TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

ACERCA DA DEPRESSÃO

Sobre o triste suicídio de Mário Monicelli em Roma e em torno de milhares de depressões que todos os dias afloram no planeta globalizado nada como lembrar de uma frase  de Mikhail Bulgakov (foto) que está na epígrafe do livro de Andrew Solomon , "O Demônio do Meio Dia - uma anatomia da depressão" :

"Tudo passa-sofrimento,dor,sangue,fome, peste. A espada também passará,mas as estrelas ainda permanecerão quando as sombras de nossa presença e nossos feitos se tiverem desvanecido da Terra. Não há homem que não saiba disso. Por que então não voltamos nossos olhos para as estrelas ? Por quê ? "

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Meus caros amigos... Monicelli e Beth Vieira

    Pode haver coisa mais sem graça que ficar sabendo que um cineasta que dedicou parte de sua linda carreira a fazer com que os outros rissem ou se comovessem com cinema humanista acaba por se matar? pois foi o que aconteceu hoje em Roma com Mário Monicelli , 95 anos,  que suicidou-se nesta segunda-feira atirando-se da janela do hospital San Giovanni de Roma onde estava internado.
     Entre muitas de  suas obras fundamentais , Monicelli deixa filmes vitais na arte de fazer rir e se emocionar como "O Incrível Exército de Brancaleone", "Quinteto Irreverente", "Meus Caros Amigos". Se inscreveu sempre entre o melhor do melhor da comédia e do cinema italiano e sua morte faz com que certa melancolia desfile diante dos nossos olhos. Afinal que mundo é esse onde até os fazedores de comédia as vezes não vem graça em mais nada ? Junto hoje a perda de Monicelli ao de uma amiga querida, a competente e terna tradutora Beth Vieira, que partiu ontem e peço que uma legião de  muitos "Chico Xavier" tragam alento a esses nossos corações ainda encarnados nessas plagas . Corações que não entendem , por mais que queiram, os motivos de algumas trajetórias serem tão luminosas para alguns e tão sombrias para outros. Apesar do calor de hoje e  do dia bonito em São Paulo essa não foi uma segunda- feira alegre... La Nave va... agora levando mais uma vez quem não devia ? ou era mesmo chegada a hora ? O Monicelli como artista e a minha amiga como gênero humano se inscreviam fácil na categoria daqueles que deveriam ser proibidos de morrer. Sorry pela melancolia...

JOSÉ E PILAR ou "Nunca é tarde para o amor"...

      
        "Nunca é tarde para o amor". Essa frase, quase um título de dramalhão mexicano,define bem, creio eu,a síntese da relação de amor entre o escritor portuguès José Saramago e sua mulher , a jornalista espanhola Pilar del Rio, retratada no filme "José e Pilar" do diretor Miguel Gonçalves Mendes que está em cartaz em algumas salas de cinema Brasil afora.
       E por que nunca é tarde para o amor ? porque Saramago aos 63 anos dá de cara com Pilar e vê sua vida transformada. Ou seja, numa idade em que muitos de nós imaginam não ser mais possível crer no amor e na mudança dos destinos o cético escritor português vê- se diante dele e das mudanças arrebatadoras que o amor pode acarretar quando a gente deixa que ela flua e nos conduza a destinos nunca dantes visitados. E é bom crer no amor, ainda que tardio, quando tudo em volta conspira para que fujamos ou não acreditemos nele como prega a letra da canção de Chico Buarque. "Tinha cá pra mim/que eu vivia enfim um grande amor/mentira..."
       Mas não quero me ater aqui a pseudo -digressões filosóficas e sim recomendar o filme que é singelo, sem pretensões e embute nele uma terna celebração ao amor. Saramago por ele e através dele se vê transformado mudando o seu destino como homem e como escritor pois passa a ser conhecido no mundo todo , coincidência ou não, após seu encontro tardio com Pilar. 
     “Se eu tivesse morrido aos 63 anos antes de lhe ter conhecido, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora”. É assim, a partir da bela declaração de amor Saramago à  Pilar Del Río, que português Miguel Gonçalves Mendes norteia o filme 'José & Pilar' onde são surpreendentemente revelados detalhes íntimos da convivência do casal, inclusive suas rusgas. Achei o filme sincero sobretudo porque desnuda, até onde é possível , a identidade de ambos e a identidade que ambos assumiam quando se transformavam num casal de convicções pétreas e muito pragmatismo na maneira como enxergavam a carreira e a trajetória do "produto" Saramago. Em muitas passagens a gente chega a antipatizar com a figura bem humorada porém austera e arrogante de Pilar que muitas vezes sabe exatamente onde fica o seu lugar - mas muitas vezes o perde de vista quando empunha microfones imaginando-se ser alguém que não era  além da enérgica esposa de Saramago.
     Mas não estou aqui a fazer julgamento de Pilar del Rio e muito menos da relação dela com o autor de "Jangada de Pedra". Estou sobretudo a dizer que esse filme é uma celebração a sensibilidade e a ternura num mundo conflagrado. Sai do filme acreditando em amor eterno. Mesmo que seja infinito enquanto dure.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Rio : milhares de "cobradores"

