TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

a verdadeira Clarice Lispector

          
       Não sei se Clarice Lispector acharia divertida essa mania de atribuir qualquer frase traste de auto-ajuda à sua pessoa. Talvez achasse um saco e não daria divertidas risadas como o Caio Fernando Abreu,outro autor campeão de citações . Fato é que existem tantas citações atribuídas a Clarice que as verdadeiras frases e pensatas da autora passam batidas. O mais curioso é que a maioria dessas falsas frases é postada ou compartilhada por pessoas que jamais leram ou mesmo ouviram falar da Clarice Lispector.
      Hoje pela manhã pensei nisso ao esbarrar aqui em casa com o livro "Aprendendo a Viver", uma coletânea de crônicas que ela escreveu entre o fim dos anos 60  e começo dos 70 para diversas revistas cariocas. Há nesse livro publicado pela Rocco verdadeiras pérolas como a belíssima crônica "Banhos de Mar" onde ela relembra passagem querida da infância entre Recife e Olinda. Alguns textos desse livro são curtos , outros mais encorpados. Mas quaisquer que sejam eles são melhores que as indigências que atribuem à autora nas redes sociais. E , frase por frase, quando é para cunhar uma de verdade Clarice era imbatível . Como essa , uma mini crônica na verdade :

ANTES ERA PERFEITO

Ter nascido me estragou a saúde.

sábado, 17 de novembro de 2012

Eu quero os meus radicais livres

   
    Dentro de mim há uma porção de radicais livres. A ciência diz que pela minha idade devo combate-los. Mas eu gosto deles. Fazem com que eu não me acomode diante das comodidades, da generalizada falta de posicionamento e de opinião e nem diante dos muitíssimos puxa-sacos de plantão que pedem benção todos os dias em horas diversas a todos aqueles que possam lhes auferir lucros e promoções.
     Os radicais livres podem ser combatidos com espinafre e cenoura e desde que eu soube disso tenho evitado suflês com esses ingredientes pois temo incomodar meus radicais que resistem bravamente diante do fluxo sanguíneo moderado sênior dos bombeiros que apagam incêndios mesmo antes que eles aconteçam. 
    Os radicais livres liberam no metabolismo do corpo elétrons instáveis e reativos que dizem poder causar doenças degenerativas de envelhecimento e morte celular. Mas eu os quero instáveis e reativos, reagindo as intempéries sobretudo comportamentais. Os amigos insistem que os radicais livres detonam os cinquentões. Mas eu gosto deles assim . Não quero os meus radicais presos.


     

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Jornalismo, enquanto agoniza...

Ryszard Kapuscinski,ícone de  um jornalismo que não se pratica mais
        Mora na filosofia : não estou querendo rimar profissão com dor mas tentando entender como o fim de um processo pode se encadear ou começar outro. Hoje mesmo conversando com uma amiga que ocupa posição de comando em uma revista, ontem conversando com dois experientes e grisalhos colegas que se sentem desalentados com o fim do jornalismo, eu só me consolo por notar que não estou só nessa triste percepção. As demissões se acumulam, os equívocos se sucedem e todos nos perguntamos, estarrecidos, para onde está indo a mídia. A que conhecíamos faleceu e está enterradíssima como bem provam os jornais que fecham e a cada vez mais avassaladora confusão entre jornalismo e show , jornalismo e culto a celebridades inócuas e jornalismo e desserviço e não prestação de serviços.
     Em linhas gerais as pessoas defendem teses e assumem posições procurando fatos que se encaixem nas suas convicções. Se esta triste escola foi inaugurada por "Veja" já não importa. O que importa é que se disseminou. São Paulo está acuada pelo crime que expande fronteiras e os grandes meios ou ignoram a questão (fingindo que o barulho é na Síria) ou a tratam como um fato cotidiano, banal. Como se fosse banal 10 jovens da periferia entrarem em um ônibus cheio e "tacarem terror" e gasolina em tudo. 
    Cada qual descreve a realidade como lhe convém. Os acuados se acuam. Os refrigerados repercutem à distância usando e-mail, google , skype e outros assépticos instrumentos de apuração. Daí me lembro rapidinho do fotografado acima. Ryszard Kapuscinski que bateu perna mundo afora , sobretudo na África ancestral, e nos trouxe relatos impressionantes e bem escritos de terras e gentes que mesmo que estejam ao nosso lado por vezes não enxergamos.  Penso nele quando ainda acredito em jornalismo feito de carne e osso . Em jornalismo real e não virtual.
     Costumo repetir uma frase bobinha há anos. "Gosto de jornalismo e não de jornalistas". Antes que o leitor me julgue pedante devo dizer que a frase se contextualiza no sentido de que muitos jornalistas, sempre tão ciosos de sua própria verdade, se tornaram burocratas, acomodados, reclamões. Muitos deles, na contramão da volatilidade que vivemos, querem planos de carreira e aposentadoria, regalias a longo prazo. O espírito de aventura que no passado caracterizou a escolha pela profissão ficou abaixo dos chinelos.  
      Kapuscinski viveu de 1932 a 2007 quando morreu em sua Varsóvia natal. Viveu muitas vidas dentro da vida dele. E parece nunca ter tido a intenção de contar a realidade conforme  os olhos de qualquer ideologia ou conveniência mas a simples "vida como ela é", para lembrar aqui expressão bacana do Nelson Rodrigues. Lendo hoje mesmo um texto de Kapuscinski sobre a China da época de Mao me deparei com uma realidade que já não existe. Mas sua clareza é tão grande que fica como registro literário de um período. O autor é sim a prova  (agora morta) de que jornalismo , quando bem feito, vira sim literatura. Ao descrever milhares de ciclistas se movimentando em monobloco como um rio caudaloso nessa China de passado recente ele talvez nos devolva à simples trilha daquilo que o jornalismo tem de melhor : mesmo na época das imagens múltiplas ler uma bela descrição com belo estilo é mais que uma fotografia. Um bom texto respira, transpira, evacua, goza... nosso jornalismo agoniza. Mas acredito que ele tenha sete vidas. Não serei eu a jogar a pá de cal.
         

