A pergunta do título desse post é uma baita curiosidade pessoal . Vocês enxergam que Brasil em nossa tv ? o Brasil é mesmo representado ou idealizado para o bem ou para o mal ? A cara desse país não é a impressão que dele temos apenas pelas nossas visões de Rio-Sp- Brasília ? que cara deveria ter a tv pública ? e a privada ? Afinal, vocês se sentem representados ? respostas nesse guichê ou via Facebook ou twitter...
TODO PROSA
- Ricardo Soares
- Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE, Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde. De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Tenho vários livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Atualmente publico todos os dias em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. E escrevo duas vezes por semana para a revista digital Dom Total em www.domtotal.com
terça-feira, 21 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Ao redor de Vanzolini
Hoje vivemos o tempo do "não existe amor em
Sp" e a verve de Criolo faz suspirar as doidivanas. Mas São Paulo já teve
seu tempo de dormir de janela aberta naquela ocasião em que bondes rangiam em
trilhos, trens decentes corriam o Estado e os ladrões eram românticos escalando
telhados e roubando com jeito, sem violência.
Nesse tempo
de certa cordialidade perdida e violência de média a moderada os bêbados já
tangiam a calçada e cenas de sangue nos bares da avenida São João e adjacências
já formavam o nosso passional cartão postal quando o então soldado Paulo
Vanzolini na fina flor dos seus vinte e um anos compôs um dos clássicos da
cidade e do país . A imortal canção "Ronda".
Vanzolini
"animal de muita fama que tanto corria no charco como na vargem da
lama" , segundo ele mesmo se definia,nos deixou recentemente e nem vou
entrar no clichê de nossa orfandade pois não tenho mais idade pra isso. Tinha o
compositor bem vividos 89 anos dedicados a herpetologia ( estudo dos animais de
sangue frio) e a música popular brasileira de excelente tradição e qualidade.
Faz parte da minha trajetória de vida não só por ter sido o tema da minha
primeira reportagem publicada ( na extinta revista Música em 1977) como pela
admiração que eu devotava aos seus versos e a sua discrição. Quantas vezes,
noite alta, defronte ao museu de Zoologia na avenida Nazareth no Ipiranha eu
pensei na vida e no diretor do estabelecimento, o Vanzolini, que mergulhado nas
sombras daquele mausoléu dava sua contribuição à ciência enquanto eu aguardava
o coletivo pra São Bernardo do Campo.
Essas já
não tão tenras lembranças de adolescência me acometem em doses de extemporâneo
lirismo não só para servir de mote ao meu lamento pela perda do Vanzolini mas
também para saudar tardiamente Ricardo Dias, um talentoso colega de ofício,
documentarista e diretor do belíssimo trabalho sobre o autor de "Boca da
Noite". O documentário em questão chama-se "Um Homem de Moral" e
perdi no cinema. Agora acha-se a versão integral até no Youtube e se eu fosse
você leitor corria para assistir. O filme do Ricardo capta a essência do
humor-amor de Vanzolini não só pela Sâo Paulo que não existe mais mas pelo
Brasil que ainda resiste. É um documentário sem penduricalhos, direto e reto ao
ponto, com interpretações certeiras de alguns dos clássicos do Vanzolini. Só
senti mesmo falta do meu samba favorito dele , o tal " Samba Erudito"
onde o protagonista se curva ante a força dos fatos e lava a mão como Poncio Pilatos.
Não há como
lavar as mãos diante da obra de Vanzolini numa cidade tão árida de talentos. Ou
será que meus ouvidos andam surdos ? Sei que devo parar de procurar ecos dele e
de Adoniran pelas ruas descaracterizadas do Bixiga ou pela degradação das
cracolândias . Sei que devo me ater à realidade dos raps, grafites e pichações.
Sei que gosto de Mano Brown mas sinto falta de samba com torresmo e cachaça
tomada em balcão como o Vanzolini e o Adoniran serviam.
Tenho que
parar de me rebobinar ao passado pois brotam finas flores poéticas do asfalto.
Ao menos é o que me dizem e eu até acredito quando esbarro em sincera e pouca
divulgada produção audiovisual feita pela moçada pelos infindáveis bairros e
muquifos dessa cidade imensa.
Terra bruta,
lajes pesadas, horizontes calcinados e sem verde, trânsito apocalíptico ,
bandidos impiedosos e policiais truculentos não conseguem inspirar bons tons
para novos sambas na ex- terra da garoa. Por outro lado é mais que hora de São Paulo dizer que "reconhece a queda e
não desanima". Mais que hora de repetir o lindo surrado refrão de
Vanzolini : "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima".
quarta-feira, 8 de maio de 2013
FILOSOFIA DE FEIRA LIVRE EM BRASÍLIA
Nove horas da manhã, 24 graus, 8 de maio, centro de Brasília. Olho para o céu azul acima de mim bem aqui defronte ao shopping Pátio Brasil e imagino que num rápido e raso sobrevoo Ets pequetitos me enxergam bem acima deles. Sou apenas uma anônima figura de um Google street view assim como tantos outros que podem ser dar a importância que efetivamente não tem.
