TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

66 milhões de veículos

        Por coincidência é o número da besta. Desde maio do ano passado divulga-se a cifra de que passamos de 66 milhões de veículos em nosso país e que 57% são automóveis. Em 2010 , foram realizadas 145.920 internações de vítimas  dos acidentes no trânsito financiadas pelo SUSs e de acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade , do ministério da Saúde, o Brasil fechou 2008 com 38.273 mortes causadas pelo trânsito tanto nas cidades como nas estradas .Quase dez mil mortes a mais do que o registrado no ano 2000.
      Dados como esse causariam espanto - ou horror - em qualquer nação civilizada do planeta. Mas aqui, país onde adoramos nos considerar de primeiro mundo nas questões de consumo, isso passa batido. Pior, o governo Lula era pródigo em comemorar com notas efusivas a tragédia nacional que é o constante bater de recordes de venda da indústria automobilística, procedimento que segue no governo Dilma. Comemoram o que deveríamos deplorar.
      Tal euforia não é de se espantar num país que virou refém do automóvel e do transporte rodoviário com o sucateamento criminoso e consciente das nossas ferrovias.O custo que pagamos pelo rodoviarismo está aí todos os dias para que a gente confira na medida em que simplesmente não se anda mais no Rio, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador. Isso sem falar, lógico, do pesadelo maior do motorista brasileiro que é se deslocar entre os quase sete milhões de automóveis da cidade de São Paulo. O surreal é encarado como natural e não se vê uma única política pública para conter isso. Ao contrário . As multinacionais  do setor continuam mandando e desmandando inclusive incentivando uma publicidade nociva que alia carro a poder, mulheres, posses e velocidade. O lixo de sempre travestido de luxo.
      66 milhões de veículos num país que não tem 200 milhões de habitantes é uma aberração sem igual. Enquanto isso dá-lhe marginal, Rodoanel, anel viário, pontes, viadutos, prioridade total ao automóvel. Estamos na contramão do bom senso, da civilidade, da lógica.  São números que nos assustam mas que não sensibilizam nenhuma das nossas autoridades que não estão preocupadas sequer com a questão da mobilidade. São tão mal educadas que continuam a chegar atrasadas em todos os seus compromissos mesmo tendo aviões, helicópteros  e batedores à disposição. É por isso que eu sempre digo que na ineficiência e visão equivocada de civilidade e gestão a incompetência tucana se nivela a petista. São farinha do mesmo saco. Ou combustíveis do mesmo tanque sujo e mal lavado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Steve Mc Curry se foi

        É o tipo de informação que não serve para mais nada a não ser atestar que foi muito bom e eu quase perdi não fosse ontem almoçando no "Halim" meu filho ter me avisado que era o último dia para ver a exposição de Steve Mc Curry o autor da mundialmente conhecida foto da “menina afegã”, tirada em 1984, logo abaixo. Mas com todo respeito a foto que o tornou célebre Steve é muito mais que isso como pude atestar vendo estupefato as cerca de 100 outras imagens feitas pelo americano Steve McCurry, ao longo de sua brilhante carreira.
    Sempre segui a trajetória desse fotógrafo como atestam algumas imagens dele que compartilhei no Facebook. Mas vê-las ao vivo é de fato um choque de belo, de estranhamento, até de estupor como estar diante de uma tela de Francis Bacon. Mc Curry extrai poesia até da morte com suas cores e texturas impressionantes com ou sem auxílio do lendário filme Kodachrome. Inclusive na exposição encerrada ontem havia ainda fotos feitas por ele com o último rolo de Kodachrome – tipo de película extinto no final de 2010 por causa do avanço das tecnologias digitais. Com esse filme de alta qualidade, ele registrou imagens do ator Robert de Niro, atores de cinema de Bollywood e cenas urbanas. Tudo sempre belo, estranho, contundente.Quem perdeu , perdeu mas que bom que nesse mundo virtual ainda sempre existe a chance da gente pesquisar e se deslumbrar com as fotos dele nos "Googles da vida".


