O CICLO DA CANA DE AÇÚCAR NÃO ACABOU


Na noite dessa quinta- feira , 6 de setembro, ali no auditório do SESC da av. Paulista tive o prazer de ser apresentado pela amável psicanalista Maria Rita Kehl ao professor e historiador Luiz Felipe de Alencastro que leciona História do Brasil na Universidade de Paris 4 Sorbonne .
Vê nosso país de fora pra dentro com rara perspicácia e acuidade intelectual . Conta a seu favor inclusive o fato de ser muito fluente ao falar e muito agradável de ser lido o que o torna um estranho entre seus pares pois tirando ele mais a própria Maria Rita, Roberto da Matta, Nicolau Sevecenko e poucos outros é muito difícil ler o que os intelectuais brasileiros redigem.
Estou ali no auditório do Sesc até outubro acompanhado um ciclo de debates chamado “Mutações” , organizado por Adauto Novaes. Esse ciclo pretende discutir as novas configurações do nosso mundo e vai virar uma série de programas sob a minha direção produzidos para o SESC TV.Palestrantes do quilate de Luiz Felipe de Alencastro , Francisco Oliveira, Olgária Matos , Sérgio Paulo Rouanet e a própria Maria Rita
(que fala em 20 de setembro a partir das 19 hs)estão se alternando entre Rio , São Paulo, Belo Horizonte e Salvador até 5 de outubro para discutir temas que giram em torno do tema geral MUTAÇÕES.
Luiz Felipe falou sobre os três tempos da história, um conceito enraizado em Fernand Braudel, para nos deliciar com um raciocínio em torno das involuções e evoluções brasileiras a partir do ciclo da cana de açúcar . Um ciclo que funda o nosso país e , ao contrário do que muitos pensam, não terminou . Essa é a tese que Alencastro dividiu com raro savoir –fare junto aos que puderam ter o privilégio de assistir a esse encontro. Em dado momento da conversa de Alencastro - quando ele citava as mazelas da cultura da cana na região de Ribeirão Preto- Maria Rita rabisca em meu bloquinho essa observação : “ Em Ribeirão Preto , a população carcerária do município , em conseqüência das concentração de renda promovida pela cana , é maior que a população da área agrícola do município”“ Informação alarmante passada para Maria Rita pelo temido líder do MST João Pedro Stédile. Ou seja... o assunto abordado por Alencastro que vive fora do Brasil é mais do que pertinente. Ainda mais agora que o mundo globalizado quer o etanol de segunda geração , um degrau após o nosso álcool canavieiro. E agora Brasil, e agora Lula ???

