Registros de minha passagem sobre a terra


         O assombroso artista plástico Arthur Bispo do Rosário  chamou de "Registros de Minha Passagem pela Terra" a reunião de sua obra completa, inclusive um famoso e lindo manto que o levaria ao céu, tudo resultado do que ele produziu  durante os cerca de 50 anos em que esteve internado com esquizofrenia na Colônia Juliano Moreira, um hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro que tive a chance de conhecer. O hospital e a obra completa que ainda estava lá logo após seu falecimento. Redundando ele  acreditava ter recebido uma missão divina. Ele reuniu, catalogou, bordou e transformou objetos do cotidiano em sua coleção para, no dia do Juízo Final, poder se apresentar a Deus e mostrar os registros de sua passagem pela terra.

    Uso a expressão e o nome preciso dado pelo Bispo do Rosário para tentar agradecer aqui, como tem sido sempre nos últimos anos, as muitas pessoas virtuais e reais que deram um tempinho de seu dia para me cumprimentar pelas redes sociais, Zap, messenger ou qualquer maneira de amor que valha a pena pelos registros de minha passagem sobre a Terra.  Como sempre eu fico grato, como sempre tento retribuir a gentileza e como sempre acho que isso é insuficiente diante desse mundo de indelicadezas e brutalidades. 

    Na (pelo menos pra mim) assombrosa nova jornada , a sexagésima sétima ao redor do sol, me assombro com a jornada agora velhice adentro, com aquela nostalgia da juventude, mas grato pelo que tem passado pelo caminho. Principalmente amigos e amigas que nos dão as mãos não só quando estamos ao sabor dos ventos favoráveis. E antes que eu enverede pelas planícies dos lugares comuns aviso que vim ao mundo num dia frio , mais do que o de ontem. No entanto as manifestações de carinho sempre nos envolve naquela flanelinha quentinha  do acolhimento. Grato a todos.

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