TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A POESIA PERFUMA ALGUMAS CONVERSAS





in memorian do meu amigo poeta Julio Saraiva

De nada adianta a poesia. Sequer anestesia aflições. Sequer oferece respostas. Sequer honra as apostas daqueles que nela apostaram. A poesia, prática extemporânea, luz de lampião a gás, máquina de telex, ficha de telefone, é uma alma antiga que vaga aflita , perdida entre as modernidades. 
  Nessa bacia das almas das artes ninguém dá um dólar furado por ela muito embora pegue bem citar alguns poetas. A poesia perfuma algumas conversas . Dá a elas a vaga sensação de erudição, de desprendimento, de uma cultura secular que ninguém mais tem. Mas de nada adianta a poesia na avalanche de adjetivações, nas enxurradas de verão onde as crianças morrem dormindo ou mesmo entre as balas perdidas dos assaltos citadinos. 
A poesia virou artigo em desuso, unguento difuso que não mais aplaca males  do espírito. Não sou um descrente da poesia mas me interrogo repetidamente sobre o seu uso hoje em dia  quando qualquer impressão sensorial de celebridade ou qualquer espasmo de discurso amoroso vira poesia.  "Se a poesia não auxilia há a enxada", escrevi eu mesmo uma vez tentando  desqualificar a necessidade dos versos. Continuo achando que muitos deles são belos, mas a arte de versejar já não tem o menor valor assim como pouco valor os verdadeiros poetas.
Domingo último ajudei a sepultar um amigo poeta. Um ser que viveu derramado, afogado nas suas próprias contradições que eram, obviamente, poéticas. Viveu poeticamente ao pé da letra. Inclusive decorando letras de sambas lindos. Próximo do erudito com sua alma popular. Mas não ficou nada popular. Um grande poeta que morreu desconhecido para azar daqueles que não conheceram seus belos versos . Era um tipo que não cabia nesse tempo, nesse espaço, nesse lugar nosso espremido entre shoppings e interações só de ordem virtual. Foi-se o poeta que não saia nos suplementos literários, nem era convidado aos talk-shows e Flips da vida. Sua morte é a própria constatação de que a poesia nada adianta. Se tivesse feito anúncios para vender margarina  e ganho uns leões em Cannes seria muito mais lembrado. Mas era apenas um poeta que bebia e que fumava e que foi sepultado sob a terra roxa do cemitério da Vila Formosa, zona leste de São Paulo.
    Sobre seu túmulo um vaso de margaridas, lemnbrança de uma amiza zelosa. Eu prezo a poesia dele de tal forma que se for para ele ser desconsiderada acho melhor que permaneça desconhecida.  
    

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Aécio Neves, patético candidato

Aécio Neves,o  "grande defensor" da liberdade de imprensa pega carona em Yoani,blogueira superstar.
      
