TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Réquiem para o Jornal da Tarde

     Hoje faz muito calor , as pessoas discutem a validade (ou não) de se comemorar Halloween, o prefeito eleito beija as mãos que deve beijar, a Fashion Week começa com suas futilidades metidas a importantes , uma super tempestade machucou Nova York , a capital de alguns pseudo-paulistanos, os carros se engolfam num mar de congestionamentos turbinados por IPI zero e mais uma vez abrem shoppings e fecham jornais. Dessa vez o outrora paulistaníssimo "Jornal da Tarde" que apesar de ser apenas sombra do que era continuava respirando por aparelhos.
      Muita gente diz que a data de hoje ficará na história da imprensa. Temo que não. Mas enfim não é essa a discussão, A discussão ( ou ausência dela) é de novo reparar que mais uma vez colidimos com uma realidade que poderia ter sido evitada mas não foi. Morre o JT e com ele se vai mais um pouco do culto a um conteúdo perdido quando cada vez mais os jornais chafurdam num pragmatismo de gráficos, números, resultados, pesquisas , prognósticos, tendências e culto aos resfriados e miasmas de qualquer celebridadezinha de meia tijela. O jornalismo não se dá mais ao respeito. O jornalismo está morto e precisa se reinventar e a morte do JT é apenas mais um sintoma disso.
      No quase cínico editorial de hoje onde anuncia seu próprio fim o JT  diz que "sai de cena hoje para entrar para a história do jornalismo brasileiro na muito rarefeita  categoria das utopias realizadas". O que quis dizer o editorial ? que as utopias não são mais possíveis mesmo ? ou que simplesmente o sonho acabou ? e que Babel é essa que o editorial prenuncia  ? uma Babel onde a velocidade sem rumo e direção supera todos os dias a reflexão , a análise , o equilíbrio ? o que vale é a novidade pela novidade ? o que vale é velar nossos ideais e partir pra o que é possível ?
     Temo que esse clima de velório em torno da morte do JT só comova uns poucos mesmo. Aqueles que testemunharam como trabalhadores ou leitores de muitas aventuras criativas do JT. Eu fui leitor fiel. Colaborador mais ou menos esporádico seja como resenhista de livros nos anos 80 e 90 ou como cronista no começo do novo século. Tenho lembranças doces e divertidas da turma do outro lado do corredor do Estadão. Colegas queridos que se amontoavam na editoria de artes e espetáculos comandada pelo Edison Paes de Mello . O saudoso Edmar Pereira e mais Leão Lobo, Olney Kruse, Regina Ricca, Carlos Hee, Wilson Roberto Santos ( Watusi), Cris Giometti, César Giobbi e tantos outros. Isso sem falar da minha querida Maria Amélia Rocha Lopes que admirava como leitor ( inesquecível um perfil que ela fez do Gonzagão)  e de quem depois me tornei amigo nos primórdios do programa Metrópolis da Tv Cultura. Também poderia citar o ex- secretário de redação Ivan Angelo , o trepidante e saudoso Marcos Faerman, o Percival de Souza, Fernando Portela, Castilho de Andrade , o notável e inesquecível  Leo Gilson Ribeiro e tantos outros. Devo estar cometendo aqui muitas injustiças. Sucede que cada um tem dentro de si um Jornal da Tarde inesquecível.
      O poeta e jornalista Heitor Ferraz escreveu hoje , com precisão , que o Jornal da Tarde não morreu hoje. Já tinha morrido faz tempo com sua mão de obra mal paga e sua falta de rumos e caminhos editoriais. Talvez ele esteja certo. No entanto o fato dele estar morto mas circular era um alento. Agora, sem circular, só aumenta o vácuo que a gente vê no sol nas bancas de revistas. Quem afinal lê tanta notícia imbecil , vaga, manipulada e inútil como as que pululam por aí ? quem lê tanto texto mal escrito, mal apurado, mal pensado ?  Numa época em que chamam todo defensor ambiental de "ecochato" e todo defensor da cultura nacional de "xenófobo rancoroso" não me importo com a peja de saudosista. A morte anunciada do Jornal da Tarde não era tão triste quanto a morte real. Não estou de luto pelos Mesquita mas pelos caminhos que deixaram de ser trilhados e que nos levaram a essa triste encruzilhada de uma imprensa parcial,manipulada e cada vez mais sem credibilidade.  Foi-se mais que uma parte da história da imprensa brasileira .Foi-se mais uma dose generosa de utopia. Se ela foi realizada como diz o editorial de despedida argumento que ficou incompleta. Eu e muitos queríamos que o filme tivesse terminado de outro jeito.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