   
     Da série de pragas urbanas que assolam o planeta qual será maior que a violência  que grassa,consome,dilapida, detona e destroe nossos corações e mentes ? o Rio de Janeiro virou o retrato disso (e não só o Rio) no seu paradoxo de belezas e contradições, a cidade partida do Zuenir, a cidade acuada, a cidade com medo mas que nem por isso perde seu charme, rebolado de cidade pra fora, cidade civilização solar de Fausto Fawcett, morada eterna de paulistas, mineiros, capixabas inzoneiros que a eternizaram como o imortal Rubem Braga.
    Rubem Braga , vivo fosse, não estaria clamando apenas o "Ai de Ti Copacabana" mas "Ai de ti Rio de Janeiro" que chegou à era dos extremos de uma civilização tropical acuada pela miséria, pela usura,pela lei da vantagem, por aquele dogma perverso de que quem vale mais é aquele que mais tem na crua lógica da civilização hegemônica globalizada que nos ensina que consumir é existir, possuir é poder .
    Portanto por mais que se combata o tráfico, as drogas, os papelotes, a cocaína ou as baganas o que corroe o Rio, o que corroe o Brasil não é apenas a contravenção. É a lógica da existência como um shopping center ambulante onde vale mais quem tem mais. Os que tem são os bons, os encaixados, os queridos, logo, os alvejados. E os que não tem vão querer ter . E aí cobram forte, cobram com força , com raiva, com desprezo pelos que tem. A solução não está em Rubem Braga mas na estética do protagonista do cruel conto de Rubem Fonseca, o clássico "O Cobrador" . Vejam:
"...rua cheia de gente. Digo, dentro da minha cabeça, e às vezes para fora, está todo mundo me devendo! Estão me devendo comida, buceta, cobertor, sapato, casa, automóvel, relógio, dentes, estão me devendo (...) Tão me devendo colégio, namorada, aparelho de som, respeito, sanduíche de mortadela no botequim da rua Vieira Fazenda, sorvete, bola de futebol".

  É isso. Alguém sempre deve pra alguém e é cobrado. O Rio tem sensações de satisfação pedagiadas. Tudo custa. Tudo é dificil, tudo é caro aos que não tem e querem ter. O que está sendo colocado em xeque não é apenas um problema do crime contra a legalidade. Das drogas licítas contra as ilícitas visto que muitas vezes as estratégias contra o pó são regadas a porres de bom uísque. Deixemos de hipocrisia. O que está em xeque no Rio como em outras tantas cidades do mundo é um modelo de civilização. O "Planeta Favela" ( para usar aqui uma feliz expressão de Mark Davis) avança velozmente deixando seu rastro de sangue, ódio, vingança , egoísmo, sexismo, hedonismo para trás. Avança, preda ,embora sigamos todo dia a alimentar esperanças. E assim deve ser. Mas não nos iludamos. Porque crescem todos os dias em proporções epidêmicas os exércitos de "cobradores" que ainda vão descer muitos morros e favelas a cobrar o que lhes devemos. E devemos muito.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

AMANHÃ, UMA SEXTA-FEIRA SEM PELE...

O texto abaixo é literalmente copiado do bom blog "Vanguarda Abolicionista". Clique aqui. Convoca todos nós a uma sexta sem pele... em São Paulo o lance acontece defronte ao Masp a partir das 11 horas... saibam do que se trata :

"No próximo dia 26 de novembro acontece em todo o mundo a terceira edição da Sexta Feira Mundial Sem Pele – Worldwide Fur Free Friday, um dos protestos de ação global de maior relevância na luta pelos direitos animais. No último ano foram realizados protestos em mais de 120 localidades ao redor do mundo pedindo o fim do cruel comércio de peles de animais.
A data foi criada pela International Anti-Fur Coalition – Coalizão Internacional Anti-Pele – em parceria com o movimento Fur-Free Friday, que é muito popular nos Estados Unidos e acontece logo após o Dia de Ação de Graças, 25.Estilistas que insistem no uso de pele animal em suas coleções são alvos de críticas dos manifestantes.
Junte-se a nós!


      O objetivo é informar a população sobre o que se esconde por trás da indústria da pele. Milhões de animais continuam sendo mortos em nome da moda. Muitos são esfolados ainda vivos, incluindo cães e gatos, tudo em nome da vaidade e do consumo sem medidas, seja para um casaco, um brinquedo ou um enfeite qualquer.
Participe da Sexta-Feira Mundial Sem Pele!
Você pode fazer a diferença neste movimento contra o sofrimento dos animais!