sábado, 28 de janeiro de 2012

Tudo de bom o Chico Anysio

O imortal professor Raimundo de Chico Anysio
         Nem  sei porque me pego agora a falar de Chico Anysio. Talvez porque acompanhe esse embate dele com a morte e pense que o humor no Brasil e na televisão são uma chatice sem ele. Talvez porque reflita sobre o rancor, a inconformidade, o talento desprezado. Chico tem passado os últimos anos a reclamar que estava no estaleiro. A não entender os novos tempos e a não ser entendido . É dos grandes artistas brasileiros e dos nossos maiores atores muito embora quando listemos os craques da área nos esqueçamos dele. Há alguns anos o diretor Daniel Filho numa entrevista respondeu sem titubear que a melhor atriz do Brasil era Fernanda Montenegro e que o maior era Chico Anysio.
    Como diz meu amigo Dagomir Marquezi o Chico não interpreta. Ele incorpora personagens. Basta lembrar as diferenças em nuances vocais e visuais de tipos como o Tavares ou a Salomé gaúcha. O professor Raimundo ou o canastrão Roberval Taylor.Único, inigualável. 
     Há alguns anos (2005 ou 2004, não me recordo) passei um dia com Chico em sua casa na Barra da Tijuca para gravar um programa sobre literatura e humor.Quando cheguei conversava com dois homens sobre compra de cavalos. Quando os sujeitos saíram me vi diante de um criador angustiado, soturno , amargurado mas muito cordial que me respondeu a tudo que eu perguntava sem a menor má vontade.Senti ele muito solitário na casa enorme com um elevador de vidro na lateral da fachada. Sem ocupação na Globo naquele momento se ressentia por ser chamado apenas para pequenas participações especiais.Ganhava um bom salário mas queria trabalhar. Apenas isso.
    Para passar seu tempo,apesar dos chinelos e do ar prostrado, Chico se debruçava então na escrita de uma telenovela que iria propor pra um canal latino de Miami.Me mostrou algumas cenas, contou o enredo que me parecia bom para uma telelágrima.Vi depois que o projeto não foi adiante assim como tantos outros nos quais se enfiou.
     Compreendo a dor de Chico Anysio que foi aos píncaros da glória e que aos poucos foi relegado ao quinto plano.Não faço julgamento dele nem de quem o boicotou. Só constato nessa manhã chuvosa de sábado que é bem triste ver Chico ir e vir de hospitais, como numa metáfora de sua vida artística. Indo e vindo em busca do sucesso e reconhecimento que dele nunca deveriam se apartar. E , enquanto isso, como no bordão do professor Raimundo "o salário...uóoooooo"...   

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Rabelais, pour toujours

  
     Hoje mundo turvo e chuvoso.Pelo menos o que está à minha volta. Chove, chove , chove no interior e exterior que me cerca. Chove no entorno e nessa hora é melhor imaginar que o riso tudo cura. Como disse,para sempre,o bom e velho Rabelais em Gargantua. 



Ele ensina pouco,mais ensina a rir :
com os melhores argumentos;o resto é sentir
As nuvens que ameaçam vossa curta vida;
Risos,não lágrimas,apontam o porvir,
Porque o riso é natural ao homem