     Nem vou falar da nova máscara facial de Aécio Neves que simplesmente é uma extensão da sua prática e discurso político. Se ele acha bacana ser literalmente plastificado é questão de foro íntimo. Também não vou falar da estratégia tucana de antecipar em dois anos a questão sucessória lançando a campo seu fantoche ex-baby face porque é chover no molhado. Quando eles antecipam é porque é republicano, é porque é salutar para a prática democrática. Estão dissimulando que talvez façam uma prévia para escolher seu candidato a presidente, fingem não estar muito atentos ao assunto mas já colocaram com tudo o bloco Aecinho na rua . Com nova fina estampa e tudo mais. Aecinho disse que depois do carnaval ia botar pra quebrar. Do jeito almofadinha dele está quebrando tudo mesmo. Ui, que medo.
    Não se desqualifica um tucano de boa cepa impunemente. Você será sempre rotulado por seus pares, os moços sérios da mídia, como moleque, leviano, pueril. Não se desqualifica um tucano sem tomar um rótulo na testa simplesmente porque o Fla- Flu político está sendo jogado faz tempo. Se você critica tucano você é petista. Se você critica petista você é tucano. Estou ciente meu caro cliente mas não estou aqui a desqualificar Aecinho o provecto e sim a rir dele.
    A estratégia do pessoal do marketing dele foi  colocar hoje o almofadão na tribuna do Senado a esgrimir estocadinhas malandrecas  contra os 10 anos do PT no poder no que foi ajudado por patéticos satélites como o amoral Cássio Cunha Lima que tem pendengas muitas com a justiça. Mas é isso aí. Estratégia de defesa e ataque.  Tolinha mas os marqueteiros a julgam eficaz. Ao mesmo tempo , estreando em público seu novo e plastificado layout, o Aecinho foi ao beija-mão da blogueira cubana Yoani Sanchéz, transformada em mártir da democracia continental pela conveniência da mídia e da oposição que lhe deu status de chefe de estado. Algo quase tão risível quanto a Colômbia receber com tapete vermelho o blogueiro brazuca Reinaldo Azevedo por fazer oposição ao governo Dilma com quem a soberania colombiana não é exatamente alinhada.
    Evidente que aqui devem se resguardar as proporções e não estou nem um pouco interessado em entrar nesse debate estéril se a tal Yoani é vilã ou mocinha. Só acho mesmo uma blogueira muito da fraquinha mas que tem sim todo o direito de se manifestar contra o governo do seu país. No mais é carnaval para oposição se lambuzar e os oportunistas como Aecinho não iam perder uma chance como essa ainda mais no dia em que subiu também à tribuna do enxovalhado Senado para criticar os petistas.
    Aecinho se colocou com veemência a favor do direito de livre expressão da cubana. Virou um cruzado da liberdade de expressão que ele nunca respeitou enquanto governou (???) Minas  e mesmo no Senado. Todo mundo sabe que ele tem em comum com José Serra o hábito de pedir a cabeça de jornalistas que não lhe sejam simpáticos. Esse é o Aecinho democrático. Com um traste como esse se credenciando a ser líder da oposição brasileira poderíamos imaginar que o governo não tem com que se preocupar. Cuidado. Não subestimemos o poder de fogo de um pré-primário candidato que tem a seu lado todas as corporações midiáticas. E a imaginar que todos nós, modestos blogueiros, tenhamos um dia a importância que a nossa mídia deu a Yoani vamos aqui em nossas modestas trincheiras continuar alfinetando as fraudes plastificadas como Aecinho, um jovem político que já nasceu provecto. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

PEDRO PÁRAMO E A QUARTA DE CINZAS

Pedro Páramo, edição de 1986 da Paz e Terra. Tradução Eliane Zagury
     Mote dos mais recorrentes é associar a quarta de cinzas com renascimento, recomeço, ressaca moral,início de um novo ciclo e demais derivações sobre o mesmo tema. Ressurreição é outro mote. Daí,pouco original que sou, ligo essa quarta com o livro que terminei de ler agora e acho que eles combinam.
   Estou falando do ultra-festejado, aclamado, paparicado e valorizado Pedro Páramo do falecido escritor mexicano Juan Rulfo uma pepita literária escrita há 60 anos que veio a público em 1955 e arrebatou leitores e mentes mundo afora mesmo que hoje Rulfo seja pouco lembrado (morreu em 1986) e seja muito chic citar o autor em tediosas rodinhas literárias. Ele é um dos muitos que é muito citado e pouco lido.
    Comprei o livro em 15 de março de 1986 nessa edição aí acima da Paz e Terra com tradução de Eliane Zagury. Muitas vezes iniciei a leitura dele e muitas vezes parei por motivos que sinceramente não sei explicar. É um daqueles clássicos fundamentais que a gente acaba adiando e assim passam os anos. Fui até a metade do pequeno romance (ou novela se vocês preferirem) várias vezes e já tinha até familiaridade com o tal Pedro Páramo (um pai de todos num México desértico, infértil e onde a morte a vida se mesclam) e com seu filho Juan Preciado além da mítica cidade de Comala. Mas nunca soube onde a história ia dar. E nem quis saber para não prejudicar minha intenção de um dia concluir a leitura. 
    Pois eis que revolvendo volumes na sempre ingrata missão de organizar minha caótica biblioteca esbarro de novo em Pedro Páramo e dou por acabada a missão nessa quarta-feira de cinzas de 2013. A missão da leitura acabou mas a impressão que fica é que de fato Pedro Páramo é uma obra inacabada e merece cada centímetro da enorme fama que tem. Principalmente se formos levar em conta que veio à luz há quase 60 anos quando pouco se falava em literatura fantástica. É um livro que encantou e influenciou Garcia Márquez, deslumbrou o mui exigente Borges que dele disse : " Desde o momento em que o narrador ,que procura por Pedro Páramo, seu pai,cruza com um desconhecido que declara serem eles irmãos e que todos no povoado se chamam Páramo, o leitor sabe que entrou em um texto fantástico, cujas indefinidas ramificações  não lhe é dado prever,mas cuja gravitação já o captura(...) Pedro Páramo é um dos melhores romances das literaturas de língua hispânica , e mesmo da literatura".
    A obra é inacabada porque deixa tantas rotas de fuga para o leitor que o quebra-cabeças que propõe no próprio enredo permanece ao seu final. E combina com a quarta - feira de cinzas. Pois assim como a ressaca dessa festa de carnaval onde muitas vezes as pessoas repetem procedimentos que remontam às suas infâncias e adolescências, o enredo de Pedro Páramo parece nos lembrar um bom , velho e esquecido cão que sempre volta para morder o próprio rabo. Ou seja quarta - feira de cinzas e a cidade imaginária de Comala pertencem ao território do real ou do imaginário ? da vida que está se vivendo, está por se viver ou já foi vivida ? Somos pó ou viraremos pó ? somos o bagaço, nosso sumo ou apenas ossos que pulam ? A leitura de Pedro Páramo requer atenção e pouca dispersão. Pode parecer difícil mas não é . E lhes garanto que ao final vocês sentirão a sensação de uma quarta- feira de cinzas. Pra mim foi feliz coincidência ter acabado a leitura desse livro justo nessa data.
Juan Rulfo (1917-1986)
ps.Já entro naquela fase da vida onde os acontecimentos precisos  se misturam aos imprecisos. Mas me lembro "imperfeitamente" que no ano de 1982 (??? uma dúvida é se foi 1982 mesmo) me encontrei com um triste, sisudo , pouco simpático e circunspecto Juan Rulfo ao final de uma palestra no recém-inaugurado Centro Cultural São Paulo. Fiz uma pequena entrevista com ele , não me lembro de publicada pela revista Manchete. Só sei que lembro , agora perfeitamente, da estampa sisuda daquele homem paciencioso em atender um jovem repórter quase ignorante  sobre a sua obra . Um então jovem repórter que agora velho repórter acha normal aquele cavalheiro de triste figura ter concebido um universo tão rico e empoeirado como existe em Pedro Páramo. Como é bom viver para contar.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Fawcett, Henderson e as nossas sombras