São Paulo – Avenida Paulista em frente ao Masp
26 de novembro, a partir das 11h
Realização: Holocausto Animal
Idealização: http://www.antifurcoalition.org
http://holocaustoanimalbrazil.blogspot.com

Porto Alegre – Esquina Democrática
26 de novembro, das 14h às 19h, mesmo com chuva
Realização: Vanguarda Abolicionista
http://vanguardaabolicionista.com.br

* Fábio Paiva
coordenador geral
http://www.holocaustoanimal.org
acesse também:
http://holocaustoanimalbrazil.blogspot.com
http://animalpress.blogspot.com

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Bom a alma saturada de poesia

       Me causa espanto ainda hoje em dia o quanto a poesia é incompatível para muitas pessoas inclusive de almas e atitudes sensíveis. Gente lida, estudada com sensibilidade refinada mas que simplesmente não se deixa pegar pela poesia, esse bálsamo d'alma , para usar uma expressão aqui quase parnasiana.
     Não sei o motivo que leva as pessoas a não tolerarem poesia. Se lhes falta um tipo de ouvido musical interior , se é uma questão de afinidade ou de não ter sido exposta a esse tipo de linguagem. Ou se foi exposta de maneira errada pois é preciso notar que muitas vezes confunde-se arremedos de poesia, lero-leros confessionais, pieguices retumbantes , diários de bordo com  poesia. Há uma impregnação total de má poesia em diversos idiomas. Isso não é mérito da língua portuguesa.
      Deixo essas mal traçadas falando sobre o assunto por conta de uma observação simplória. Desde sempre quando meu estado de alma resvala para as beiras dos abismos ( dramático né??) encontro na poesia mais do que alento. Encontro um remédio. E não sei precisar exatamente quando isso aconteceu. Deve ter sido no começo da adolescência e me dou conta disso por conta aqui do meu lado de um exemplar da espetacular ANTOLOGIA ESCOLAR BRASILEIRA , organizada pelo saudoso Marques Rebelo . Nessa época eu já curtia o gênero e essa seleção do Marques me revelou poetas e histórias sensacionais que eu não conhecia.
    Desde essa ocasião eu já tinha costume de colocar o dia em que compro os meus livros e o registro que tem na página de entrada do volume marca 8 de junho de 1974, dia em que completei 15 anos. Mas tenho quase certeza de que esse livro foi comprado meses antes numa lojinha do MEC dentro da galeria Prestes Maia, centro velho de São Paulo. Devo ter colocado a data apenas em 8 de junho por conta de algum pedido da professora de português.
    Fato é que essa beleza de livro ,que por sorte está carinhosamente bem cuidada e encadernada aqui em casa, me trouxe mais do que eu já gostava e lembro com ternura de nomes de poetas que hoje são praticamente esquecidos como Julio Salusse ( autor dos CISNES) , Álvares de Azevedo ( o superlativo do romântico), Gregório de Mattos ( O “Boca do Inferno”), Casimiro de Abreu, Gonçalves Dias, Castro Alves, Cruz e Souza , Alphonsus de Guimarães e outros “batutas”.
    Dizer que falta poesia no mundo é de uma redundância atroz. Faltam também atitudes poéticas, visões poéticas, leituras poéticas. O mundo e o país em especial está é de uma prosa enfadonha e confesso que por mais que eu tente ler com boa vontade a produção atual da literatura brasileira em prosa isso me dá um tédio total. Acompanhei por amor e por ofício o tema por muitos anos. Hoje observo mais a distância mas diria que nada me causa assim tanta espécie embora detecte inúmeros talentos. Sucede que, grosso modo, nossa literatura em prosa contemporânea resvala para um intimismo urbanoíde meio inócuo quando não crê que fazer boa literatura seja a soma de um pouco de violência, meia dúzia de maníacos, sexo, rock, birita , matadores, policias e cenário noir e pré-roteiros pra cinema. Um olho no leitor e os dois no mercado. Ufa...
    Quanto á poesia me confesso mal informado porque a maioria dos poetas com os quais convivi nos últimos anos são individuos superlativamente chatos e auto-centrados , herdeiros de uma estética retrô deprimidona ou então estilhaços de vanguardas estagnadas. Vão-se os Leminskis e Pivas ficam os herdeiros sem talento. Por isso que sem querer parecer pedante ainda prefiro me ater aos artistas da escrita que viviam na era mesozoíca pré internet, msn,e-mails e redes virtuais. Por isso ainda recomendo os autores já citados aqui que seriam capazes de singelezas como essa , trecho do poema “Flor do Maracujá” :

Por tudo o que o céu revela !
Por tudo o que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está!...
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá!

O autor ??? Fagundes Varela... quem lembra dele ?  Foto abaixo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

arremedo ficcional do que vivi em Luanda...