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Angola, dois anos depois

Da janela do meu quarto a primeira contemplação da paisagem de Luanda, há exatos dois anos
    "Acho que estou morando a partir de hoje em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Prefiro ter comigo essas primeiras impressões mesmo que ufanistas do que qualquer outras. E nos vemos em breve desde Angola...”
    Essas foram as minhas primeiras impressões superficiais e não definitivas sobre Angola (chegada em Luanda) registradas aqui nesse blog há exatos dois anos quando lá cheguei no dia do aniversário de São Paulo e também da capital angolana visto que originalmente ela se chama “São Paulo de Luanda” como eu não sabia. 
    Ao invés de apenas resgatar o que então escrevi prefiro reescrever as minhas sensações sobre o país de Pepetela onde fiquei por menos tempo do que esperava participando de um trabalho que muito me ensinou e foi bacana apesar dos percalços. Participei dele a convite do meu amigo Sérgio Túlio Caldas com quem por coincidência conversei essa manhã justamente sobre Angola visto que ele falou hoje com colegas de lá que lhe comunicaram que ,mais uma vez, o país não terá eleições presidenciais e apenas legislativas o que cristaliza no poder o senhor José Eduardo dos Santos que lá permanece desde 20 de setembro de 1979 quando sucedeu o mito Agostinho Neto, herói da independência do país. 
    Durante o tempo em que ali permaneci acabei por escrever sobre o país menos do que gostaria e apesar de ter viajado um pouco por ele sempre acho perigoso destilar impressões que pareçam definitivas sobre um local onde fiquei três meses. Em três meses não se conhece nada, se tem uma vaga impressão. Ainda mais de um país como Angola com história tão rica, tão sofrida e tão paradoxal.
    Hoje, tomado por esse saudosismo recente de momentos idos e vividos tenho a certeza de que apesar do caos urbano de Luanda e de todos os seus muitos problemas ( assim como os do país) me fica a vontade de voltar a ele porque tenho a certeza de que há muito mais na paisagem externa e interna de Angola do que vislumbrou a primeira visão do quarto onde dormi e morei por três meses (foto acima) ali no bairro da Maianga. Angola é um desafio à nossa lógica, um emaranhado para a nossa cartesiana compreensão. Pena que o Brasil saiba tão pouco de lá e que tenhamos a impressão de que o páis se resume a um aglomerado de telespectadores passivos da rede Globo. As janelas de Angola se abrem para muitos quadrantes muito embora pareçam até estar fechadas. Até quando sinceramente eu não sei.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

pra suavizar o dia

    
   Já que temos tantas perguntas, a maioria sem respostas, já que está sempre a nos faltar tolerância, paciência, já que reclamamos de tanta ineficiência das telefonias, tvs a cabo e planos de saúde, já que o tempo desaba em janeiro e não vemos tantas perspectivas assim em fevereiro e já que existe no ar uma conspiração da mediocridade e o triunfo da nulidade resta imaginar que possamos ser leves, aspirando o ar que nos sobra e tentando encarar os questionamentos  com o savoir faire de Tintin...  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ao sabor dos ocos acontecimentos...

        O texto a  seguir não tem a menor pretensão a não ser a de navegar pelas inconsistências e vacuidades encontradas na grande rede virtual num fim de manhã chuvosa de janeiro quando a preguiça de pegar no batente  aflora à mente . Assim sendo há várias telas abertas nessa que seria uma improvável máquina nos tempos que me iniciei na lida do jornalismo. Um tempo que não havia e-mail, celular, internet e todos os demais quejandos sem os quais as pessoas não sabem mais viver.
    Pois as telas estão cá abertas e fico a saber por uma colunista de moda acha linda três modelos  e que um rico paraibano festeja empreendimento imobiliário lamentando a ausência da filha Luíza que está no Canadá e virou celebridade instantânea. Um portal de notícias ensina a cuidar de orquídeas e há uma forte movimentação em torno da organização do 30 º congresso de odontologia em São Paulo.O editor de uma grande editora nos "brinda" com suas leituras de verão através do seu marketing virtual e todo mundo comenta sobre os 30 anos da morte de Elis e os 70 de nascida de Nara Leão enquanto o país continua desafinado.
     Crianças indígenas continuam morrendo de diarreia no Acre enquanto se lamenta a morte de uma jovem liderança tucana em Sp. Há um bar na Penha paulista servindo comida árabe e um idiota da televisão diz que outro idiota chamado Boninho deveria ser preso.Um jornalista óbvio diz que a China virou um país urbano e outro jornalista "modernoso"declara ter lido uma velha entrevista de Tom  Jobim.Um locutor esportivo limítrofe diz estar em Saquarema.
     Aí,pegando a rima na cidade litorânea carioca, eu pergunto :qual é o problema? todos os dias não somos soterrados por uma quantidade industrial de notícias inúteis ? Algo do que mencionei acima muda a sua vida ou a minha?  Não tá na hora da gente se desligar um pouco dessa ladainha ? 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