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Por isso essa distância estelar que nos separa



            Não foi o Albertino mas uma das vezes em que fomos visita-lo , quase ao final da trilha que dava em suas choças , vimos  um caboclo descarnando uma vaca e tivemos a certeza de que nesse momento não estávamos entre vocês. Atingir com um só e certeiro golpe a carótida , ver o bicho sangrar até a agonia e depois ser degolado, estripado, esquartejado  e descarnado não é apenas brutal. É primitivo , infinitamente tosco e sinal de que jamais estaremos entre vocês em momentos assim tão próximos ao fim de qualquer lógica.
            Não é preciso não ter sentimentos humanos como nós para se perceber o quanto isso é apenas um entre tantos gestos tão atrasados que por si só diferenciam  e exemplificam a distância que temos de vocês que se deleitam com a própria matéria de outros seres que vivem . Vocês comem carne e são passíveis de comer a carne um dos outros caso ela seja servida como uma bela, bem temperada e aromática iguaria. Comer carne para nós é tão inconcebível e absurdo que sequer conseguimos colocar isso em discussão. E não se trata de um princípio . Para nós é apenas um absurdo. Mesmo que não sejamos dotados de emoções humanas. Sei que esse discurso é visto entre vocês como vegetariano e até espiritualista , que bilhões de vocês comem carne sem culpa . Mas não é disso que se trata. Primeiro porque não comemos exatamente como vocês comem e segundo que o simples fato de vocês matarem outro ser vivo para que sobrevivam é um preceito inaceitável para nós. Por isso essa distância estelar que nos separa. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um naco na estética de Reichenbach e Plínio Marcos

o finado e histórico cine Comodoro na avenida São João, 1462, São Paulo


    (...)Não, não faço uma viagem rumo ao passado pois não saio daqui. Aqui me faz ter tudo ao alcance da mão como se eu ainda saísse pelo centro de São Paulo e pudesse entrar nos cines Olido, Marabá, Ipiranga , Marrocos,Art Palácio e Comodoro. Como se eu pudesse torcer meu pescoço  num giro sensacional pelo cine Espacial ou como se eu pudesse ir mais longe ainda e visitar todos os brinquedos mortos do Parque Xangai.
            Rufaram os tambores, veio ao picadeiro do circo Orlando Orfei a poderosa Monga , a mulher gorila. Ou chegou até nós o inútil ou útil pranto do bad boy Plinio Marcos a nos apresentar o “Querô”  ou o “ Anão do Caralho Grande” . Não sei o que foi feito de mim mas desembarquei aqui e posso voltar pra trás . Estar no tempo devido é uma questão de pedido. Vai que você merece. Então você chega lá ! Parece que não mas é simples assim. Como o pó de pirlimpimpim , palpável como as grossas sobrancelhas de Monteiro Lobato e seu ar severo tão distante do lúdico infantil para onde sempre me levou(...) 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

não chamusquem nada...

   

 (...)A presunção de vocês é sempre achar que os humanos são capazes de entender as misérias e as glórias que pulsam  nas entranhas do planeta. É aí que vocês se enganam. Se não se enganassem jamais chamuscariam nada. Não trabalhavam com explosão alguma. Trabalhariam a frio e no silêncio(...)                                                                             

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Esboço de um romance que sobrevoa...

Companhia Siderúrgica do Atlântico. Um pesadelo real que poderia ser ficção.

     Sempre quis escrever um romance onde eu pudesse ver as coisas do alto, sobrevoando os terraços e as espécies , vendo os homens a granel no seu destino de atacado e varejo. Na presunção do sobrevoo , vendo tudo de cima, poderia assim analisar o clima e enxergar o destino pequenino que lá embaixo parece e aparece tão grandioso, tão importante, tão loquaz.
      Estrelas de ínfima grandeza somos nada vistos de cima mas nos achamos primordiais, continentais, essenciais como alguns executivos que vejo por trás das vidraças blindadas a escovar bons destinos para si e péssimos para os seus prejudicados. Agora mesmo um grupo deles decidiu , com auxílio de governos e intermediários , instalar uma siderúrgica poluente e imunda no litoral do Rio de Janeiro onde o povo desinformado e desarticulado fará pouco barulho no meio do entulho. É assim que eles decidem por trás das vidraças blindadas(...)

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