URROS DENTRO DE UM CONTAINER
URROS DENTRO DE UM CONTAINER Dentro de mim mora um banjo Vertigem visionária No rumo inverso da dor No calor do fogão a lenha Cozinham meu tropical estupor Vejo soltar dos ossos As carnes da minha geração Levo a mão à boca e peço: Deixem-me ficar por favor Mas meu tempo passou Minha unha ficou dura Não acredito mais em tradição E muito menos ruptura Há goteiras nos telhados Há fissuras na estrutura O dado e não emprestado Agora cobra o preço da fatura Rios de rugas contemplam faces Rio delas e prescrevo lavandas Bandas vieram, bandas passaram Acreditam nelas e nos encantaram Muito há de novo Sob a luz e me projeto nela Já com a pele cansada Vou do ABC a Roraima Já não procuro quase nada Subo num burrico O burrico sobe num elevado Nas frestas dele brotam crisântemos E um trio elétrico Dá choque nos passantes Sob o signo de virgem Erro outra vez nos detalhes Tenho gases e suores Minhas mãos bicharam E não alcanço ...

