TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Ausência de mídia alternativa e relevante no Brasil

       

     Ausência de mídia alternativa e relevante no Brasil

    Por uma armadilha engendrada por um velho aparelho de som aqui de casa ( que tem um timer que não consigo desarmar e  liga o rádio FM em determinada  hora) acabei ouvindo sem querer um trecho de um “jornal” matinal radiofônico fascista da Jovem Pan  onde o inominável  Marco Antonio Villa,pseudo-historiador, também fascista, conseguiu em meros minutinhos que o rádio se manteve ligado babar seu ódio  contra Lula e Dilma de maneira quase apoplética. 
         Ao “comentar” investigações sobre viagens internacionais do ex-presidente ele disse que tudo o que envolve Lula “é criminoso”. Depois afirmou taxativamente que espera que o impeachment saia logo para Dilma abandonar definitivamente o cargo para o bem do país. Julgamentos sumários. Certezas absolutas. Como se Lula e Dilma já tivessem sido julgados pelo tribunal de Nuremberg nativo e tivessem que ser jogados à fogueira imediatamente. Não cabem sequer dúvidas. Assim é porque Villa pontua.
         Desnecessário falar aqui acerca da lamentável opção da Jovem Pan e alguns outros veículos  à extrema direita . Antes , pelo menos, mantinham uma hipocrisia democrática de fachada. Não poupemos definições alíás. Não é extrema direita é fascismo mesmo . Opiniões definitivas destiladas com ódio incomum  como se fatos fossem. A galeria de tipos que fazem coro a Villa na Jovem Pan ou fora dela é grande e abjeta. Não citarei nenhum nome além do dele pois eles jogam para outra torcida que não é a minha. E aviso aos navegantes, pela enésima vez, que se deploro essa gente que ajudou a enterrar o pouco que restava de jornalismo sério no país também deploro o que eles definem como “blogs sujos”, aqueles que com a força da grana que recebem do governo tapam o sol com a peneira e vão buscar “sustentação” de seu ideário dando vez e voz a oportunistas cafajestes e nomináveis como o Napoleão de hospício  Ciro Ferreira Gomes que num país sério estaria tomando Rivotril de caneca embalado numa camisa de força.
     Diante desse triste panorama visto de nossa ponte midiática ruída , recém-chegado da França onde se discerne claramente uma mídia  de esquerda, outra de direita, outra no muro, mas todas com um minimo de respeito à verdade e ouvindo todos os lados envolvidos em uma história, eu chego a triste conclusão que está tudo tristemente dominado pelo que há de pior de direita hidrófoba nos nossos grandes meios. Conclusão óbvia , diga-se de passagem. O          que me intriga é por que nunca se conseguiu consolidar de verdade uma mídia ( um jornal, uma revista, uma rádio,uma tv) que fosse relevantemente de esquerda. Ou nem mesmo de esquerda mas progressista, humanista, que colocasse em pauta cotidianamente temas e pessoas que não estão nas outras pautas. Uma mídia que antes de estar preocupada com o índice Nasdaq falasse das pessoas vitimadas pelos Nasdaqs da vida. Uma mídia que provasse que a ONU e suas opiniões inócuas são tão protocolares quanto enviar votos de pêsames de “estadistas” a famílias de mortos em tragédias.
         Para falar claramente não há nada no Brasil com a importância ou relevância de um “Libération”, por exemplo, que além de sua pauta diferenciada em relação a outros veículos prima pela boa edição, boas ideias,bons textos, grandes fotos. A essa altura pensar em algo semelhante no Brasil é superlativa utopia , ainda mais agora que o fascismo vigente desgasta qualquer proposição, digamos, mais progressista. É a época da desqualificação dos sonhos taxando-os toscamente de “comunistas”, “socialistas”, “populistas”. É a época dos camisas pretas ( ou verdes do integralismo ressuscitado) incitarem a massa ignara contra os “vermelhos” num anacronismo assustador, caricato na medida em que o mundo “maxicapitalista” desembarca em Cuba pra restabelecer relações. Somos, com méritos nos dias atuais, a vanguarda do atraso.
         O Brasil não tem alternativas ao massacre midiático diário empreendido pelas “Vejas” “Épocas”, “Globos – (jornal e tv)” , “Jovens pânicos” e quejandos que varreram a verdade para debaixo dos tapetes de suas instalações . Elem tem uma causa que nada tem a ver com informação, tem a ver com apelação, defesa única e simples dos seus interesses. Egoísmo em estado bruto.
         Não se consolida com relevância proporcional uma alternativa a tudo isso na medida em que “Carta Capital”, “Brasileiros”, “Caros Amigos” e outras poucas publicações  não tem o mesmo calibre da grande mídia, não consegue chegar a uma parcela significativa de leitores. Isso sem falar das televisões e rádios. Qual oferece um viés alternativo a tudo que engolimos hoje em dia ? Por que, por exemplo, já que a EBC é ligada ao governo não usa isso a seu favor e não contra ? Por que nunca adotou uma  pauta alternativa em seu jornalismo, em seu formato televisivo para ser o contraponto de tudo isso ? Já que sofre o desgaste de ser associada ao governo por que nunca usou isso a seu favor , não fazendo “chapa branca” mas dando luz àquilo que precisa de holofote ?  Sempre me fiz essa pergunta durante e após minhas passagens pela EBC e ninguém soube me responder.