    


   As filosofias,de botequim ou não, sempre nos dão conta da eterna busca do homem atrás de si mesmo. Muita teoria de academia já foi produzida nesse mundão de meu Deus e muito dela as vezes não dá conta de deixar claro o que os livros não acadêmicos podem fazer com mais eficácia.
     Eu mesmo que vivo correndo atrás das minhas sombras confesso que por vezes tenho dificuldade em achar publicações que expressem com nitidez essa busca dos homens (e mulheres) atrás de si mesmos. Não vou nem me ater à lamentável literatura de auto-ajuda, esse desvio de caráter da palavra que engana tantos corações e mentes. Vou falar de outra seara, algo do tipo o clássico " O Estrangeiro" de Albert Camus. Esse soube como poucos manifestar esse tal estranhamento do homem diante de si mesmo. E num livro curto e grosso.
    Eis que do final do ano passado para o comecinho deste dei de cara com dois livros (um de ficção outro de não ficção) que me deram em doses elevadas aquilo que inconscientemente procuro. Por motivos e caminhos distintos me encontrei com dois livros perturbadores que retratam bem os caminhos e descaminhos de homens atrás de si mesmos.
   Um desses homens é "Henderson,o Deus da Chuva" que é o nome de um notável livro de Saul Bellow. O Henderson do título é um tipo apaixonante,espremido sempre entre a escrotidão e a generosidade.
 Um paradoxo ambulante que literalmente se perde numa África profunda e remota atrás de um eixo para a sua vida que avança tempestuosa entre os dilemas da meia idade. Ele é capaz de gestos admiráveis e repugnantes. Ele parece estar pouco se lixando para o resto da humanidade ao mesmo tempo que se preocupa por ter magoado muitas pessoas. Um tipo sem a menor coerência como deveriam ser todos os artistas nesse mundo certinho, engavetado em prateleiras do politicamente correto. Henderson é ficção muito da bem feita mas tem semelhanças incríveis com um personagem real retratado de maneira competente por David Grann em "Z A cidade perdida".
    O protagonista de "Z" é o lendário coronel Fawcett desaparecido nos idos de 1925 em algum grotão entre Barra do Garças (MT) e o atual Parque do Xingu, ou quiçá, quem sabe ali nas cercanias da Serra do Cachimbo no Pará. É um personagem que já inspirou muita gente que escreveu e procurou por ele em frustradas expedições e que poderá ser retratado no cinema pelo galã Brad Pitt que comprou os direitos de "Z". 
     Fawcett como Henderson, o Deus da Chuva, vivia a procura não apenas de Z, a cidade perdida, ou de mundos subterrâneos e civilizações extintas. Fawcett corria atrás de si e o fez parece que com maior força na crise da meia idade como faz crer o relato de Grann. O coronel de fina cepa inglesa sumiu com um filho e o amigo deste quando tinha 58 anos de idade.
     Estive bordejando no fim de dezembro e começo de janeiro um pedacinho dessa região belíssima e ainda não inteiramente devastada por soja e gado onde Fawcett sumiu. Confesso que senti como poderosíssima  a energia da região e mais não falo. Ali as montanhas te submergem e fica mais clara a impressão densa , espessa que fez talhar o sangue de Fawcett e Henderson. Como acharmos a nós mesmos independente da faixa etária ? Pelo sim , pelo não, eu cavalgo a interrogação até porque navego também nas corredeiras da meia idade. Meio Henderson, meio Fawcett em busca de minha "Z" particular.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