(só a cabecinha...hehehe)
"Quando por fim pude deitar na cama tosca e frágil feita de madeira barata e com péssimo acabamento para dormir o primeiro sono em nova pátria sou sacudido pelos barulhos da rua , sons muitos , insuportáveis, que permaneceriam por aquela e muitas manhãs me dando conta de que Luanda nada tem a ver com silêncio. Barulho de manhã, tarde, noite, madrugada. Aqui todos os carros buzinam ,sobretudo sem motivo, as motos cantam pneus,as zungueiras berram suas ofertas e música só se ouve alto, o dia todo. Assim, pois , não dormi em meu primeiro dia de Luanda. Lá pela uma da tarde, olheiras fundas e boca pastosa, debrucei-me então na varanda do quarto e fumando um cigarro amassado que jazia no fundo da mala, apreciei de cima uma das muitas e divinas bundas que eu haveria de ver por aqui. Ela desfilava pela calçada esburacada logo abaixo apertada numa calça fuseau preta que mal continha o rotundo recheio que me inebriava numa cantilena mental de obscenidades tropicais. Cobicei o fiofó nativo pouco saudoso ainda das bundas de Salvador ou do Rio e aberto a novos horizontes de lascívia".

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ESTILHAÇO EXTRATERRESTRE


"Dizer então que sou um extraterrestre pode ser um equívoco mas dizer que não sou pode ser um grande erro já que sou dotado de habilidades especiais das quais vocês serão cúmplices, ou não, no decorrer do meu relato. Não vou contar de cara todos os meus segredos e nem o ponto do bolo que é para não estragar a receita. Mas o que posso lhes garantir de antemão é que não sou o único da minha espécie entre nós, informação que não deveria constituir novidade para ninguém".

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

as melhores reportagens sobre sexo

Engraçado. Eu mesmo me penitencio por ser péssimo divulgador daquilo que fiz e produzi. Hoje por caminhos virtuais alguém falou (bem) desse livro de 2006 que reúne ( segundo o Marcelo Duarte do Guia dos Curiosos que o organizou ) as  melhores reportagens publicadas sobre sexo na mídia brasileira. Tem gente do gabarito de Paulo Francis, Fernando Sabino e Marcos Rey. Esse que vos escreve também comparece com um texto publicado em 1990 na revista Trip , que eu então dirigia, onde duelavam verbalmente dois dos maiores astros do cinema de sexo explicito da época : Oasis Minitti e  Osvaldo Cirilo. Não sei porque o livro foi mal divulgado e não emplacou . Mas está aí, disponível na praça... é no minimo curioso...

"ENVELHESCÊNCIA" é DURA...


recordar é viver ?
 Minha amiga Tania Celidonio finalmente reavivou seu bom blog.(clique aqui) E trouxe à tona um tema mais que pertinente. O envelhecer.Tema que a muito de nós incomoda .Pediu a prezados amigos que escrevesse sobre o assunto.Fui um dos eleitos. Lá postei dia 6 de novembro o texto que agora também divido com vocês abaixo...não lido bem com o assunto devo deixar claro.

"ENVELHESCÊNCIA" É DURA...

Envelhecer não é exatamente saber onde se carrega mais (ou menos) no molho da comida nem em que lado da cama definitivamente deva se dormir. Não é crer todo dia na balela da qualidade ao invés da quantidade e nem festejar cabelos que ficam grisalhos ou que minguam enquanto o tempo passa na janela e abaixo dela a juventude , os amores fortuitos, as paixões baratas, os gritos, suores e gemidos e nosso desapego em nos apegarmos a situações provisórias como se fossem definitivas. Envelhecer não é exatamente suave nesses tempos modernos onde não é moderna a “envelhescência”. Aqui ficar mais velho é um nada sutil pedido para que a gente se manque, para que trombeteemos nosso próprio toque de recolher pois o alvorecer é para os mais jovens. Assim é se lhe parece. Assim parece para a maioria que não reconhece no mais velho a experiência, o conhecimento de onde se localizam as minas do caminho. Os jovens querem , enfim, pisar nelas, arcar com suas próprias explosões. Não os culpo. Fui assim, muito de nós fomos assim. No entanto quero , envelhecendo, continuar a me explodir e não a implodir minhas ilusões, ambições e anseios. O velho não cabe nessa publicidade de um mundo jovem e bem resolvido. É isso que não faz sentido e me deixa sentido.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

BANDIDOS E O CORAÇÃO DA MISÉRIA

      Entre os livros que estou a ler figura mais um magistral de Eric Hobsbawn que se chama "Bandidos" onde o autor explora as perspectivas e horizontes do banditismo e sua história no contexto dos poderes locais e até globais para usar um termo em voga. Ele passa por Pancho Villa, Robin Hood, Jesse James, Salvatore Giuliano e o nosso Lampião. Num dos trechos , significativos à beça nesse tempo de morros conflagrados, milícias e tropas de elite ele diz : "os bandidos pertencem à história recordada, em contraposição à história oficial dos livros.Fazem parte de uma história que não é tanto uma crônica dos fatos e das pessoas que lhes deram forma quanto um registro dos símbolos daqueles fatores teoricamente controláveis, mas na prática descontrolados, que moldam o mundo dos pobres ; de reis justos e de homens que levam justiça ao povo.É por isso que a lenda dos bandidos ainda tem o poder de nos comover ". É isso aí ! não há como não pensar nisso quando vemos que apesar de pesares muitos moradores dos morros cariocas ainda veneram e adoram os traficantes, não há como não pensar nisso quando a mídia mundial execra os guerrilheiros das Farc se esquecendo que em muitos grotões colombianos eles são adorados por aqueles que foram assassinados e predados pelo poder oficial vigente. Ou seja : não dá pra conhecer o coração da história mergulhando apenas na versão de quem a conta . Eles são quase sempre ou sempre os vencedores. História não se conhece sem mergulhar no coração da miséria. O mito do Padre Cícero está aí vivinho para quem duvidar disso. 

