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ANO NOVO É BOLA DE CAPOTÃO

  ANO NOVO É BOLA DE CAPOTÃO       (crônica publicada no caderno "Cidades" do jornal "O Estado de S.Paulo" em 02/01/1997)                                                                                 É o ano novo e eu agora vejo um menino velho que deita na cerâmica vermelha do quintal   de sua casa bem embaixo de uma parreira de uvas miúdas. Pelas   frestas da folhagem ele observa atônito e quase assustado a   noite de céu limpo sobre a parreira e a sua cabeça. Ali faz contato com   sua primeira lição de filosofia porque ( seu beija -flor acaba de morrer) descobre que todos nós acabamos um dia e a terra há de comer esta nossa carne provisória.          Não existem balões no céu da Vila Paulicéia...

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