TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

GANDHI, ETERNA FALTA



       Ontem fez 66 anos  que  (no  dia 30 de janeiro de 1948)  o líder pacifista Mahatma Gandhi foi assassinado  aos 78 anos de idade. Nesse mundo conturbado de notícias violentas e desagregação total de valores humanitários em nome de um pragmatismo global Gandhi faz ainda mais falta com seu princípio da não-agressão como um meio de revolução.  Há um enorme vácuo de líderes que preencham esse espaço a ponto de meros flertes com uma igreja mais humana estarem transformando o papa Francisco num ícone pop que ganha até a capa da Rolling Stone. Gandhi inspirou Nelson Mandela e Martin Luther King na luta pela pela paz e deveria inspirar muitos mais , aqueles que olham com intolerável complacência o que acontece na Síria ou na África todos os dias. Einstein,  que também faz eterna falta entre nós, disse uma vez sobre  Gandhi : “As gerações por vir terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra”. Pode até ser difícil crer hoje em dia que um homem como esses existiu e caminhou sobre nós. Mas eu ainda prefiro crer que ele foi um ser humano e não um extraterrestre. Prefiro continuar crendo que a humanidade ainda há de parir novos Gandhis para nos salvar da extinção inevitável caso não corrijamos o ritmo dos nossos tristes passos.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