PRAÇAS DE ALIMENTAÇÃO CHEIRAM MAL

     

   Triste constatação.Cheiram mal as praças de alimentação. De todos os shoppings que,aliás, parecem ser todos iguais independente do endereço. Viu um, viu todos. Aquelas luzes frias, aqueles seguranças circunspectos,abobalhados e robotizados que muitas vezes sequer sabem onde estão. Aquelas crianças correndo a procura de vitrines, aqueles pais e mães que passam a semana trabalhando e vão curtir um lazer de sábado e domingo nos tétricos shoppings centers.
  Mas não estou aqui para fazer apologia anti-shopping.Ou estou ? se estou é ingenuidade de minha parte visto que eles são cada vez mais fatos consumados. São Paulo é a terra deles. Tristes gigantes de cimento a enfeiar esquinas e degradar o entorno engolindo o comércio local, transformando toda a realidade num quase virtual espaço cosmético onde não entra pobre, não entra ar (a não ser o condicionado) não entra a vida como ela é e sim a vida como o mercado impõe. Consumo e sonhos, consumo e frustração, apologia para estourar todos os cartões de crédito. Apelo a que compremos itens dos quais não precisamos.
     Já repararam que hoje em dia qualquer cidade média (ou mesmo de pequena pra média) mede seu índice de progresso e desenvolvimento por shoppings ? cidade legal é cidade que tem shopping. É como um certificado ISO 9000 de civilidade. Recentemente,em viagem rodoviária de fim de ano, passei por Três Lagoas, cidade média do sul mato-grossense,cuja mídia lamentava o adiamento do primeiro shopping center da cidade. Isso era motivo de vergonha geral.
     Mas já que visitamos o conceito de shoppings vamos aos cardápios amassados das suas praças de comida. Alimentação como convencionaram chamar. Geralmente lotadas em dias de intenso movimento. Geralmente iluminadas de maneira dúbia para que o freguês não veja a qualidade do "produto" que está prestes a deglutir. Mas o pior é o cheiro. Aquele estranho odor de geladeira aberta onde residem legumes e outros itens de prazo de validade vencida. Coabitando o mesmo "buquê" fétido você sente tons de comida requentada, comida esquentada em forno de microondas, comida nada saudável que pulula entre mesas espremidas umas contra as outras servindo seres que falam alto, babam em seus celulares e esperam dias melhores sempre. Evidente que a felicidade para a maioria deles é comer num fast food dentro de uma praça de alimentação de shopping. Bizarro conceito de felicidade refrigerada. Me incluam fora dessa.
     
  

