FAST FOOD NATION


Ninguém vai perder um minuto de sono ou se remoer de culpa depois de comer um hambúrguer suculento num mcDonald's da vida. Mas após assistir "Fast Food Nation" como eu fiz ontem vai pensar duas vezes antes de ingerir o que os ianques nos vendem como uma das maravilhas do mundo moderno.
Não sou politicamente correto mas hambúrgueres em geral e os de fast food em particular nunca foram meu prato preferido. Sempre que cedi foi por pressão do filhote – hj rapagão de 19 anos – que me fazia entrar nesses ambientes assépticos e encarar filas medonhas pra consumir as tranqueiras que a molecada do mundo todo aprecia. Mas algo nisso tudo nunca me cheirou bem....
Ontem ao ver "Fast Food Nation"(de Richard Linklater, baseado no livro de Eric Schlosser),uma bem acabada parábola da sociedade de consumo americana e sua sanha por lucros, voltei a pensar na velha frase de que “o ser humano é uma experiência que não deu certo”. E mais não conto. Corram para o cinema ou esperam o filme sair em dvd e não percam . Ainda mais que "Fast Food nation" conta com excelentes e surpreendentes atuações de Bruce Willis e Kris Kristoferson que, convenhamos, não são nem Laurence Olivier e nem Marlon Brando. Mas, vejam e creiam, nesse filme eles estão arrasando.

Comentários

tania disse…
Não vi o Fast Food Nation mas passei o final de semana mergulhada no escurinho. Um destaque para ser lembrado: CEM PREGOS, DE ERMANNO OLMI, aquele da ARVORE DOS TAMANCOS... Pois o danado, aos 76 anos, conseguiu fazer um filme estranho, em que um intelectual violenta um de seus bens mais preciosos: o livro.Como se não bastasse, o intelectual professor abandona todos os bens materiais e vai viver pertinho da natureza. Uma natureza que já está perdendo espaço para a destruição que chega junto com o chamado progresso. O ex-professor é praticamente adotado pela comunidade de um vilarejo às margens do rio Pó. Pessoas simples, boas, ingênuas como quase não se vê mais por aí, cada uma com suas idiossincrasias mas essencialmente solidárias.
O personagem do professor, um ator israelense que se parece muito com Jesus Cristo (aquele que a gente aprendeu a conhecer nas fotos e pinturas), acaba sendo tratado como o dito cujo pelos habitantes do vilarejo. E meio que incorpora algumas atitudes do "salvador dos homens". Um filme diferente, um olhar estranho sobre a religião e sobre os seres humanos.Um filme que trata com carinho o comportamento exótico e fora de lugar nos padrões consumistas e moralistas do mundo de hoje. Um olhar de mestre, eu diria.

OS INVISÍVEIS APARECEM

Também gostei muito de um documentário dirigido a cinco mãos por cineastas de vários países do mundo, INVISÍVEIS. O filme é um lançamento da ong MÉDICO SEM FRONTEIRAS, a produção executiva é do talentoso espanhol Javier Bardem e entre os cineastas destaco o episódio dirigido por Wim Wenders. O alemão leva ao pé da letra a palavra invisível e ela toma corpo na tela, num belíssimo trabalho de edição. Você sai do cinema com gosto amargo na boca. Porque além dos nossos invisíveis brasileiros entramos em contato com os invisíveis da Africa, da Colombia, da Bolívia.... São relatos duros e contundentes de mulheres do Congo estupradas por soldados e homens em geral, crianças de Uganda sequestradas por exércitos rebeldes, a população da República Central Africana que morre por falta de medicação para a "doença do sono", bolivianos que não resistem à doença de Chagas e sucumbem por falta de remédio. É isso mesmo:os laboratórios pararam de investir no tratamento dessa doença de gente pobre. E ainda temos um belo relato sobre "los desplazados" colombianos. Pessoas que passaram boa parte de suas vidas sendo desapropriadas e expulsas de suas terras. Gente que se reuniu num centro humanitário criado por ongs como o Médico Sem fronteiras e que hoje trabalham para reconquistar o direito de voltar para o que é seu. Um importante, triste e belo registro dos esquecidos, dos segregados, dos marginalizados.
Outro dia, lendo um comentário de um documentarista negro americano, que veio para o Festival do Rio, pensei em tudo o que estamos vivendo nesta terra carioca, linda e violenta. Pensei nos gritos histéricos das platéias que aplaudem a tortura de bandidos capturados pela polícia. O cineasta, chamado Stanley Nelson, diz que estamos nos habituando a culpar as vítimas da sociedade pela sua própria miséria. Deslocamos o nosso olhar e não estamos dispostos a abrir mão de nada para ajudar a acabar com essa miséria exposta. Uma frase tão simples, uma verdade tão transparente. Um beijo para todos.
disse…
Assisti apenas ao Super Size Me e já fiquei chocada. Valeu a dica!

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