         No passado tivemos iniciativas alternativa de mídia  que se não atingiram grandes massas ao menos tinham a relevância que hoje não tem . Falo dos tempos da tal imprensa alternativa ou “imprensa nanica” , como ficou conhecida,  na qual vicejavam “Pasquim”, “Enfim”, “Folhetim”- que era um suplemento da Folha!- “Movimento”, “Versus”, “Canja” e muitos outros veículos que inclusive eram censurados e tolhidos na época da ditadura e depois  ainda mantiveram fôlego durante a tal  “abertura democrática”. Onde foi parar tudo isso ? Onde foi parar, inclusive, o senso de humor dos esquerdistas e progressistas ? O assunto é polêmico, extenso, e não caberia nas mal traçadas linhas de um despretensioso blog como esse. Mas a pergunta que não quer calar é essa : se não conseguimos fazer sequer um arremedo de “Libération” vamos continuar assistindo a essa maçaroca fascista dia a dia nublando a verdade, não dando o outro lado da noticia e conspirando contra a democracia? Não vamos fazer nada ou não é possível fazer nada ?

terça-feira, 29 de março de 2016

FRANCE 24 e as diferenças com nosso "jornalismo"

     

     Já no Brasil acordo hoje com gentil e lisonjeiro convite ( via Whats up) do jornalista Christopher Davis da France 24 ( tv pública francesa) para participar hoje à noite de um debate de uma hora sobre "a situação política brasileira" como se meu parco francês desse para tanto gasto diante de feras. Mas, para o bem e para o mal, já voltei.
    Se faço o introito auto -referente é para explicitar minha previsível desolação diante de tanta pobreza midiática na qual vivemos no Brasil de hoje em dia com os veículos totalmente partidarizados defendendo causas e não revelando fatos.O difícil é achar "veículos" isentos . Que estamos no fosso profundo de um castelo medieval não há dúvidas. Fosso que é fossa e ainda habitat de crocodilos famintos e imundos como essa patuleia peemedebista que não nos surpreende nunca por sua vileza  e faz valer o velho ditado de que quando um navio afunda os primeiros a pularem fora são os ratos.
     Mesmo que  se adie o choque da volta procurando não ficar exposto aos catastrofismos dos Sardenbergs da vida o nosso noticiário surpreende não só pela ruindade , manipulação e desinformação . Mas pela pauta. Enquanto todos os dias os assuntos mais discutidos na mídia francesa são as questões relativas a imigração, ao estado de emergência ainda em vigor e ao debate político civilizado ( exceção ao nazismo dos Le Pens ) dando amplo espaço ao que acontece no resto do mundo ( seja na eleição recente do Congo Brazaville, ao horror da guerra síria, aos atentados no mundo todo e a situação no  Brasil ) aqui seguimos no monotema da guerra nada santa entre tucanos e petistas , a sucessão de escândalos, as balas perdidas, o desemprego, as notícias sobre a desoladora e apocalíptica violência urbana de nossas grandes cidades. É sempre o mais do mesmo e sem a menor isenção. Apontam como culpados sempre as mesmas pessoas e nada se faz de efetivo pra resolver as mazelas. Muito menos pensar em soluções de conciliação nacional, estadual ou municipal. É mesmo um fosso com fossa e crocodilos. Nesse contexto fico na dúvida entre colocar a mão com força nos excrementos ou voltar correndo para Paris para participar de um debate na tv de lá tentando obter respostas para as minhas próprias perguntas.

terça-feira, 22 de março de 2016

Uma coisa é um país...

    

    Sempre questionei a validade ou eficácia de “poesia militante”. Nem imagino estar fazendo algo que preste. Mas diante do momento presente vocês vão me desculpar...corro todos os riscos de ser julgado, mal interpretado e por aí vaí. Voilá...e livremente inspirado em um poema de Affonso Romano de Sant'Anna.



UMA COISA É UM PAÍS...

