TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

sábado, 31 de dezembro de 2016

31 de dezembro : mas não faz mal, foi só o tempo que passou

       

    O texto que vocês lerão mais abaixo é uma tosca tentativa de um menino de 20 anos - que um dia fui - em estabelecer uma conexão de esperança e otimismo em dias vindouros através de uma personagem chamada Maria Auxiliadora. Foi escrito em 3 de outubro de 1979 e ainda hoje não sei se é poesia ou crônica. Também não sei se é bom ou não levando em conta a idade que eu tinha. Isso na verdade não importa.  O que importa aqui é o desejo de Maria Auxiliadora em dormir com o "ano que vem " na cabeça.Que essa sensação de ano que vem permaneça conosco todos os dias de 2017 porque se não acreditarmos em melhores)anos vindouros a coisa fica dificílima não é verdade ?? 

(a imagem acima tenta definir o que o texto pretende e a imagem abaixo é de um remoto livro de poesia&prosa que cometi em 1982 , "A Invenção da Surpresa" , onde este texto está publicado depois de ter ganho um concurso nacional de minicontos em Guaxupé,interpretado pelo sumido e talentoso então amigo Aderval Borges.  A capa do livro é do meu ex-cunhado e eterno compadre Mário Sérgio Longo.)


31 de dezembro : mas não faz mal , foi só o tempo que passou


    Você continua chamando Maria Auxiliadora e pegando o mesmo ônibus naquele mesmo ponto. Eu continuo com aquela dor de cabeça do lado esquerdo, sustentando o meu mundo que pense mais para a direita. 
     Você continua parando na "Flor da Beira Alta" e comendo quindim com Coca- cola. Eu continuo fazendo uma canção singela , sem aquelas grandes pretensões. E você sabe.
     Você continua saindo às seis da tarde do serviço e antes de ir pro supletivo passa em casa , escova os dentes e come uma maçã adocicada. Você continua saindo às 11 e meia do supletivo e olhando para as vitrines com a ambição de comprar o vestido azul que nunca o teu salário vai te dar. Você continua tendo uns olhos bonitos e aquela ruguinha bem na testa. Você continua tendo os olhos que eu não tenho.
     No dia 31 de dezembro Maria Auxiliadora eu passei em frente a uma loja e vi um abajur muito bonito , cheio de luzinhas coloridas. E me lembrei da gente no quarto, com aquelas luzes. Era bem no fim do ano. Aí eu entrei numa pastelaria, um freguês cumprimentava o chinês, eu pedi um caldo de cana e um pastel de carne e aí lembrei que andava sozinho. Estava sozinho , parado ali , tomando caldo de cana que escorria pelos dedos. Você continua não gostando de caldo de cana. Aí sai meio chateado, chutando as tampinhas do caminho e fungando. 
     Você continua tendo os olhos que eu não tenho. E eu com minha dor de cabeça do lado esquerdo, entro no quarto, acenso o incenso e vou dormir com o ano que vem na cabeça.
(3/10/79 - SP) 

Ame seu coração

    


      Muita gente está a dizer que o  ano de 2016 foi um tempo ruim.Opinião quase unânime nas pensatas virtuais ou reais.  Muita gente dizendo “foi o pior ano da minha vida” e coisas do gênero. Não os culpo . Assim foi se lhes parece e o mundo e o Brasil não ajudaram com trairagens de toda monta , cafajestices, atentados, roubalheiras , violências, gente de muito bem partindo  de toda essa conturbação. Eu mesmo que nem de tanto bem sou quase peguei a “navilouca” rumo ao desconhecido em setembro passado . Um infarto porque estou farto de tudo ? difícil saber. Prefiro apostar que foi uma diabetes mal cuidada, uma carga de incertezas sobre o lombo e demais fatores que apesar de leves quando se juntam ficam pesados. Mas aqui estou aos vossos lados, companheiro dessa doidíssima viagem planetária. É pesada , pois. Mas vale a pena. Por isso pueril conselho de fim de ano : ame seu coração. O metafórico e o real. Feliz 2017.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

divagações do trem de minério

(...) E quando o barulho do trem e suas dezenas de vagões sacudia o quartinho eu via poesia em tudo e sobretudo em minha particular Minas Gerais velha de ferro  que sempre retrabalhou  dentro de mim a mineral sensação de que não só os diamantes são eternos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

país melhor acabado em 2017

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, campo de beisebol e atividades ao ar livre


    Há um ano escrevi numa rede social o que está abaixo . Merecíamos sim um 2016 muito melhor e ele não correspondeu às nossas expectativas... como acho a pintura linda e meu otimismo renasce como uma muda de pau-brasil num vaso não devidamente adubado - é preciso muito cuidado para que vingue a muda - eu repito aqui no blog os votos do ano passado... 2017 há de ser melhor...