"Comidas exóticas" e uma aula de televisão

Andrew Zimmern dá aulas de história, culinária e bons modos televisivos

          Apesar da televisão viver tempos horríveis não perco a esperança de que seja possível fazer programas com conteúdo interessante , sem “cerebralismos” e com formato ao alcance de todos. Prova disso foi a agradabilíssima surpresa que tive nesse domingo de noite ao me deparar por mero acaso – no cada vez mais tedioso exercício do zapping - com “Comidas Exóticas” no TLC , Travel and Living Channel .
    O apresentador é o simpaticíssimo chef americano Andrew Zimmern, um tipo sanguíneo,calvo e bem humorado que além de levar sua lente para lugares onde possivelmente estão as tais comidas exóticas – o que pode ser uma quadra de escola de samba no Rio onde servem feijoada até um restaurante popular em Budapeste – nos dá uma verdadeira aula de contextualização histórica, antropológica e cultural dos costumes em torno das comidas em questão. Se os apresentadores e repórteres de tv no Brasil assistissem a um só programa da série do Zimmern teriam vergonha das receitas e matérias gastrônomicas meramente sensoriais que nos apresentam sempre encerradas com a prova dos quitutes e o indefectível fecho “ hummmmm que totoso!!!!!”. Quanto as informações sobre texturas, sabores e origens do tal prato necas de necas.
    Andrew que já foi assistente do intragável Antony Bourdin adquiriu luz e brilho próprios num programa bem sacado, bem editado, bem escrito onde sua presença simpática e marcante nunca é excessiva nem invasiva. Ele é a antítese de Glória Maria, o oposto de Francisco José. Uma aula de bons modos televisivos inclusive. Se eu estivesse dando aulas numa faculdade de jornalismo recomendaria vivamente o “Comidas Exóticas” aos meus alunos. Mas no fundo talvez eles tenham mais boa vontade de aprender do que certos profissionais medíocres de tv no Brasil que mesmo ao assistirem ao Andrew Zimmern não conseguem enxergar o tamanho de suas deficiências que é continuar a fazer um jornalismo raso, desanimador e precário sobretudo em informações. Eles querem ser o centro das atenções e não um adereço complementar e estimulante quanto é o titular de “Comidas Exóticas”. Se você gosta ou não de culinária corra atrás desse programa e se deleite.