Como disse outro poeta
“uma coisa é um país,
Outra um ajuntamento.
Uma coisa é um país,
Outra um regimento”
Um país não é um amontoado de larvas
Que aderem às carnes podres
Como em  um poema de Augusto dos Anjos

Um país é uma soma de “gentes”, de países
De pessoas crentes e impenitentes

Um  país não é um  arremedo de tristezas e putrefações
De medos e difamações
Não é  o sangue nos olhos
Nem o  desrespeito ao contrário

Um pais não diz só que o futuro “ a Deus pertence”
Mas ergue o seu próprio destino
Dá liga a sua própria argamassa
Distensiona tensões com a prosa nas varandas

Um país é feito, ainda, de bandas, lendas, circos
Enormes pedaços doces de bolos amorosos
Mulatas, evangélicos, católicos, ateus e renegados
Delegados dos próprios destinos
Pais de santo a dançar africanidades

Um país  não é feito de meias verdades
Justiças seletivas
Mártires ou heróis de ocasião
Um país é feito de sua própria história
Dos seus rios, suas árvores caiadas, seus prédios públicos
Seus tuneis escuros, suas serras e espinhaços

Um país não é feito de grandes miopias,
Não, antes de mais nada, é preciso enxergar
As alegrias
Saudar os bem nascidos e cuidar dos dessasistidos
Costurar, cerzir, bordar
Um longo manto a agasalhar o pranto daqueles que precisam

Um país é feito de humanismo
De torcidas adversárias que se saúdam
E de adversários que nos ônibus se cumprimentam

Um país de verdade não derrapa na areia
Não desrespeita  leis
Acha que diante dela juízes, lumpens
E mesmo renegados devem receber condescendência

Um país não se faz com um amontoado de infelizes
Com opiniões que são fezes
Com sangue, suor e ódio...
Uma coisa é um país

Outra um projeto de nação...

segunda-feira, 21 de março de 2016

Política: não libertem os cenobitas...

     

    Clive Barker é inglês e um criador multimeios. Escritor, cineasta, roteirista, ator, produtor de cinema, artista plástico e dramaturgo sua literatura , que ele próprio descreve como “ fantástica e de terror”, lida com personagens, atos e fatos tão inverossímeis o que paradoxalmente é a raiz do seu fascínio. De tão irreal que é fica real, palatável, possível nesse planeta de tantos absurdos.
    Assim sendo o que ocorre hoje no Brasil de certa forma é um enredo de Clive Barker. Como se inúmeros “cenobitas” fossem libertados por caixinhas malditas manipuladas por incautos que não sabem que ao mexer com aquilo que não devem liberam monstros do inferno que são exatamente o que os “cenobitas” de Barker são.
    Para quem ainda não teve a sorte de se deparar com os trabalhos de Barker informo que os Cenobitas são monstros que aparecem em alguns dos trabalhos de Barker no livro The Hellbound Heart e nos oito filmes da sérieHellraiser. A essa altura saber do que se trata pode ser muito propício para que se evite mexer com aquilo que não se deve liberando assim as chamas do inferno político que já estão crepitando.

segunda-feira, 14 de março de 2016

É Proudhon demais pra sua cabeça ?

   
Portrait of Pierre Joseph Proudhon 1865.jpg

     O anarquismo , na definição simplista das "Wikipedias" da vida é uma "teoria social e movimento político" presente na história ocidental  que desde sempre sustentou a ideia de que a sociedade existe de forma independente e antagônica ao poder exercido pelo Estado e  esse  Estado seria dispensável  e ruim ao estabelecimento de "uma autêntica comunidade humana". 
      Quando advoga que qualquer que seja o governante ele será um tirano- pois o anarquismo não confere a ninguém essa autoridade sobre outros seres humanos- eles ,os anarquistas, são levados para o terreno das utopias. São desqualificados, desacreditados, desvirtuam inclusive a essência das ideias anarquistas. Transformam os anarquistas em animais exóticos a não serem vistos no zoológico político global. Aliam os anarquistas, erroneamente, ao caos, a balburdia, à ausência de civilização quando é exatamente o contrário que eles pregam. Autogestão, escambo, paz e amor, por exemplo . 
     A essa altura dos acontecimentos no Brasil o que resta de mim de um anarquista utópico desejaria na verdade que fosse criado um comitê suprapartidário entre tucanos honestos, petistas honestos , peemedebistas honestos e até "demos" honestos para que, juntos, deixando as armas fora do saloon, se sentassem exaustivamente ao redor de uma mesa com pão, azeite, vinho , milenares alimentos de corpo e alma, para discutir uma saída para resgatar o país sem as paixões do momento onde se bate abaixo da linha da cintura.
     Evidente que é uma proposta anarquista e inviável. Aliás, se viável fosse, o tal debate deveria ser mediado por um anarquista sem convicções nem a direita nem a esquerda. É Proudhon demais pra sua cabeça ? Talvez seja. Mas seria maravilhoso se isso acontecesse ... só aí eu acreditaria que estamos a buscar um ideal em comum que passe por "cadeia para todos" e "corrupção para ninguém". Por enquanto está parecendo uma briga de hooligans. 