a espetacularização da tragédia colombiana

O caboclo da foto é Mono Jojoy, principal líder militar das Farc, uma espécie de marechal de campo da guerrilha que foi morto em 22 de setembro em confronto com militares.Sua foto morto e massacrado espalhou-se pela internet assim como já tinha acontecido antes com Raul Reys, o secretário geral das Farc, quando foi assassinado tempos atrás.  Essa sórdida espetacularização da guerra da Colômbia, sobretudo quando mostra o massacre de guerrilheiros, é capitaneada por uma espécie de mídia que vilaniza os guerrilheiros mas não explica o conflito.
Antes de mais nada é preciso dizer aqui , mais uma vez, que não sou simpatizante das Farc como já insinuaram alguns biltres, inclusive publicamente, quando conclui o documentário "Colombianos" exibido pela Tv Cultura em 2007 e Tv Brasil em 2008. Não sou , não serei jamais simpatizante de quem promove sequestros e extorsões mas não  posso deixar de lembrar pela enésima vez as atrocidades do estado colombiano na figura do exército e dos paramilitares que nivela a todos na barbárie. Isso sem contar que todas as instâncias do poder colombiano tem as mãos manchadas pela cocaína . Ali não existem santos e a guerra continua apesar dos esforços de certa mídia em tentar fazer crer que a situação está sob controle total. Apregoam que após a morte de Reyes, Marulanda ( o líder máximo e fundador) e agora Mono a guerrilha sofreu golpes irreparáveis. Não duvido. Mas que não se pense que estão a beira da extinção porque ontem mesmo a France Presse divulgou matéria garantindo que existem no país pelo menos 7000 guerrilheiros das Farc em franca atividade. Isso sem contar com os 2500 da ELN.  Como se percebe números distantes do  zero como apregoava o "Bush boy" Uribe e seu sucessor Juan Manuel Santos, vassalos totais dos interesses americanos no continente.
Leio junto a outros livros o comovente relato de Ingrid Bettancourt sobre seus anos de cativeiro na selva em mãos das Farc. Me impressiono com a memória, clareza e crueza do relato e não tenho motivos pra duvidar de uma única linha. Só suspeito se apesar de sua desenvoltura o livro não tenha passado pelas mãos de um competente ghost writer pois é muito competente nos seus flashbacks narrativos. Ágeis, velozes e nada tediosos apesar do calor e dos mosquitos da selva colombiana. Conheço muitos dos lugares que Ingrid relata . Sei do horror e do desconforto pois visitei acampamentos guerrilheiros, vi prisioneiros e estive inclusive com Mono Jojoy, Marulanda e Reyes. Por tudo isso lhes garanto que nunca na história de nosso país li um único relato que de fato se aproxime daquilo que se passa na Colômbia. Determinaram que ali os governantes são os mocinhos , guerrilheiros são vilões e os paramilitares um mal necessário. Não é nada disso. Não se coloca uma única linha de contextualização histórica pra explicar a ruptura que ali acontece desde 1948. E só me resta dizer isso aqui pois todo o material bruto que eu trouxe daquele país jaz guardado em arquivos que  infelizmente não me pertencem. Foram refens da mesquinharia de um poderoso circunstancial e hoje , me garantem, o assunto não tem mais relevância. Para mim tem sim. E o que passa na Colômbia ainda é uma história muito mal contada. Em breve pretendo colocar a versão de "Colombianos" no Youtube pra ao menos diminuir minha culpa em relação a tudo isso.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