o balão é vermelho mas a política é anti-verde



   Red Balloon é uma escola que vende o conceito de ensinar inglês desde cedo para as criancinhas globalizadas. Deveria embutir nesse conceito "muderno" também o respeito ao meio ambiente, à vida, a preservação. Seria um bom pacote dois em um. Mas a escolinha prefere cimentar seus pátios e dar fluência ao idioma da matriz sem conjugações verdes.
   Essa é pelo menos a conclusão que a gente pode tirar de recente aberração cometida pela Red Balloon da avenida São Camilo no enclave metido a civilizado da Granja Viana, cercanias de São Paulo. Defronte à sede da escola havia uma imponente e nem tão antiga paineira que infelizmente aqui nessa foto (a única que achei) aparece feinha, desprovida da sua densa folhagem. Havia a paineira. Agora jaz. Primeiro foi violentamente podada e depois simplesmente extirpada . Um flagrante ensinamento de não preservação para os olhos das criancinhas que falarão inglês. A estupefação deu-se como sempre se dá na Granja Viana. Alguns notaram, alguns comentaram mas nada se fez. A mídia local (sempre de pires na mão mendigando quireras dos anunciantes) praticamente se calou com exceção do "Jornal D' aqui" que publicou indignado protesto de uma moradora saudosa do verde ( quase extinto) da Granja. Ao comentário da leitora veio a resposta da escola do balão vermelho e da política anti- verde. É de um cinismo atroz. Leiam e tirem suas conclusões :


Agradecemos muito a sua preocupação. A Paineira estava na nossa fachada na Granja Viana desde antes de abrirmos a escola, há sete anos. Foi com muito pesar que tomamos esta decisão depois de vê-la adoecer lentamente. Tentamos recuperá-la, mas infelizmente há dois anos que a nossa árvore não dava mais folhas. Descobrimos recentemente que ela estava infestada de cupins que apodreceram seus galhos. Grandes galhos começaram a cair dentro da escola e também na Av. São Camilo, colocando todos em risco. Chamamos um biólogo para avaliar a situação. O laudo entregue pelo biólogo infelizmente confirmou a nossa suspeita de que a árvore teria que ser cortada.


(...) A única preocupação que tínhamos quando aceitamos a necessidade de corte da árvore era garantir a segurança dos nossos alunos, pais, funcionários e de todas as pessoas que circulam pela Av. São Camilo, de carro ou a pé. A natureza e o respeito ao meio ambiente fazem parte da nossa rotina. 


Contamos com a sua compreensão. Temos certeza que você entende a necessidade de prezarmos pela segurança de todos os granjeiros que passam aqui em frente, sejam eles alunos da escola, ou não.


    Tenho paineiras em casa. Conheço bem elas embora não seja biólogo. A que ficava defronte ao Red Balloon não dava mostras de estar doente e é solene inverdade que não desse folhas. Tinha muitas inclusive no momento da poda. Eu passo defronte todos os dias e posso atestar isso. Paineiras são pouco suscetíveis a cupins e a que foi derrubada não dava o menor sinal de estar sendo comida por eles. Até que se prove que laudo é esse e que biólogo disse essa estultice ( se é que disse) só cabe a mim duvidar do que está escrito acima. O tronco sólido, serrado quase no talo, não tem qualquer sinal de perfuração por cupins . E o argumento da Red Balloon parece tão falso, tão para inglês ver, que no lugar da paineira derrubada sequer se deram ao trabalho de plantar aquelas ridículas palmeirinhas que condomínios predadores como Alphaville tanto gostam.
   O gesto gratuito, brutal, descabido tira mais um pouco do pouco verde que aqui temos. É simbólico por representar bem o "modus operandi" dos que aqui estão chegando, a maioria na contramão da "civilidade" que eles tanto apregoam. Nos tais países do primeiro mundo onde se fala o inglês que a Red Balloon ensina é cada vez maior uma onda verde que preserva ao menos árvores em quintais. Aqui , num lugar que deveria ser verde, o balão vermelho manda ver a motosserra pois uns galhinhos podem colocar em risco a segurança dos petizes globalizados. Red Balloon não se dá ao trabalho sequer de passar uma mãozinha de greenwash na sua fachada. São é predadores mesmo.
inglês a partir dos 3 anos e deseducação ambiental para todas as idades.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