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

AMIGOS À DERIVA


           Há amigos que estão à deriva e o que posso lhes dizer além de "resistam ?". Resistam pois o mundo é osso e não cabe mais entre nós sequer o lirismo comedido. Não, não acusem tristeza pois ela será vista como sinal de fraqueza, até torpeza. Não,não rimem em prosa pois senão vem glosa. Os almofadinhas da gramática adoram aplicar regras engessadas e redigir manuais de redação. Justo na época em que mais se escreve mal.
   Há amigos que estão à deriva fumando muito,bebendo demais,ouvindo vozes que dão péssimos conselhos.Alguns sabem que estão morrendo aos poucos mas poucos se importam.Afinal estão à deriva. O problema  é que não há boias lançadas ao oceano e as metáforas todas gangrenaram expostas a todas as hemorragias do bom gosto. O mau gosto triunfa. No rádio,no cinema nacional,na tv. Desista da arte pela arte pois o mercado quer sua parte. E ela não é pequena.Pouco vale a pena. E não há como se segurar num cinturão de asteroides porque estão loteando até o espaço.
     Há amigos que estão à deriva não porque não tenham concretizado seus sonhos mas porque não há mais sonhos para sonhar. A uma certa altura reinventar o lúdico é uma missão difícil. E há amigos que desistem fácil. Há amigos que estão à deriva porque tiveram que mascar suas próprias convicções e morderam as línguas e deixaram a alegria  sem lugar nas poltronas  de suas salas. Esses amigos não querem mais escalda-pés ou massagens relaxantes. Querem pelo menos uma única noite  de sono bem dormido, sem sobressalto, sem vigílias apavorantes, sem fantasmas do passado.
     Há amigos que estão à deriva porque não se perdoam e nem sabem perdoar. Entram em qualquer trem para qualquer lugar  e tanto faz se estão no corredor ou na janelinha. Só querem é abrir passagem para dentro de si mesmos. Eles tem olheiras, tem grandes bolsas sob os olhos. As casas em que moram estão em completo desleixo, precisam de uma mão de tinta. Esses amigos precisam de várias mãos. Mas mesmo que eu ou outros as estendam eles não querem segurar. Preferem lentamente deslisar para o abismo perdendo inclusive o gosto e o prazer de contemplar a derradeira paisagem enquanto caem.
   Os meus amigos que estão à deriva certas noites sentem medo e sentem frio. Calafrios. Em outras noites esquentam. São mormacentas tormentas. Eles não tem temperatura média e não conseguimos tomar de verdade as suas pulsações. À deriva como pedaços de papel em um lago escuro. Sequer borbulham. Isso posto em que aposto leitores ? nos credores do alheio? nas bolas que jamais voltaram do escanteio ? Não sei mesmo. Só sei que é muito triste estar a esmo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

COLÔMBIA :DE NOVO URIBE A ANTÍTESE DA PAZ





    Quem não o conhece que o compre como se vende . Estou falando do ex-presidente colombiano Alvaro Uribe (que governou seu país de 2002-2010) e que  lançou  ontem o movimento político "Centro Democrático" com o objetivo de disputar as eleições presidenciais e legislativas de 2014, em um ato realizado na cidade de Santa Marta, 950 km ao norte de Bogotá. A notícia chega via  AFP , reproduzida pela revista digital DOM TOTAL.( CLIQUE AQUI)
    Disse Uribe  que  "não somos esquerda nem direita, somos uma expressão democrática de centro que acredita firmemente no equilíbrio entre a segurança e a justiça a partir das instituições do estado de direito", afirma. De novo é balela . Uribe não é equilíbrio. É radicalização constante à direita, um extremista que foi alinhado incondicionalmente a George Bush enquanto ele foi o mandatário americano. Uribe, que governou durante dois mandatos consecutivos graças a uma polêmica reforma constitucional, centrou sua administração no combate às guerrilhas, especialmente às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ganhou as eleições em cima de um discurso belicoso que convenceu a opinião pública conservadora com amplo apoio da mídia da Colômbia. Venceu. Até porque o voto na Colômbia não é obrigatório e o índice de abstenção altíssimo. Uribe foi eleito por uma minoria mas falava e fala nos fóruns internacionais como se fosse unanimidade em seu país. 
     Visitei várias vezes a Colômbia a trabalho . Justamente no período em que ele a governava. Por mais que disfarçassem o aparato de segurança era tão ostensivo que parecia haver um estado de guerra e tensão constante no ar. Uribe tensiona, não flexiona. Não levou adiante os diálogos de paz com as FARC como fez seu antecessor Andrés Pastrana . E agora critica abertamente o atual presidente Juan Manuel Santos  ( que foi seu candidato) por ter começado negociações de paz iniciadas em novembro de 2012 com as Farc em Cuba.
    Se as Farc é um extremo Uribe é o outro. Intransigente, arrogante, pretensioso e militarista o ex-presidente muitas vezes é apontado como fascista e não foram poucas os panfletos que o pintavam com o bigode de Hitler pelas ruas colombianas. Muitas vezes achei até exageradas as críticas contundentes que se faziam a ele . Até que vi, soube e li como funcionam os seus métodos. Uribe é perigoso. Com ele a Colômbia nunca vai caminhar para a paz. Desde já desejo que seu novo empreendimento político redunde em fracasso. Mas acho difícil que isso aconteça.

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