literatura de pára-choques

Se há uma arte (sim, uma arte) que é desvalorizada no ideário nacional é aquela, muito nossa, que vemos espalhadas pelas estradas brasileiras mesmo que em menor quantidade que no passado. As frases de pára-choques que no seu conjunto formam uma irônica e bem humorada literatura de pára-choques são o que há de melhor no país em relação a humor fino e grosso, ironia, picardia e o "must" da filosofia popular.
 Os acadêmicos e intelectuais em geral pouca importância deram ao assunto desde sempre e hoje lamento que essa arte esteja em processo de extinção pois já não se vêem com a mesma frequência as oficinas de beira de estrada especializadas em pintar as famosas frases de pára-choques.
No começo de minha carreira fui repórter e "globetrotter" de duas revistas dedicadas a caminhoneiros. "Carreteiro" era uma campeã de audiência entre a categoria , publicada pela editora Abril, no leque das publicações do grupo 4 rodas que envolviam a revista de mesmo nome e os guias. Ali a redação ficava sob a batuta do meu prezado Marco Souto Maior que me deu a primeira real chance profissional e com ele migrei dois anos depois de entrar na revista pra a concorrente chamada "Boléia" que foi lançada pela Bloch Editores justamente pra concorrer com "Carreteiro". Pela sensibilidade do Marquinho fui incumbido de correr atrás de pessoas que levavam a sério o tema "frases de párachoques" e assim fui ter com o falecido desembargador carioca , o saudoso Abeylard Pereira Gomes que publicou um hoje raro compêndio sobre o tema. Outro que conheci que se dedicou ao tema com afinco foi o escritor e ex-caminhoneiro Henrique Leça.
Minha paixão pela estrada, suas curvas e desvios, sempre me acompanhou . Com a ligação profissional com os caminhoneiros só aumentou  e me deixou marcado pra o resto da vida pois partilho com eles desse gosto doido e doído ( olha o acento diferenciando) de percorrer meu país e outros países por terra e não por ar. Por isso, há uma década, tenho jipe. Mas esse é outro assunto e foge do caminhão e suas frases.
O motivo do post é levantar a bola das frases tão esquecidas. E dizer que por elas tenho especial apreço . Afinal como não rir com "Pobre só come carne quando morde a língua" ou "Por falta de roupa nova passei ferro na velha" entre tantas outras pérolas?? E pra quem gosta do assunto recomendo esse link :   Clique aqui.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

EU, INGRID E A COLÔMBIA

        Ontem assisti a uma das raras entrevistas onde Jô Soares – apesar das interrupções fora de hora para deixar claro seu conceito de ética - deixou um convidado falar. Se tocou que a ex-senadora e ex- candidata a presidência da Colômbia , Ingrid Betancourt, tinha mais a dizer do que ele após quase sete anos de cativeiro na selva , refém das Farc. Ingrid está lançando no Brasil o livro “Não há silêncio que não termine”, um belo título por sinal.
  O livro me foi presenteado pela equipe de produção do “Roda Viva” que havia convidado a ex-senadora a participar do programa  mas que na última hora foi cancelado para azar dos telespectadores e meu que seria um dos entrevistadores. Tinha curiosidade profissional e pessoal de conversar com ela visto que estive em seu país muitas vezes entre 2001 e 2007 acompanhando a guerra interna que ali se trava o que resultou na realização e exibição do documentário “Colombianos” exibido pela Tv Cultura em 2007 e pela Tv Brasil em 2008.
       O tema Colômbia continua me sendo caro e daquele fascinante país não consigo me desprender pois algo me diz que ainda volto ao tema. É como se a Colômbia fosse para mim um karma do bem. Deixei caras amigas por lá e aprendi que eles se assemelham a nosotros muito mais do que imagina a vã filosofia maniqueista de nossa mídia. Aliás, por tudo isso, eu tinha interesse em trocar meia duzia de palavras com Ingrid.
  Um dos depoimentos mais contundentes do meu documentário foi dado justamente por Yolanda Pulecio, também ex- senadora e mãe de Ingrid. Ela me recebeu gentilmente no seu apartamento na zona norte de Bogotá em 2007 e seu maior terror naquele momento é que o belicismo celerado do então presidente Uribe empreendesse um resgate de risco que colocasse em perigo a vida de sua filha. Por sorte um ano depois Ingrid foi resgatada sã e salva num episódio pra mim ainda nebuloso . Sempre me parece que Ingrid está a ocultar algo em relação ao que sucedeu nos momentos derradeiros de seu cativeiro.
    Mas o que importa agora é ainda tentar entender o que se passa nesse nosso país vizinho mergulhado numa guerra interna que já dura mais de 60 anos e que parece não ter fim embora seus efeitos não se enxerguem de cara em grandes metrópoles como Bogotá. Fato é que continuam as disputas territoriais e politicas entre três grupos armados : os paramilitares, os guerrilheiros e o Exército regular da nação. Isso sem falar nos multiplos tentáculos do polvo do narcotráfico que estão entre governo, guerrilha e os mesmos paramilitares.
    Para mim a Colômbia é dos países que bem conheci o que menos faz com que nós brasileiros nos sintamos estrangeiros. Pode-se dizer, grosso modo e generalizando, que para o bem e para o mal a Colômbia é um Brasil que fala espanhol. Um país lindo , rico, bonito e brutalmente desigual com uma classe dominante predatória e muitas vezes assassina. Histórias trágicas por ali são corriqueiras, todo dia se processam e aumentam. Entende-se pois como um gênio como Garcia Marquez teve seu talento turbinado ao viver num abismo de paradoxos que é a Colômbia.
     Que os leitores me perdoem a presunção mas conheci bem e de perto a Colômbia e me indigno todos os dias de como a mídia nativa pouco ou nada conhece daquele país e como nos passa impressões equivocadas dele, geralmente a versão que as agências de notícias americanas pretendem que a América Latina tenha da Colômbia. A influência militar americana por ali é brutal e sente-se todos os dias até nos métodos grosseiros e violentos com que trataram Carolina Osma  (minha então colaboradora, coordenadora de produção do documentário por lá) diante da embaixada americana. Agentes disfarçados, armados e mal encarados a chacoalharam , grávida de seis meses, como se estivesse sacudindo uma boneca. Escrotos.
    Tentar entender a agonia e o sequestro de Ingrid Betancourt é para mim continuar a querer entender a Colômbia. Ela foi sequestrada em fevereiro de 2002 na estrada entre Florência e San Vicente del Caguan ,sul do país,  exatamente a mesma estrada onde passei em junho de 2001 , perto da festa de São Pedro. Ali era uma zona de distensão que depois foi anulada e a guerra voltou com força. Dizem que sendo Ingrid uma candidata presidencial sabia muito bem o risco que corria em ali estar naquele momento. Por seu lado ela garante que dançou porque lhe tiraram a escolta a que tinha direito. Pelo sim, pelo não, ela foi submetida a uma tortura psicológica de quase sete anos de cativeiro e emerge com um livro contundente como parece ser (não acabei de ler) “ Não há silêncio que não termine”. Pena eu não ter podido me  encontrar com ela. Queria ter lhe feito poucas perguntas que talvez me fossem suficientes para eu entender o enigma colombiano que há tanto tempo me fascina. Ou não.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