"Queria essa pintura de Jack Vettriano como apólogo de um país mais solar,menos ranzinza, mais bem acabado...onde a gente pudesse molhar os pés na água e esticar os mesmos pés cansados na praia sem medo de ser pilhado no atacado, no varejo , no triste cortejo de reclamões nos quais vamos, infelizmente, nos transformando. Houve uma vez verões muito mais leves. Que o calor que está para chegar seja apenas o do clima e não vindo de bafejos do inferno. Merecemos todos um 2016 bem melhor..."

sábado, 17 de dezembro de 2016

guarde só o que interessa...

O cruzamento de Nelson Rodrigues com Ciro Gomes

     
   Até onde sabemos a  ciência ainda não evoluiu para permitir o cruzamento de gens entre um gênio e um idiota. No caso o gênio é Nelson Rodrigues o melhor "definidor" de idiotas como Ciro Gomes que o país já conheceu. 
     Se tal cruzamento fosse permitido talvez houvesse esperança de aprimoramento genético para idiotas terminais como Ciro. Como isso ainda não é possível temos que continuar ouvindo as estultices que esse idiota pronuncia. Por isso uma frase de Nelson serve como luva a esse Napoleão de hospício de nossa política : "Outrora , os melhores pensavam pelos idiotas; hoje , os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica...". 
     A frase é taxativa e talvez não precisasse de adendo. Mas o faço apenas para lembrar que só numa época como a nossa , desgovernada e sem lideranças, é que idiotas como Ciro Gomes possam pensar pelos melhores.Pior, que possa ser ouvido por alguns. É preciso retomarmos as rédeas de nossa autoestima. Colocar os idiotas no lugar devido que no caso de Ciro e muitos mais é a lata de lixo da história.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

a cidade que acorda mais cedo no mundo

     


   (...) Na cidade dos homens e mulheres que acordam mais cedo no mundo ainda nem são seis horas da manhã e o trânsito nas marginais está absoluta e completamente congestionado. A fumaça do dia anterior sequer se dissipou mas novas fumaças adensam mais o ar que anda muito carregado. Um caminhoneiro sonolento ao meu lado no suplício do caminho usa o barbeador tranquilamente diante do retrovisor. Põe os dedos das mãos nos dentes, improvisando uma tosca escovação em busca de bagos de feijão e farpas de carne da noite anterior.
      Agora, no carro à minha direita, um sujeito barbudo e grisalho  liga o rádio bem alto e sintoniza num programa de crimes a granel. No banco do passageiro há uma porção de prospectos de imóveis de luxo que ele jamais poderá comprar mas  não custa sonhar.
     Já tem muita gente aqui fazendo a contagem do tempo que perde nesse congestionamento  . Mas não adianta olhar no relógio nem imaginar um bom café da manhã porque a realidade é implacável e nos amontoa uns sobre os outros nesse mar de fumaça e caos numa manhã que mal começou.
   O compromisso que me leva a Guarulhos nessa hora tão improvável é absolutamente tedioso mas vai me render um dinheiro. Então acordo de novo dentro do carro, ponho os olhos no carro da frente e vejo uma boca de córrego onde se lê “Cabuçu de baixo”. (...)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Renan, o imundo

 
     Tenho me poupado, e em consequência a minha saúde,de posts ou textos excessivamente ácidos, cítricos ou críticos diante de todo esse agora ininterrupto mar de lama em que mergulhamos e que paralisa o país. São tantos personagens abjetos, são tantas figuras execráveis e diminutas em todos os escalões , em todos os logradouros, que parece que ser honesto é definitivamente uma exceção e não uma regra. Triste o país que vive assim, com o perdão do lugar comum. Mais triste ainda é ver tudo o que sucede da perspectiva de uma geração que lutou muito pra acabar com a imundície generalizada.
    Diz Guy Corrêa, um amigo virtual :" tenho pensado muito nas gerações anteriores a minha que lutaram para derrubar a ditadura e agora assistem esta lambança". Pois é Guy foi o caso da minha . Tanto lutamos para dar no que deu. O triunfo diário da boçalidade, da hipocrisia, como o que aconteceu hoje em Brasília. A manutenção de Renan, o imundo, na presidência do Senado mas fora da linha sucessória presidencial. A hipocrisia e a canalhice de todos os legislativos e judiciários é sem tamanho. E no mais é muito duro manter o prumo  e a saúde não em um país que se pauta por tanto descalabro mas , pior que isso, um país onde um lixo superlativo como Renan chega onde chegou e nós tudo paramos para debater o destino dessa excrescência.  De fato minha geração e outras antes dela mereciam um destino melhor.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Não é desalento nem desencanto