AINDA DE NAMORO COM A COMUNICAÇÃO PÚBLICA

 
    Estou de volta à comunicação pública mas se for pensar melhor acho que dela pouco sai desde que no começo de 1988 entrei para a Tv Cultura de São Paulo para tomar parte do grupo que inventou o programa “Metrópolis” do qual fui o primeiro apresentador.
    Não é necessário aqui alinhavar quantas são as diferenças entre a comunicação pública e a privada e a má vontade que a mídia em geral tem com a primeira. Basta ver a pauta de televisão que a “grande mídia” considera relevante, sempre eivada dos engasgos criativos dos diretores globais e seu exército de péssimos atores e atrizes transformados em celebridades. A Globo pauta a mídia televisiva e os “colunistas” e isso é mais do óbvio. Tão óbvio quanto dizer que a mídia que cobre televisão não se importa muito ( quase nada) com a comunicação pública preferindo taxá-la de “chapa branca” , “audiência zero” ao invés de se debruçar sobre a grade de programação dos canais não comerciais e aí pinçar, eu garanto, conteúdos muito melhores do que o ofertado pela comunicação privada.
   Para os que “cobrem” televisão é como se a TV pública não existisse, como se ao possuírem audiências baixas ninguém estivesse vendo o que produzem. O que não é verdade. A TV pública brasileira se não se constitui um modelo de excelência está longe de ser péssima como querem fazer crer os ignorantes que não a assistem mas que não se constrangem em dizer que ela é ruim.
   Eu acredito na tal “missão” da TV e da comunicação pública que é levar conteúdo de excelência a quem não pode ter acesso a TV a cabo ou está se fartando desse modelo hediondo da TV comercial pautado em novelas ruins, jornalismo pasteurizado ou encharcado de sangue, violência no atacado e varejo e culto a celebridades inócuas.
   A TV comercial aberta nunca foi tão ruim quanto é hoje e nem assim a mídia que cobre TV parece disposta a dar mais espaço ao que fazem as emissoras públicas de todo o país que , quando entram em pauta, é só se fazer especulações políticas sobre as suas políticas e nunca para avaliar para o que de fato estão ofertando. E olha que não falo apenas dos conteúdos veiculados pela Tv Cultura de São Paulo ou da TV Brasil mas também do que é feito pela Rede Minas, TVE da Bahia , Tv Aperipê de Sergipe, TVE do Rio Grande do Sul, Tv Antares do Piauí e por aí adiante.
   Colocaram a pecha de que TV pública é Tv chata quando não Tv chapa branca, do governo e demais variações do tema. Quem assim rotula , na maioria , é do time do “nunca vi mas não gostei”. Basta ver o simplismo de alguns “articulistas” ( na verdade meros mexeriqueiros) que se referem a Tv Cultura de São Paulo como “a Tv dos tucanos” e a Tv Brasil como “a Tv do PT”. Só isso revela o tamanho da ignorância a respeito sobretudo pela enorme confusão que ajudam a difundir não explicando as grandes diferenças que existem entre os conceitos de Tv pública e Tv estatal.
   Mas essa é uma prosa que eu já desisti de debater porque os argumentos contrários são cegos e estão partidarizados. Só posso lhes garantir que eles estão nublados pelos preconceitos. Por outro lado algumas emissoras públicas , talvez intimidadas pelo não reconhecimento se recolhem a fórmulas prontas e deixam de investir na ousadia e na renovação de formatos repetindo fórmulas já gastas da TV comercial se esquecendo de um passado glorioso quando saltavam à frente na experimentação de novas linguagens como bem ilustram ( só para ficar no caso da Tv Cultura de Sp) os programas “Vitrine”, “Zoom”, “Fábrica do Som”, “Vitória”, “Roda Viva” e o já citado “Metrópolis”.
   Eu continuo a acreditar na comunicação pública de qualidade, em uma TV pública presente em todo território nacional difundindo linguagens de tons diversos, sotaques distintos do eixo Leblon- Jardins . Creio no modelo de negócio que seja menos negócio e mais atenção ao telespectador. Que não o subestime e não creia que ele é um descerebrado que não come biscoito fino. Ou, ainda acredito, num modelo de comunicação pública que use inclusive dos signos da comunicação popular com conteúdo educativo sem ser refém dos “pedagogismos” acadêmicos que tanto solapam os debates sobre comunicação pública. Por que não um “Datena do bem” ? , um Marcelo Rezende que não viva só dos sensacionalismos baratos ?.
   Os gestores da comunicação pública brasileira tem uma responsabilidade imensa. A de atrair um público cansado da mesmice para a sua causa. E isso é ainda mais difícil nessa época de internet turbinada e aplicativos de toda ordem. Sem falar do Youtube e congêneres. Se pensarmos que estaremos agregando e não concorrendo será mais fácil . Se nos apegarmos ao que deu certo na TV comercial e adaptarmos à realidade da TV pública eu boto fé no futuro. Sem preconceito nas também sem “babação” ao padrão global. Me incomoda em rodas de discussão de comunicação pública citarem a Globo como padrão a ser seguido sem levar em conta a situação, época e contexto em que foi erguida e consolidada com um deslumbramento que coloca num panteão ex- dirigentes globais como Boni, Walter Clark e Daniel Filho. A competência deles foi inegável mas não serve de parâmetro para a TV pública que ainda está na pré-história de sua identidade.
   Talvez hoje a TV Globo e suas imitadoras ( limitadoras ?) tenham mais a aprender do que imaginam e como vimos recentemente quando foi surrada na praça de Recife e Pernambuco quando a Tv Brasil resolveu exibir os jogos da série C do Campeonato Brasileiro do qual a Globo ficou fora. Exceção ? Sim , com certeza. Mas exceções podem ser regras sobretudo quando prova que nem sempre o padrão global é infalível.
   Confundida apenas como “chapa branca” pela evidente má-fé de muitos que refletem sobre o tema a comunicação pública, sobretudo a TV, tem que ser uma rebelde com causa e não uma criança acuada pelos gigantes do deus -mercado. Por tudo isso e apesar das muitas dificuldades eu ainda creio muito na comunicação pública onde direta e indiretamente estou há 26 dos meus 37 anos como profissional do ramo.

Ricardo Soares


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

PROFANAÇÃO


                                         Dentro do dia solar
                                         os cãezinhos
                                         ladram rastaqueras
                                         e um sino de igreja chama pra missa

                                         os cãezinhos entram na igreja
                                         em busca de cerveja

                                         não entendem que o padre só bebe o vinho
                                         do vizinho  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