Se filosofar em alemão é mais propício , filosofar em português é algo precário ainda mais para repertório escasso no tema como o meu. Isso posto é preciso se lembrar sempre, sobretudo em Brasília, que todo poder é efêmero e que nunca se deve inebriar por qualquer emoção barata quando a gangarra aponta pra cima. Estou cercado e me interrogo ... a quem se deve devotar confiança e de quem se deve desconfiar ? sobretudo é preciso caminhar devagar para evitar tropeços mas a natureza torpe de algumas pessoas é tão previsível que fica fácil saber onde nos jogarão as cascas de banana para que escorreguemos. Pois com essa filosofia de feira livre me despeço com alegria e vos desejo bom dia.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Futuro do pretérito- Tropicalismo Now
A era do efêmero e do imediato não deixa espaço para digressões que não sejam no calor da hora. Mesmo assim arrisco palpite atrasado acerca do filme "Futuro do pretérito- Tropicalismo Now" lançado em fins de 2012 e dirigido por Ninho Moraes e Francisco César Filho , profissionais com quem trabalhei em épocas distintas de minha vida profissional.
Vi o filme - que teve curta exibição em poucas salas- só agora no Canal Brasil e o peguei andando, ainda no começo. Por isso nem me atrevo a ser leviano ao ponto de me dar por "especialista" e tecer loas ou críticas ao trabalho dos colegas. O que quero registrar nessa despretensiosa seção "miscelânea" do meu bloguinho é que gostei mesmo foi da pegada do filme , pra mim uma levada fiel ao espírito de reinvenção e releitura do tropicalismo. Os arranjos das canções revistas pelo André Abujamra, a mistura de ficção com documentário ( o que em geral não funciona tal qual o nefasto termo "docudrama") calharam bem embora alguns dos depoentes me parecessem meros estilhaços anos anos 60 ou 70.
"Tropicalismo Now" não é burocrático, não é mera colagem de acontecimentos idos e vividos. É uma contextualização bacana para os mais jovens de uma época onde era proibido proibir . Só não entendo como também esses diretores embarcam nos sempre óbvios "considerandos" do tal professor Wisnik , eterno legista do Tropicalismo, sempre tedioso e presunçoso. Enfim é questão de gosto. Vai ver que Wisnik nem é um legista e o Tropicalismo está mesmo vivo como supõe o Ninho e o Chiquinho. Pelo sim, pelo não, valorizado ou não Tropicalismo Now! Tem que assistir.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
GOETHE PRA CONSUMO DIÁRIO
Quiçá achem pedante citar Goethe a essa altura dos acontecimentos. Mas não estou querendo ser afetado, apenas tentando ser preciso com o que se passa no meu entorno pessoal. Seja ele local, planetário, profissional. O que importa é que a frase de Goethe "Onde a luz é mais forte as sombras são mais nítidas" é reveladora de certo estado de coisas. De repente são nos dias mais claros mesmo que a gente percebe as sombras que nos espreitam em formatos distintos escondidas sob lajes e marquises , ou bem ali ao nosso lado, beirando as calçadas.
Tenho horror a auto- ajuda mas faço um paralelo tosco com o gênero quando penso que quando de alguma forma brilhamos ( e todos brilham de tempos em tempos, com ou sem o ego lustrado) acabamos por ofuscar involuntariamente os que não tem luz própria ou os que são meros vagalumes que piscam e apagam, piscam e apagam.
A força da criação não está na desconstrução mas na tentativa de inovação. Não inovar é estar inerte e quem tem medo do novo não devia sair de casa. Jogar luz em zona de sombra pode também ser revelador. Que tipo de criaturas se escondem nas sombras com medo da luz ? Antes que isso acabe por parecer mensagem cifrada de Chico Xavier eu não vou mexer com o que não conheço. Fico no palpável de Goethe que garante que a luz forte é que delineia melhor as sombras. E viva o poder da observação. Aliás, melhor. Intuição com observação, eis a questão.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Imprecisões do tempo
Tomar um chá de baunilha com bolo de abacaxi debruçado sobre roteiros de uma série documental televisiva por enquanto mais técnica que humanista. O resultado , não por mim mas pelo assunto, promete ser assaz interessante e tento medir a temperatura dela em contraste com um friozinho inesperado que se projeta janela do escritorinho afora. Ou será adentro ? As imprecisões do tempo às vezes são tão palpáveis que quase as pegamos com as mãos. Sobretudo quando nosso clima interno não combina com o externo e as letras nas quais você navega também se tornam imprecisas quando sopram outras brisas...