pintura de Jeanne Hebuterne

O que abaixo se expressará não é desalento nem desencanto... é réquiem para autocensura, autocrítica ou demais formas de sabotagem com as quais nos sabotamos durante a vida. Em terra onde tanto excremento vira literatura e ganha prêmio, depois de adiar em demasia e deixar no armário "coisas" que me eram vitais eis que emergem inusitados problemas de saúde e as inevitáveis refações de velhos conceitos. Isso posto , vamos nessa. Antes, durante e agora depois do acidente de percurso tenho cometido páginas muitas em livros vários que espero de verdade possam um dia vir à tona. O que está disposto abaixo por exemplo foi feito hoje, aqui e agora , e vai para o blog por uma circunstância única : parece "momentoso", parece desabafo até jornalístico mas se pretende ficção . Talvez triste seja o país que inspire isso. Mas assim é se me parece. Perdão. É textão conforme se condena hoje em dia no mundo virtual. Mas é limpinho e é sincero.


"No momento em que escrevo essas mal batucadas linhas chego à prosaica conclusão de que o Brasil de cem anos atrás era uma merda. Não que hoje seja uma maravilha conforme alguns deslumbrados queiram afirmar nos colocando naquela conceito idiota de “primeiro mundo”. Continuamos um lixo , mas um lixo mais cheiroso onde o fedor mais forte, mais acre,mais nauseabundo é nossa execrável classe política.
Mas, sosseguem. Não vou transformar isso num libelo contra a classe política, contra deputados e senadores,contra o egrégio e imundo Congresso Nacional. É gastar muita vela com mau defunto. E um defunto que eu uso como pretexto para execrar certo comodismo dos meus amigos queridos que mesmo hoje não se abalam com toda essa escumalha. É como se o que fazem esses meliantes em Brasília não os atingisse. Essa posição deles, desde sempre acima dos fatos que nos atingem, sempre me causou uma certa repulsa. Mas sabem-se lá os motivos inconscientes que eu tenho para tentar colocar defeito nesse meu  passado-presente quando esses amigos estão na verdade cerzidos na minha própria história .
Só sei que os anos foram passando ,nossas calvícies, dentes bambos, gordurinhas viscerais se acumulando e o país foi se deteriorando mais e e mais em valores éticos e morais muito embora superficialmente a gente pudesse ter a impressão de que íamos em algum direção mais consistente, mais segura, mais civilizada no sentido de respeito às leis vigentes. Que grande derrocada viu nossa nação ao superar o cabo da boa esperança democrática com o fim da ditadura e mergulhar na camisa de força da corrupção, da usura, das comissões e dos caixa 2 , do deslumbramento classista, do alpinismo social, das duzentas pragas da vaidade que singram os mares muitos do poder desde tempos imemoriais.
Ah, meus amigos...vocês estão preocupados com aposentadoria, patrimônio para os netos, férias de fim de ano e não olham para o naufrágio do nosso projeto de país. Quiçá eu devesse entrar na mesma frequência  visto que agora o coração está combalido. Mas é que eu tenho o maior respeito por essa nossa raça de mestiços, gente hibrida, cafusa e mameluca que não deveria se deixar abater como gado , tangido como ovelhas na direção da resignação, da alienação , da estupidez completa dentro desse plano bem sucedido até agora de imbecilização coletiva urdido pela direita , pelo centro e pela esquerda. Fodam-se todos eles. E fodam-se os que aqui acharem que aqui estou a fazer proselitismo panfletário num espaço onde deveria vicejar “boa literatura”. De rótulos sinceramente já me fartei faz muito tempo".
                              

Meus livros

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CINEVERTIGEM

O BRASIL É FEITO POR NÓS ?

VALENTÃO

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DIA DE SUBMARINO

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FALTA DE AR

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