BOM DIA VELHO

             Bom dia velho. Você, por um acaso, não chegou a envelhecer mas envelhece dentro de mim que mergulho forte na "envelhescência".Minhas referências tem mudado com os tempos nublados. Mas hoje, por exemplo, faz sol ou imagino que faça pois assim quero ao olhar o céu de Brasília.
       De pronto, sei lá o motivo, hoje perdi o sono desde muito cedo e lembrei de você que não chegou a envelhecer e que gostava de beber muito café como eu plantado agora diante de um caderno a lhe escrever. Tantas cartas aos pais foram escritas desde que o mundo é mundo e,dia desses ainda, vi minha companheira a se deleitar com a grande carta que Kafka escreveu a seu pai expurgando a relação entre eles por todos os poros.
     Bom dia velho. Na verdade resolvo te escrever essa manhã não necessariamente pela saudade que sinto mas porque assim brotou, simplesmente. Fico curioso em saber como é que você mensuraria esse mundo novo e nem tão admirável onde as pessoas se plugam em telefones e computadores e se desligam do entorno.E o entorno está entornando meu velho. Por isso mesmo por mais que eu possa demonstrar uma aparente fortaleza diante de mim mesmo ou dos meus demandados muitas vezes eu desmorono por dentro. Me sinto orfão de mim mesmo quando olho pra trás e já não vejo aquele menino cheio de esperança.
    Sabe velho,o mundo é pragmático e seu neto, hoje em San Francisco, sabe disso. Não se parece comigo e nem tampouco com você. Mas é um homem de bem, veja bem. 
   Os aeroportos fervilham aqui em ano de copa do mundo. As pessoas acordam para pagar contas e o país tem um trânsito de apocalipse nesse planeta cheio de carros. Nessa manhã estou estacionado com um caderno apoiado sobre a barriga escrevendo "bom dia velho". A sensação que me acompanha após tomar café com ovo frito é que de certa forma muitas coisas estariam mais fáceis se eu pudesse apenas sentir o calor do seu abraço. O mesmo daquela noite quando prestes à sua partida você sussurrou ao meu ouvido : "Filho, estou ficando velho". Não pai, você não estava ficando velho.Nem deu tempo de você envelhecer. Você estava apenas partindo. Eu aqui, que vou indo, nem quero conjecturar sobre esses mistérios da vida.Só quero te dizer na verdade : "Bom dia meu velho".

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

FERNANDO SODRÉ NO SESC POMPÉIA

   

   Ano passado quando conheci através do Marco Lacerda, velho companheiro da lida jornalística, o trabalho do artista  Fernando Sodré tomei um susto. O caboclo violeiro é bom com força . Traz novas nuances ao instrumento com o perdão do meu lugar comum. Ele já é um colecionador de prêmios como instrumentista e  considerado uma das mais importantes vozes da tradicional viola brasileira no mundo. Está se destacando pela técnica e originalidade como pode se ver nessa interpretação de "Ponteio". Aos 35 anos, já dividiu palcos com músicos como Hamilton de Holanda, Toninho Horta, Almir Sater, Roberto Correa, Juarez Moreira, entre outros, e lança seu terceiro álbum solo, cujo título, "Viola de Ponta Cabeça". Vai estar no domingo, 26, lá no Sesc Pompéia e eu não me constranjo em recomendar.  Mais que o tal clássico "viola enluarada" a viola do Fernando é por demais ensolarada. Não percam. É dia 26 , sete da noite. Confiram...

sábado, 11 de janeiro de 2014

a poesia


Eu num sofá barato, 
ela num pufe

eu com sono, 
ela acordando

meu braço adormece
o dela está saltando

eu querendo escondê-la
ela sempre se assanhando

eu, enfim, sempre fugindo
e ela eternamente me acompanhando...


                                                                 ***

Ricardo Soares  31.12.2013

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

MEDI BULHUFAS



Braço dado
me agravo com meu destino
afinal, onde me levou o desatino ?

Pilhei pilhérias
medrei galhofas
medi bulhufas
não poupei patavinas
desprezei as sensações sovinas

Na cidade sem esquinas 
derreti parafinas
sempre preferi
os climas quentes
às contemplações bovinas


                                                                 ***

Ricardo Soares   31.12.2013  - Brasília

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

o futuro joga duro





um céu que se abre em Brasília
uma ceia na qual se recorda a família
um poema sujo de manteiga sobre a pia
uma inverdade na qual ninguém se fia
um canhão apontado para o futuro

Sim, senhoras e senhores,
o futuro às vezes joga muito duro



                                                              ***


Ricardo Soares

31.12.2013

Meus livros

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CINEVERTIGEM

O BRASIL É FEITO POR NÓS ?

VALENTÃO

FRANGUINHO SEBASTIÃO

DIA DE SUBMARINO

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DIA DE SUBMARINO

FALTA DE AR

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