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Quando a cidade era mais gentil
Martin Jayo é um caboclo discreto de quem sei muito pouco além de que é professor da USP. Imaginei , pelo facebook dele, que fosse docente de arquitetura mas o Google, esse devassador de intimidades, revela que é doutor em administração de empresas. Talvez Martin queira ser discreto para lançar mais luz em uma bela iniciativa que é seu blog que desde o título já é uma ideia feliz . Chama-se "Quando a cidade era mais gentil " (CLIQUE AQUI) e nesse manancial de blogs insossos e óbvios que pululam por aí se destaca de cara.
Martin reuniu um lindo acervo de fotos e lembranças do passado de São Paulo que evocam tempos mais amenos e salubres quando ainda acreditávamos no tal "sonho feliz de cidade". São contribuições muito interessantes vindas dos amigos dele e de anônimos colaboradores internéticos que fazem com que a gente trafegue nas imagens e informações com uma certa nostalgia poética e um tiquinho de tristeza. Mas tudo é muito clean e de bom gosto . Um aprendizado para tanto jornalista que não consegue fazer blog que vá além das estultices do momento ou de notinhas pseudo picantes sobre a conjuntura política atual. Já fazia tempo que eu queria falar desse blog por aqui mas a avalanche de informações soterrou a prioridade que agora resgato com alegria. E espero que partilhem do meu entusiasmo. E se quiserem ajudar o Martin a deixar o troço ainda mais bonito está aqui o e-mail do blog dele ... quandoacidade@gmail.com
quarta-feira, 10 de abril de 2013
No banco de uma praça de Genebra
Numa ponta do banco nessa praça fria em Genebra sentou-se o escritor Jorge Luís Borges aos 70 anos. Na outra ponta o escritor Borges aos 18 anos. No meio deles, figura abjeta e mortal, sentei-me aos 53 anos sem noção do meu próprio espaço mas aprendendo mais a cada dia.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Sem lugar no trem expresso ?
Diante do túmulo do soldado conhecido, no caso mais um amigo que tombou diante da trincheira, lanço um farol retrovisor em direção ao passado para iluminar os possíveis caminhos errados. Chove. Dia feio como convém aos dias fúnebres. Mas não quero aqui fazer um elogio ao funesto, ao imprevisível, à fatalidade. Quero apenas, diante do amigo morto, rever meus próprios pedaços que ficaram por aí, a esmo.
É ligeiramente dramático dizer que me posto diante da trincheira onde tombou mais um amigo. Dramático sim. Mas não estamos afinal numa guerra ? Inclusive com nós mesmos ? Minha geração acreditou em ícones e postulados que agora jazem desvalorizados. Esquecidos. E ressuscitar diante da nova ordem passa a ser cada vez mais difícil .Somos zumbis de uma outra era sem lugar nesse trem expresso que nos leva a destino ignorado.
São tempos difíceis reconhecia outro dia uma amiga. Eu e ela diante de um copinho de cachaça em pleno almoço de uma sexta- feira a saudar o amigo morto que abriu esse relato. Tempos difíceis onde é difícil envelhecer, difícil amar, difícil acreditar. Tem gente demais nos mesmos espaços e muita gente sem ética alguma a pisar em pescoços alheios para galgar posições nas escalas sociais.
Não vemos a juventude com desconfiança. Diria até que a vemos com esperança. Mas sucede que ao cedermos espaços aos mais novos, ao abrirmos caminho para eles, as vezes nós perdemos os nossos e as contas ainda vencem todos os meses. Não temos e não queremos aposentadorias. Temos o que acrescentar mas talvez não queiram mais nossos acréscimos. Sinceramente, diante do túmulo do desse soldado conhecido que só se alimentava de poesia e de cachaça , me sinto um estilhaço de outro tempo tentando arrumar um cantinho nessa atual viatura. Me espremo, me ajeito, me desajeito, mas não vou na janelinha. Mas como não nasci para apenas contemplar a paisagem não resisto à tentação de continuar interferindo nela. Mesmo diante do túmulo do soldado conhecido. Ou justamente por estar diante dele.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
No museu das canetas baratas
No museu de canetas baratas
peguei na pena mais antiga e ordinária
e redigi o mais pobre dos manifestos
das penúrias das frases
Me escondi ligeiro
imerso no meu museu pardieiro
onde contrato algum foi selado
porque o declarante sempre muda de lado
No museu das canetas baratas
o que se escreveu não se assina
e o que se assina não se sonha...
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