VOTEI NA DILMA E NÃO ME ENVERGONHO

(mini-inventário de um cinquentão que se estranha ao defender o governo)

      Atalhos a serem percorridos, dúvidas e dívidas politicas muitas , apreensões, traições, vaidades a serem contempladas, aliados hediondos. Tudo isso existe sim ! Apesar de mensalão, mensaleiros, apesar de Temer, Collor, Ciro Megalô Gomes , Renan , Sarney e demais detritos da vida pública brasileira, apesar do aparelhamento de cargos públicos e de inoperantes em postos chaves, apesar das intrigas , falácias e fofocas, apesar do equivocado modelo de desenvolvimento que privilegia a posse e não o saber, apesar de todos eles e de mais Palocci e seu indecente desrespeito à privacidade alheia, apesar de Dirceu e seus negócios mal explicados, apesar de todos os pecados, eu votei Dilma e disso não me envergonho. Mesmo que não tenha sido a mulher que eu preferia na condução da nação, mesmo que a considere robótica, dura, sem senso de humor e jogo de cintura, é a ela que nossos destinos estarão atrelados a partir do dia primeiro de janeiro de 2011.
    Ínfima gota d'água nesse oceano de informação nada tem de importante ou relevante meu depoimento mas deixo claro que me deixei convencer a dar meu voto a Dilma não pelo meu asco ao “modus operandi” dos tucanos ou suas falsas ambições de quem tudo podem , tudo resolvem e para tudo tem um conserto porque estão acima dos demais mortais como denota a já malfadada e lendária empáfia desses cavalheiros , agora da ordem desunida. Meu voto foi para Dilma unicamente e apesar de suas espúrias alianças porque em muitos anos de profissão tive a oportunidade de percorrer todos os estados desse país ( em seus interiores e capitais) com exceção de Acre e Rondônia e posso lhes garantir que a miséria se enraizou em todos os cantos em povoados e cidades perdidas, desfiladeiros de desesperos, assentamentos de desalentados, barracos mal jogados, prédios desmoronados, bueiros, viadutos, terrenos baldios , periferias imensas pouco ou nada atendidas pelas políticas públicas . E o que pude ver nos anos do governo Lula não pela propaganda oficial ou relatos dos coniventes ? Que de fato a miséria veio diminuindo, quem nada tinha agora um pouco tem, quem pouco tinha pode sonhar com mais um naco, quem nunca pode sonhar com dias melhores agora projeta o futuro.
  Disso não sabem os mais ferozes e céticos críticos do modelo lulista e dilmista, empedernidos e bem vestidos profissionais liberais, jornalistas de ar condicionado, advogados de escritórios chics, gente que muitas vezes mora há décadas em Brasília mas nunca lançou os olhos ou atravessou as fronteiras além de Taquatinga. Disso não sabem os moradores dos condomínios de luxo da capital paulista ou os bem nascidos dos interiores paulistas a detonarem cartões de crédito nos shoppings de Miami enquanto suas usinas transbordam lucros canavieiros e inundam contaneires de cítricos mundo afora. Essa gente costuma não gostar de pobres nos aeroportos, aumento das filas dos restaurantes, carros saindo pelo ladrão das indústrias, crédito pra todos. Não que eu defenda esse consumismo desenfreado de asfaltos e freadas, versões equivocadas da felicidade refrigerada em shopping centers. Mas se a liberdade/felicidade passou a ser o acumulo de bens de consumo porque muitos não podem ter acesso ? A educação e civilidade ajudariam a ensinar a malta que além de ter roupas de marca e carros novos seria de bom tom respeitar os limites de velocidade , faixas de segurança, lei do silêncio, regras minimas de convivência além de um pouco mais de cultura e informação além das fronteiras dos BBBs e celebridades. Mas nesse ponto a classe média e alguns ricos , que se sentes aviltados com Dilma , nivelam-se aos desvalidos. Esse é o país onde o axé, breganojo e pagode ruim arrastam multidões de distintas classes sociais. Esse é o país onde jovens bem alimentados inundam as arenas de rodeios fantasiados de toscos cowboys e cowgirls texanos reafirmando nossa “ identidade nacional”.
