TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

domingo, 14 de dezembro de 2014

A DESMEMÓRIA E A RUA COSME VELHO 18



   Fuçando velhos alfarrábios, recortes , jornais antigos, tentando arrumar a desordem interna e externa nesse fim de ano dou de cara com um achado. Uma reportagem brilhantemente escrita por Francisco de Assis Barbosa com o título "Rua Cosme Velho 18",endereço da casa em que Machado de Assis viveu seus últimos 24 anos de vida no Rio de Janeiro ( morreu em 1908) e escreveu a maior parte de sua obra, inclusive o antológico Memórias Póstumas de Brás Cubas .
  Esse texto publicado no suplemento "Cultura" do Estadão em 1989 ,cuja capa fotografei a partir dos meus achados, além do primor que embute nos convida a uma singela reflexão. Aliás, já me fiz essa pergunta muitas vezes : por que diabos deixaram demolir a casa de Machado ? por que teimamos em não ter memória significativa de nada ? Considero isso ainda mais triste quando se compara ao que os franceses fizeram com a casa de Balzac em Passy, Paris , que só conheci em maio desse ano... ela está intacta e serve não apenas de museu vivo da história do escritor francês , discutindo sua vida e obra, recebendo centenas de estudantes e pesquisadores o ano todo. Também se mantem intactos todos os aposentos da casa inclusive o quarto onde Balzac trabalhava como você pode ver o extasiado autor desse post apreciar logo abaixo. Uma pena que aqui não fizemos o mesmo com a memória do nosso maior escritor.Sempre que passei na rua Cosme Velho me dava conta disso. Mas até hoje não tinha visto inclusive a formosura que era o casarão. Não conhecia a foto dele.Redundante e desnecessário lamentar mais uma vez a nossa desmemória.
Diante da mesa de Balzac,vendo aquilo que não fazemos em foto de Patrícia Gonçalves

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

DE CERTEZAS E INCERTEZAS

      É estranho mesmo essa gente que tem certeza. Mas será que você acha mesmo estranho essa gente que tem certeza ? ou será que a certeza deles lhe causa incerteza ? Ter certeza sempre não é algo muito definitivo, inflexível, amordaçado ? não é algo que te deixa sem margem de manobra ? não é de uma comodidade severa que se permite apenas navegar num único rio ? 
    Por outro lado a incerteza sempre não é algo que confunde ? não é algo que se assemelha a um caleidoscópio avassalador ? não é algo que te deixa dentro de um barco pequeno num mar raivoso, suas convicções sempre sendo jogadas pra tudo que é lado ? A incerteza não é um turbilhão ?
    Agora, mormaço extemporâneo, olho a palma da minha mão. Lá estão as certezas e as incertezas . Caminhos muitos na linha da vida. Tem hora que a certeza é percebida. Mas logo, fugaz, está de saída. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A COZINHA E A TV PÚBLICA

      

    Não vou falar de um programa de culinária na tv pública como o título do post pode erroneamente indicar muito embora ache que tem o maior espaço para programas desse gênero nas tvs públicas do país. O que vou fazer é o paralelo entre o trabalho culinário, o de cozinheiro mesmo, não dessas frescuras de "chefs" , e o trabalho árduo de levantar, pensar, criar e por no ar um programa de televisão pública no Brasil . Me explico melhor abaixo.
    A tv pública brasileira ( por motivos muitos, pelo histórico, pela nossa índole) não tem níveis significativos de audiência e eles vem caindono decorrer dos anos. Água entre os dedos, ninguém explica de forma convicta essa perda dos já minguados telespectadores. Talvez seja o medo da experimentação, talvez sejam os equivocados modelos de produção, talvez seja o excesso de burocratismo, talvez seja o oficialismo, talvez seja tudo isso junto.
   O paralelo que na verdade quero fazer é o seguinte : mesmo que um gestor , um realizador, um produtor consigam levar adiante e colocar um ótimo programa na tv pública brasileira o resultado diante do público é pífio, é irrisório, passa batido. Passei , de novo, por experiências muito recentes que me fazem ter a certeza disso. Daí a comparação inevitável com uma cozinha : como se o cozinheiro passasse um dia inteiro ou mais preparando um vigoroso e delicioso prato e quando ele fosse servido passasse em branco diante dos comensais. Fazer programas legais numa tv pública é como discursar pra um plenário vazio, servir um quitute à mesa para pessoas sem paladar nem olfato. Não é uma queixa é uma constatação que não atinge apenas o público mas a tal "crítica" televisiva se é que podemos chamar assim a meia dúzia de colunistas fracos mais afeitos às estripulias de alcova de atores e atrizes ruins do que com a relevância dos debates em torno da televisão. Não se preocupam direito com assuntos relevantes à tv comercial o que dirá da pública.
   Assim sendo prezado produtor não nos iludamos. Sem a reversão dessa lógica perversa colocar no ar uma bela produção numa tv pública é fazer o papel daquele evangelizador que prega na Praça da Sé para meia dúzia de estátuas defecadas pelos pombos...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

TOM JOBIM E AS PESSOAS QUE NÃO DEVIAM MORRER

      

   Madrugada  passada no zapping, exercício praticado por quase todos os mortais, dei de cara com um especial com o maestro Tom Jobim na Tv Cultura  realizado em 1993 por Fernando Faro. Um ano antes de morrer Tom exibia ali toda sua vivacidade e aquele frescor de samambaia úmida que faz a música dele ser o que é para todo o sempre. Morreu cedo há exatos vinte anos e não devia ter feito isso. Baita lugar comum seria eu dizer que nos deixou orfãos pois seria de um egoísmo atroz considerar que a falta de Tom deixa orfão s apenas os brasileiros.
        Tom Jobim para mim e milhões de seus fãs estará sempre associado a manhãs de sol , dias chuvosos e contemplativos , visões idílicas do Rio de Janeiro. Estará sempre associado ao majestoso voo do urubu, a um trem que corta a Mantiqueira , às lembranças de um país e de um Rio de Janeiro que agora só existem nas remotas crônicas de cronistas esquecidos. Tom Jobim é de um tempo que já foi mas que continua a ser guardado intacto dentro de nós mesmos. 
     Ao dar de cara com o especial de Fernando Faro logo após ter visto um documentário sobre Marcello Mastroianni, fiquei a pensar , mais uma vez, que Tom, Mastroianni e Fellini ( só para ficar em poucos exemplos) são tipos humanos, artistas vitais e atemporais, que deveriam ser proibidos de partir.
     Associo Tom Jobim apenas a passagens leves da minha vida.Inclusive após sua partida quando na virada do ano de 1996 a 1997 atravessei uma noite em Montevidéu lendo a biografia dele escrita por sua irmã Helena Jobim. O relato daquela  vida única se misturando a um ventinho frio que vinha sei lá de onde e ao barulho do rio da Prata logo ali à frente. Uma enorme massa de água que cisma em ser rio quando na verdade é um mar. Evocando esse mar, o mar carioca e o mar sereno que mora dentro da gente ( sim , ele existe!) só espero que a música de Jobim continue a ser eterna enquanto dure. E deve durar pra sempre o que prova que , sim , ele não foi autorizado a morrer.

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