domingo, 15 de janeiro de 2012

ROMANCES REMOTOS

Mika Waltari, finlandês, autor de um dos romances remotos
             Talvez eu vos aborreça com esse escrito mas não resisto.Por motivos que aqui não cabem tenho livros espalhados em vários locais.Alguns exemplares herdados das bibliotecas do meu falecido avô materno e tias que por não terem espaço ainda aqui em casa vagam por estantes outras. Recentemente resgatei alguns deles de armários do apartamento de minha tia 0ttilia e percebi,aterrado, que alguns já serviam de alimento para as sempre furtivas traças. Dei pois tratos aos bichos,  trouxe alguns desses livros para casa e tenho me deliciado com eles ao redor da cama e espalhados aleatoriamente antes que eu lhes encontre um abrigo decente. São uma espécie de sem teto de minha casa.
        Mas fiz o preâmbulo pelo seguinte. Não é de hoje que as leis do mercado praticamente nos obrigam a estarmos antenados com as boas novas literárias. 0u seja, para estarmos por dentro é preciso que conheçamos o que está na moda mesmo que isso signifique ler ou prestar atenção em nulidades literárias. Isso nos obriga a condicionar tudo à novidade e nos escapam entre os dedos livros que foram lançados e mal divulgados em anos, meses e décadas passadas. Às vezes nem são grandes livros mas valem a pena serem conhecidos. 
        0 que dizer então de livros que foram lançados há muitos e muitos anos por autores que foram praticamente esquecidos ou são pouquíssimos comentados ? É sobre livros assim, romances remotos, que estou falando. Por acaso estou debruçado na leitura de um deles que se chama "0 Aventureiro" de autoria de Mika Waltari, autor finlandês  festejadíssimo em outros tempos e hoje deletado dos compêndios. É dele por exemplo um tijolo de nome "O Egípcio" que chegou até a virar filme de Hollywood. 
      Waltari é só mais um a exemplificar essa estranha galeria dos autores de romances remotos esquecidos. Galeria que deveria ser lembrada por muitos autores de hoje tão vaidosos de si mesmos. Aqui do meu lado estão vários exemplares dessa galeria. Publicações de 1950,1951,1952 em finas encadernações da Gráfica Editora Brasileira Ltda. que me parecem que eram vendidas e entregues de casa em casa como fez nos anos 70 o Círculo do Livro então ligado à Editora Abril. Entre esses exemplares que agora folheio temos autores  como Elizabeth Goudge, Daphne Rooke,Thomas B.Costain e François Mauriac. Já ouviram falar de alguns desses ? pois é... parece que mais legal que a descoberta de livros que não conhecemos é a descoberta de autores soterrados pelo pó das estantes. Ao abrirmos os livros e darmos de cara com o que escreveram literalmente damos vida aos seus escritos como reza a velha premissa clichê. Óbvio mas gratificante. Uma singela e inusitada aventura na era dos gadgets inclusive virtuais. E, a propósito, estou adorando "0 Aventureiro" publicado aqui em 1952. Ressuscito-o 60 anos depois e prometo voltar a ele quando concluir a leitura desse romance remoto. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Tiradentes e a maldição do sabonetão

    
    Dias atrás postei aqui um comentário de como está descaracterizada a cidade de Tiradentes com seus preços altos e turismo dirigido a "gente diferenciada". Discordaram gentilmente de mim como o amigo Paulo de Tarso Santos no Facebook mas o link por lá simplesmente sumiu. Isso não importa. O que importa  é que fiquei com a consciência pesada por ter dado uma detonadinha na cidade que visitei em 29/12/2011  e dias depois saber que ela estava debaixo d'água. Talvez tenha sido a maldição do sabonetão italiano  pelo qual paguei os olhos da cara  numa loja em Tiradentes e ele nem deixa cheiro no corpo. Talvez até a loja careira tenha sido invadida pelas águas. Como estou a saber que agora as coisas se normalizam desejo a Tiradentes e seus habitantes tudo de melhor em 2012 com águas baixas e comércio normalizado para o bem de todos.  Até porque o Paulo de Tarso Santos me garantiu no Facebook que tem gente séria tentando melhorar a cidade. Vamos ver. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mercado sem peixe


Meus amigos envelhecem
a olhos não vistos
não vendem filés
nem peixes frescos
deixam apodrecer as doces mercadorias
e se preocupam com a estação das chuvas

há goteiras tantas no meu passado
que julgo não ser procedente consertar o telhado

vou vivendo de remendos
administrando as gasturas
tossindo vez ou outra
rindo da minha própria carência

a poesia deixou recatos
no balcão de recados
a me constranger
a me deixar nu
a me fazer ver navios de remotas viagens...

