O que mais me impressiona hoje ao ler Rogério Duarte é sua clarividência e seu dom profético em relação inclusive ao rumo que tomaria o movimento tropicalista. Com perdão do chavão Rogério é uma espécie de farol da raça, farol da graça e espontaneidade tropical perdida em parte por muitos meandros comerciais. Não vou ficar aqui tergiversando muito sobre o que ele fez , falou ou escreveu. O negócio é resgatar do limbo esse caboclo guerreiro antes que ele ( doente) parta. O deus mercado, as circunstâncias, a loucura de cada um, as misturas de coca-cola com rum, o marketing, o dinheiro, a ação e a reação fazem com que distintos protagonistas tomem caminhos mui diversos. Caetano e Gil nos píncaros da glória e do reconhecimento. Rogério Duarte no esquecimento. Mas a importância deles na Tropicália é igualzinha. Diria mais. Rogério era o ideologo do grupo. Para quem acha que Caetano deu a última palavra sobre o assunto eu recomendo mesmo  TROPICAOS do Rogério Duarte. Eletrizante.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Hendrix de novo...

De novo aqui entre nós o imortal Hendrix em modelito roxo/lilás a combinar com esse blog em foto tirada em Atlanta em 1967. A genialidade e a transgressão que fazem uma baita falta nessa época de poses recicladas e idolos requentados. 

domingo, 1 de agosto de 2010

Cordeiro no pelo do lobo


Cordeiro no pelo do lobo

Há um trecho nessa história que esqueci de te contar
é que bem antes do seu próprio alumbramento
eu já disfarçava haver lhe notado
e permanecia assim em tal estado
que só de pensar que não pensavas em mim
punha um fim na minha roupa de durão
pois na verdade eu já tinha o coração na mão

e sem saber o que fazer quando o próprio coração está num prato
pus a comer o que restava do meu romantismo
na vã esperança de endurecer o meu sentimento
quando na verdade era na quente devassidão do encantamento
que eu queria abrigar minha dura couraça

pois então nesse trecho que esqueci de te contar
eu menti pra valer ao dizer que passei a noite no jogo
quando na verdade me debrucei no abismo
tentando lançar meu olhar pra um fundo
que faça com que eu não me sinta tão raso...

***
Ricardo Soares
1 de agosto de 2010

Meus livros

Meus livros
CINEVERTIGEM

O BRASIL É FEITO POR NÓS ?

VALENTÃO

FRANGUINHO SEBASTIÃO

DIA DE SUBMARINO

DIA DE SUBMARINO
DIA DE SUBMARINO

FALTA DE AR

FALTA DE AR
FALTA DE AR
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Arquivo do blog

Seguidores