    Nossa tragédia nacional agora passa aos poucos a não ser a exclusão mas a deseducação, a falta de civilidade e de bons modos. Votaria sem pestanejar e até faria campanha enfática por qualquer candidato que abraçasse essa causa de verdade. Mas enquanto isso não é possível por que eu não devo comemorar o fato de que mais gente possa ter mais felicidade visto que a felicidade é o “consumo logo existo” e não o “penso logo existo” ?
     O jogo deveria estar zerado após essa eleição tão beligerante. A mídia deu um show de hipocrisia e parcialidade tentando nos enganar o tempo todo de que estava dando espaço igual para os dois candidatos. Sabemos que isso não é verdade. Até porque a mídia não gosta de quem pronuncia palavras erradas. A mídia não curte quem curte pinga com cambuci e nem frango com polenta. A mídia curte “poire” , “prosecco”, inglês britânico , endereços decorados em Nova York ou na City de London. A mídia ficou risível quando seus funcionários e empregados se comportam e pensam como seus empregadores. A mídia me envergonha e torço para que cada vez mais as redes sociais solapem o poder das grandes corporações.
    Serra e aqueles que o cercam representam desde sempre tudo aquilo que não acredito. Não é apenas implicância por sua pose de falso moralista ou pelos olhos que dizem uma coisa quando o esgar da boca diz outro. É por Serra embutir em si toda aquela deplorável presunção paulistana de que sabemos e podemos mais que os outros. É porque aposta, sem admitir, no separatismo, na divisão, no preconceito contra os mais pobres , mesmo que finja estender a mão a eles. Afinal alguém viu cena mais falsa nessa campanha do que Serra fingir estar apreciando um churrasquinho na laje ?
   Serra e aqueles que o cercam acusam o petismo ou o lulismo de fomentar uma guerra social , a separação entre ricos e pobres. Poucos argumentos pra mim foram tão risíveis visto que com todos os defeitos desses oito anos de Lula foi ele o presidente que na história da República mais aproximou ricos e pobres. Por coincidência passei a maior parte de minha infância, até o fim da adolescência, na Vila Paulicéia, São Bernardo do Campo. Ficava a duas quadras da sede da Mercedes Benz do Brasil e bem perto de uma casa onde Lula morou. Na minha antiga vila nunca vi aquela classe média baixa prosperar tanto quanto nesses últimos oito anos.
   Ah,as emoções baratas, a sanha da luta pelo poder. O que não fazem os homens para ter o mais afrodisíaco dos sentimentos humanos. Poder, aliás, pode ser chamado de sentimento ? Não sei mas sei o que vi pelo país afora nesses anos que se findam. E vi também que a estabilidade foi mantida sim pela manutenção de uma politica econômica herdada dos tucanos. Mais um mérito lulista pois ,pergunto, fosse o contrário Serra teria levado adiante politica herdada de petistas ? Serra pode até ser um gestor competente mas é um ser humano muito pequeno. Seus horizontes sempre levam de volta ao seu umbigo. Nisso se assemelha a desafetos nefastos como o execrável Ciro Megalô Gomes, a mais completa tradução de Zelig político de nossa história recente.
    Tudo que os cidadãos que trabalham nesse país gostariam- suponho eu – é que agora os contendores deixassem as trincheiras , depusessem as armas e fossem juntos fazer um país. Situação fazendo o que prometeu e a oposição cobrando com conseqüência e responsabilidade. Como há ratos e oportunistas nos navios de ambos os lados temo que isso não seja possível. Mas entre tantas emoções baratas imagino que seja possível uma conjunção astral onde apareça uma nesga de bom senso. Mesmo em meio ao loteamento de cargos e funções que já se avizinha. Afinal, agora já cinquentão, eu ainda me esforço por conservar uma dose de otimismo. Mesmo em meio ao cinismo, aos interesses menores, as picuinhas. Nunca é tarde para mudar. Tomo por conta eu mesmo. Quem diria que um dia em minha vida ia sentar diante de um computador pra defender um governo que se não foi o máximo foi o melhor que já vi nesse país na minha curta passagem sobre a Terra Brasilis ?
***
Ricardo Soares   2/11/2010

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