***
Ricardo Soares
12 de janeiro de 2012 . 2h53min

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O PUERIL ZECA CAMARGO


  Ontem ao acessar o portal G1 em busca de notícias sobre as chuvas acabei caindo no blog do apresentador Zeca Camargo por quem não nutro nenhuma admiração profissional mas por quem também não tenho antipatia pessoal até porque foi muito gentil comigo uma vez quando se derramou em elogios a uma longa reportagem que fiz sobre a Colômbia para a revista Rolling Stone. Temos alguns colegas em comum inclusive a serelepe apresentadora Sara Oliveira minha ex- aluna que ,aliás, me lembrou uma vez em sala de aula o elogio que Zeca fez a mim.
  Pois isso são detalhes periféricos para explicar porque falo sobre  Zeca.  É que ontem o apresentador se queixava em seu blog de que existem muitos críticos de televisão no Brasil. Pelas contas dele 786. No entanto são contas erradas porque em minha modesta opinião não temos críticos de tv no Brasil , ao menos que ele conte as centenas de palpiteiros que vagam pela internet dando pitacos a esmo sobre a (péssima) qualidade da tv aberta. Assim sendo a reclamação não procede.
  Mas a discussão tem outras nuances. Zeca, percebe-se , é um sujeito que se leva a sério. Gosta de citações, aforismos e há quem conte que adora desfilar pela redação do “Fantástico” ostentando exemplares de “New York Times” e congêneres.Como se vê cultiva a imagem de moço cosmopolita e letrado, versado em vários idiomas e com cabedal suficiente para pleitear que a tv aberta que ele pratica não mereça críticas veementes.
  Eu, do alto da minha insignificância de baixa audiência, que sempre praticou tv pública e não púbica , deixaria o tema e o Zeca passar batido não fosse constatar desolado que esses sites de mexericos e de bajulação a jornalistas estrelados ( como o Comunique-se) repercutiram o mau humor do apresentador contra a crítica televisiva inexistente. Zeca protesta e ficamos calados ? Sim. Mas ao mesmo tempo o vácuo de debate faz com que o protesto de Zeca fique sem resposta ? Não! Meus dedos coçaram Zeca Camargo.
   E por que enfim me preocupo em argumentar contra os argumentos pueris de Zeca Camargo ? Justamente porque ele e sua estampa sempre falsamente risonha é um dos estandartes desse novo e deplorável jornalismo que vem sendo praticado há alguns anos na televisão brasileira. Padrão inventado pela Globo e copiado, lógico, pela pouco criativa concorrência. O padrão é a confusão, a mistura, a fusão entre show e notícia. Um padrão que contaminou inclusive o carro -chefe da casa global que é o “Jornal Nacional”. O padrão que coloca em foco e em primeiro plano o personagem jornalista e não a notícia. Assim sendo não importa onde Zeca Camargo, Glória Maria, Renata Ceribelli ou Patrícia Poeta estejam. Importa que eles apareçam. Seja ao redor das ruínas do Egito Antigo ou numa praia de Madagascar o primeiro plano da paisagem é o Zeca. Nada mais Jeca , como diria o Paulo Francis tão cultuado aliás pelo apresentador.
  Me recordo bem que na sala de aula da pós graduação em jornalismo cultural da Faap foi esse argumento que esgrimi para Sara Oliveira quando critiquei a atuação de Zeca. Não tem como esquecer dele chacoalhando os quadris num lindo ashram do Taiti ao invés de mostrar o próprio ashram ou a paisagem deslumbrante que o cercava. Zeca talvez não perceba que ele não é a paisagem , que a muitos não interessam as suas roupinhas e sorrisos mas o que ele tem a nos mostrar. Quiçá assistisse um pouco mais as reportagens de Marcos Uchoa ele entendesse meu recado.
  Mas recado de baixa audiência não basta. Sou um tiozinho veterano na profissão. Um caboclo de baixo Ibope o que para essa turma é menos que zero. Eles vivem a ilusão de estarem no centro do universo, de serem amigos dos muito famosos e de realmente acreditarem que as opiniões que professam são o auge da sabedoria. Nada tenho a ensiná-los , sequer humildade, porque mesmo ao escrever essas mal traçadas tenho meus momentos de soberba.
    No entanto não me furto a ter opinião Zeca Camargo. E não sou crítico de televisão. Sou um “fazedor” de televisão e um cada vez mais eventual telespectador. Tudo talvez por culpa da megalomania de profissionais como você e o Pedro Bial que confundem alhos com bugalhos e tentam legitimar detritos culturais que defendem com o verniz tosco de “cultura pop”. Pois cultura pop também é aprender aceitar críticas Zeca Camargo e entender que muito do que você qualifica como legal é na verdade porcaria para continuar a emburrecer a nação.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