quarta-feira, 9 de março de 2016

o ovo da serpente rompeu a casca

         
lula_abre.jpg

     Raciocine. Na sexta- feira ( 4 de março) , antes de pegar o Eurostar para ir de Paris a Londres, fui bombardeado com as notícias do Brasil acerca do cerco ao ex-presidente Lula. Sem fazer juízo de valor a respeito de culpas ou não o que me espantou foi a truculência e ação orquestrada para dar ares de fugitivo da justiça a um homem que não havia fugido para lugar nenhum. 
    Aliás não me espanta não porque desde que deixou a presidência do Brasil  Lula é tratado pela maior parte da mídia como um meliante bêbado e desequilibrado. Não reservam a ele sequer migalhas das mesuras que dão a outros ex-presidentes. Justo a mídia, justo os brasileiros médios , zelosos da liturgia dos cargos.Mas essas liturgias são reservadas somente aos doutores, aos advogados deformados em más universidades que escalam os píncaros do poder.Liturgia para pobre, feio, nordestino e sem dedo é o mesmo que tratar com deferência um feio, sujo e malvado. A Lula, senhor de tantos pecados, não é dado sequer o benefício da dúvida, sequer a presunção da inocência. Muito menos pelo cargo que ocupou porque para essa gente, ávida por rapapés aos doutores,  Lula nunca deveria ocupar o cargo máximo da nação. Tratamento bem distinto ao dispensado ao senhor "Fernando Envelhecendo Gostoso".  
      Repito para a patuléia golpista ( é um saco ter que fazer isso sempre) que isso não é pensata petista, sequer uma pobre pensata anti-golpista. É só uma constatação. Lula já é culpado , já foi  julgado, condenado e apedrejado em praça pública inclusive pelos Judas e Pilatos de sempre. A espiral do ódio segue solta, firme e forte. O ovo da serpente, já chocado, rompe a casca. Só não vê quem não quer. Eu quero mais que sejam julgados e punidos todos os culpados. Mas parece que não é assim que a música toca.
    Ao se vitimizar e fazer uso de discurso rasteiro após os incidentes de 4 de março  Lula se equipara aos seus algozes. Se vitimiza quando não precisa. Quem tem bom senso vê que existem dois pesos e duas medidas. Mesmo os que não gostam de Lula conseguem enxergar isso. Sucede que o país está sublevado por uma perigosa briga de torcidas desorganizadas. 
      Essa prosa aqui está parecendo "pão dormido" pois muito já se disse a respeito . Se voltei a ela é porque tentei, viajando e off line, me abstrair da balbúrdia que apesar de nos afetar a todos faz um baita mal para a saúde. Porque enquanto nos engalfinhamos e não deixamos um governo fraco tentar acertar a nau vai indo para o fundo. E isso  a ninguém interessa.
       

quarta-feira, 2 de março de 2016

No fundo do meu copo de conhaque


( à memória do meu amigo poeta Julio Saraiva no terceiro ano de sua tocata e fuga)


No fundo do meu copo de conhaque,
Xeque mate, esquinas sujas, unhas roídas
Tristes caipirinhas mal batidas, sensações atrevidas
Aviões que se degelam ao sal, meu mingau de aventureiro

No fundo do meu copo de conhaque,
Amor de araque, arenque e arraia
Alto falantes a brandas tonteiras,
Mais uma tosse que desprega das ribanceiras

No fundo do  meu copo de conhaque,
Refugiados sírios assopram fogueiras
Indianos assam castanhas
Os medos se desprendem das entranhas

A neve se misturou a chuva, a água turva voltou para o Sena
Corcundas sorriem nos semáforos
Narigudos peidam alcachofras nas estações do metro
Olheiras despontam todos os domingos
Meus pingos nos is estão caiando paredes

No fundo do meu copo de conhaque
Uma mosca sobrevive de esmolas
Deus aparece nas oferendas
E as flores de maio vicejam em abril

No fundo do meu copo de conhaque
Pago o preço e não dou troco
Olho pra trás e não me reflito
Acendo um incenso, coração contrito
Sou todo uma poesia francesa
Um remoto romance russo
Uma estação no inferno feita por Dante
Uma nova bossa que segue adiante

No fundo do meu copo de conhaque
Não sigo sendo poeta
Gritaria, palmas , claque
A saudar minha própria debacle...

Paris, 2 de março de 2016


Meus livros

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CINEVERTIGEM

O BRASIL É FEITO POR NÓS ?

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FRANGUINHO SEBASTIÃO

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