CORAÇÃO DESELEGANTE



Você sabe assim,
descobre assado,
que o coração teu
este que sempre esteve a seu lado
é um coração deselegante
sujeito a trovoada
oscilação de temperatura
fúria da mulher amada

O coração deselegante
palpita alto
não fala baixo
sua bastante
e vem à boca
quando as emoções são caras

O coração deselegante
não está nem aí pra etiqueta
desanca preço
ri da parte racional do nosso ser
o coração é o haver
o cá está
o que faz com que qualquer lua cheia
nos reduza a pedacinhos
ou que qualquer canção singela
o parta em partes outras

O coração deselegante 
não combina roupa
anda sem sapato
come sem prato

O coração deselegante
é falante
mas mesmo que fosse rouco
ia querer tão pouco
até mesmo a placidez do silêncio

onde as palavras ressuscitam miudinhas
e de recados
ganham a proporção de ladainhas...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Persigo São Paulo no dia da eleição




    Como cantava o saudoso Itamar Assumpção “eu persigo São Paulo, São Paulo sou eu”. Sou eu, é você , somos milhões. Com toda essa ziquizira esfuziante, esse caos de insegurança e de ternura, toda essa superpopulação, toda essa feiura estampada em avenidas áridas e pessoas inconstantes, toda essa fobia social e essa necessidade de aproximação eu persigo São Paulo.
   Persigo São Paulo mais ainda não quando a garoa não cai ou a cordialidade evapora. Persigo quando uma eleição se aproxima . E sobretudo se é uma eleição pra prefeito aí é que persigo São Paulo. Onde é que nossa cidade se esconde entre tantas promessas inócuas e discursos vazios ? Onde está essa cidade estatística , esses números que na verdade são carne e ossos acumulados em vagões e ônibus espremidos ? Onde é que essa São Paulo múltipla se estampa ? Onde ela desabilita a carranca e ainda consegue um suspiro de otimismo ?
   Sim, persigo São Paulo quando vejo a cara de todos eles que querem cuidar da nossa cidade. Na cara de nenhum deles vejo um compromisso verdadeiro, uma intenção sincera, uma real vontade de mudar. É triste ver que por trás do sorriso tem compromisso de cargos, distribuição de cotas, salários , benefícios. Triste constatar que por trás de qualquer aperto de mão eleitoreiro eles estão a fortalecer alianças não conosco mas com os de sempre. Alianças que nos colocarão em um torniquete de uma cidade cada vez mais inviável.
   E por que tenho a certeza de que a cidade que eu vivo a perseguir é inviável ? Simples. Porque em nenhum deles, os candidatos,  há uma mudança radical de postura, em nenhum deles há uma quebra de paradigma ou o enfrentamento real dos paradoxos. Nós perseguimos a cidade e eles nos perseguem pedindo o voto. Perseguimos São Paulo e São Paulo somos nós. Daí que longe de pregar o voto nulo eu tenho que pregar o voto desalento. Como perseguir uma cidade melhor se nossa única opção é votar no menos pior ?  

Lá vai São Francisco pelo caminho...

         Hoje é dia de São Francisco de Assis. O primeiro hippie, o primeiro pacifista, o primeiro ecologista, um superlativo humanista. Minhas mais sinceras homenagens ao santo que é melhor do que toda a igreja católica junta. Um homem que sempre soube que o amor é a mais poderosa das forças e hoje me deu mais uma prova que o amor tudo pode. Prefiro seu retrato pintado pela "luz" divina da inspiração e talento do imortal Caravaggio que em 1606 fez essa linda interpretação desse santo meditando. Diante deles, do pintor e seu inspirador ,me sinto nada.

Meus livros

Meus livros
CINEVERTIGEM

O BRASIL É FEITO POR NÓS ?

VALENTÃO

FRANGUINHO SEBASTIÃO

DIA DE SUBMARINO

DIA DE SUBMARINO
DIA DE SUBMARINO

FALTA DE AR

FALTA DE AR
FALTA DE AR
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