TIRADENTES E O SABONETÃO ITALIANO

Tiradentes,MG. Apesar das frescuras mantém sua beleza.
         Cruzei no finzinho do ano numa lojinha em Tiradentes (MG) com um sabonetão italiano que para mim se tornou a mais completa metáfora da histórica cidade mineira;cara, desglamourizada , ilusória e prometendo maravilhas que não mais entrega. Me explico :  desde fins dos anos 70 ou começo dos 80 bato pernas por Tiradentes e cercanias e há alguns anos não passava por lá.
      Tiradentes sempre me deu a impressão de reunir com eficiência  aquelas memórias históricas  dos inconfidentes com bucolismo, simplicidade, boa comida. Isso, infelizmente, parece ter se diluído pois o entorno da cidade já está muito descuidado, a comida no geral não parece ser mais tão boa  e tudo , mas tudo mesmo, é muito caro.Lojinhas chics descaracterizaram a simplicidade, vende-se artesanato e móveis aos olhos da cara  e o público parece ser composto na sua maioria por aquela "gente diferenciada" que mora em Higienópolis, Leblon  ou Mangabeiras em BH. Tipinhos que desfilam de chapéu Panamá e Gucci, madames cobertas de ouro e adereços. Sacaram a mudança ? Pois então...
      Voltando ao sabonetão : entrei numa dessas lojas metidas. Uma prateleira cheirosíssima exibia pilhas de enormes sabonetes italianos de aromas deliciosos, quase inebriantes. Não resisti à tentação e comprei um deles, o tal  "Dei Colli Fiorentini Cipresso"   vindo ,ao que parecia, diretamente de um cipreste. Mas o sabonetão é como Tiradentes. Cheira mas não fica mais no corpo. No primeiro banho  o encanto se desfaz. O cheiro que exala da embalagem é inócuo e não se fixa. Sabonetão sem alma . Como Tiradentes que de tanto lhe injetarem frescuras está perdendo sua essência mineira.
o sabonetão italiano sem alma

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

o desconhecido Roger Casement


Roger Casement com os índios de Putumayo
     Há livros e situações que nos deixam com vergonha de nossa própria ignorância. É o caso de "O Sonho do Celta" de Mario Vargas Llosa amplamente comentado nesse mundo virtual onde a grande desvantagem está em ser redundante quando o assunto é novidade. Cheguei tarde para falar disso e nem tenho pretensões em estar inserindo grandes novidades sobre o livro a não ser a minha já auto-propalada ignorância sobre o protagonista Roger Casement.
    Até me debruçar sobre o livro de Llosa nunca tinha ouvido falar de Casement, um idealista irlandês que a serviço do império britânico defendeu índios escravizados na Amazônia e negros massacrados no Congo Belga e posteriormente voltou-se contra o próprio império que serviu como diplomata ao passar a defender (com a energia incandescente que norteou sua vida) a independência da Irlanda pela qual morreu.
     Toda a saga de Casement se passa em fins do século 19 e começo do 20 e serve de certa forma como metáfora do triste mundo que estava por vir. Ele morreu por suas causas, foi apagado da história ( inclusive de seu país) até que a sempre presente habilidade de Llosa o resgatasse do limbo histórico . Quem não leu deve ler "O Sonho do Celta" não apenas para ampliar um pouco mais os horizontes mas para ter certeza, como eu, de que na era onde a informação está ao alcance de todos nós deixamos passar muita coisa que seria vital para  a compreensão do próprio mundo onde vivemos.  E perecemos pela ignorância.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

os perigos da BR-040

          Uma coisa é você ouvir dizer. Outra é constatar ao vivo. A Br-040 justo os 90 kms do trecho entre Belo Horizonte e Conselheiro Lafaiete consiste em uma das estradas mais perigosas desse país. Não bastasse essa constatação é também o trecho percorrido com muita frequência pela minha família e muitos amigos e conhecidos queridos tanto em Lafaiete como em BH. 
        Nessas festas de final de ano , usando o trecho com frequência, constatei seus horrores que vão de curvas acentuadas a centenas de buracos sem falar da nefasta falta de sinalização e da imensa malta de caminhoneiros irresponsáveis que dirigem em alta velocidade caminhões de minério pressionando motoristas menos experientes inclusive na pista da direita. A boçalidade ao volante, as ultrapassagens irresponsáveis e as péssimas condições da estrada são inadmissíveis visto que a Br-040 liga a terceira capital do país ( BH) à segunda que é o Rio de Janeiro. Isso sem falar que é vital foco de escoamento da economia mineira com o minério de toda aquela região de Lafaiete, Itabirito, Congonhas do Campo, a cidade histórica destruída pela predação mineradora.
         Soube pelo meu cunhado que existem movimentos organizados ( em Lafaiete e região) que se organizam para pressionar o governo federal a dar um basta nesse escândalo mas parece que a presidente Dilma fugiu do último encontro sob aquele velho pretexto de apertada agenda presidencial. A Br-040 como está é uma vergonha. Conheço-a há três décadas e nunca a vi tão maltratada. Sequer a solução fácil que os governos costumam dar que é entregar suas estradas à iniciativa privada foi adotada. A medida não seria garantia de que o problema fosse resolvido além da cobrança imediata de pedágios extorsivos. Mas ao menos traria esperanças aqueles que amedrontados tem que passar nessa estrada matadora todos os dias. Surpresas como a foto acima (deslizamento na região de Itabirito) são comuns. Apenas mais uma no cotidiano perigoso de uma das estradas mais perigosas do país. Com o verão e as chuvas os perigos aumentam . E as autoridades observam sem nada fazer. Existem até um site bem razoável que monitora a Br-040 que não imagino quem seja o patrocinador. Remedia os perigos. Mas não os resolve. Clique aqui pra conhecer.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Dias melhores verão ???

       
     Esse ano a tragédia anunciada de todo verão, as chuvas que tudo detonam, me colocaram no olho de um furacãozinho ali na região da cidade de Conselheiro Lafaiete, interior de Minas ,às margens da Br-040 e do rio Bananeiras que inundou toda a cidade. Passei lá Natal e ano novo pois em Lafaiete mora minha irmã mais nova com a família. Ali já moraram meus pais e ali só vi crescer desorganização e caos, características de qualquer aglomerado urbano sem planejamento nesse Brasil varonil.
        É chover no molhado ( como diz o Gabeira em seu blog, Leia aqui)  falar do  problema com as chuvas que caem em janeiro e da repetição das tragédias anteriores, pela ausência do governo seja ele em que esfera for. As chuvas que caíram dia 2 em Lafaiete isolaram a cidade, causaram perdas não só ali mas em muitos outros municípios mineiros daquela região inclusive uma tragédia na rodoviária de Ouro Preto que matou uma pessoa. Todo ano esses tristes acontecimentos se repetem só mudando a localização geográfica. Ano passado foi Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, sul de Minas. Ano anterior Ilha Grande e Angra . E por aí vai. A geografia da desgraça, do desmando e da irresponsabilidade com o crescimento e desalojar famílias e matar gente. Enquanto os Pacs da vida continuam pensando em crescimento nada sustentável. É de se perguntar à guisa de trocadilho: " dias melhores verão ?".      

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