em tempo : coloquei link para a página do professor Luis Felipe logo acima

Comentários

Marrie disse…
Deixei-te um comentário no post "Filha russa"..... volto depois c/mais tranquilidade p/melhor conhecer a tua casa.
bjs e até breve
Saulo disse…
Quanto a cana, é uma discussão pouco diferente do que a paranóia geral divulga.
1- A cana na região de Ribeirão Preto tem mais de 40 anos.
2- O clima e as terras de Ribeirão Preto não servem para outra coisa, ou gado, ou café irrigado,ou laranja. Laranja temos terra ruim de sobra, não faz falta.
3- Não há plantação de cana individual tipo produtores de soja, milho, trigo ou café. Cana quem planta é a usina.
4- Plantações de cana individual só pequenas e médias propriedade muito poucas, para fazer pinga, rapadura, açúcar mascavo, e estão concentrada no nordeste.
5- Só se planta cana perto da usina, a cana não serve para estocar, como os grãos, o processamento é imediato.
6- As usinas raramente compram terras ou arrendam, o dono das terras viram cotistas da empresa, desaparece, não faz mais nada, tudo fica na mão da empresa, eles recebem parte do lucro presumido por mês, e no final do ano acertam as contas, se o presumido for maior a usina continua pagando, mas o cotista passa ter uma conta devedora ou credora, tudo no final será acertado com a terra. Esse modelo será de difícil implantação no centro-oeste. Os produtoras de lá´tem condições de plantar mas não de ter usina própria. A logística é difícil e cara.As usinas terão de comprar suas próprias terras, e isso não é vocação delas. Usinas longe de portos e do consumo sãos inviáveis. Dificilmente vão concorrer com o biodisel de soja, que é outra história com muita bobagem dita também.
4- A 36 anos Ribeirão tinha 160.000 habitantes contra quase um milhão hoje, e quem sustentou isso? Sítios de 20 hs. com plantações de mandioca do MST? Ou foram as usinas gerando empregos e atraindo investimentos? Fabricas concentram renda e distribuem empregos, usinas também, mas na trilha vem as favelas e a marginalia, como em qualquer cidade.Transformar as complicações do capitalismo em soluções tipo reforma agrária em cima de usinas de álcool, ganhei o dia, muito gozado.
4- A cana com esse modelo não vai disputar espaço nenhum com o gado a soja e a produção de alimentos, muito menos derrubar floresta em Manaus.
4- A cana como plantação individual é muito pouco rentável e não há demanda diversificada, só se fizer a própria pinga ou álcool, no caso em média escala a pinga é muito mais lucrativa.
5- Tudo isso é o medo que os europeus e americanos tem do potencial agrícola do Brasil, é fácil levantar historinhas para justificar subsídios, protecionismos, etc.E sempre vai ter intelectuais bem informados para catastroficar na mídia esses pontos. Soja transgenica, a destruição do planeta pela cana, o milho assassino, o café psicopata com alto teor de cafeína matando velhinhas pelo mundo, etc, etc.
O Maragato
Jorge Urtigão disse…
Esse Maragato pelo menos parece ser do ramo...mas confunde suas ponderações com certos argumentos anti- ecológicos. Tanto o modelo da cana como o da soja podem ser de desenvolvimento sustentável. Ou soja e cana não combinam com isso ?
Fato é que ele não nos respondeu uma coisa : com a globalização do uso de etanol ( leia-se álcool)Bush e seus asseclas vão querer partir pra uma outra fase transformando nossos canaviais em milharais pra alimentar o mercado americano de etanol??? aguardo respostas...
Saulo disse…
Caro Urtigão.
O conflito etanol de milho e álcool de cana é mercado internacional. Os Estados Unidos são os maiores produtores de milho do mundo, plantam de maneira protegida e altamente subsidiados, mais que o dobro do Brasil. É isso que esta sendo discutido em Dhoa e na OMC, o fim dos subsídios americano e europeu. O Brasil não tem política agrícola e nem proteção aos produtores. Os juros agrícolas brasileiras são 120% maiores que o deles. Não atingimos ainda nem 40% do nosso potencial de produção de milho, no MT nem 20%, Temos terra para milho e cana, cada um na sua região de vocação. Essa substituição que você teme não tem nenhum sentido. O milho brasileiro é pouco exportado porque alem de não existir política agrícola, temos o problema de logística, armazenamento e transporte. O milho do MT é comprado por menos de um copo de choop, porque tem viajar de forma precária mais de 1500 kms até o porto de Paranaguá ou de santos. Isso seria resolvido em parte, com a abertura da estrada 163 de Cuiabá a Santarém, impedida pela louca da Marina, estamos perdendo mercado e milhões por dia. O álcool brasileiro é muito mais barato que o etanol americano feito a partir do milho, essa é abriga e a ameaça brasileira. A produção de açúcar de beterraba na Europa é muito cara, no entanto em função dos subsídios, concorre com o açúcar brasileiro no mercado internacional.
Depois que o P´T implantou a flutuação do dólar, o Bush pode fazer qualquer coisa com a produção agrícola e industrial do Brasil, é só mandar uma enxurrada de dólares para cá no momento certo, e estaremos inviabilizados, com o dólar a 1,30 e pronto, estamos ladeira abaixo. Podem tudo menos substituir cana por milho. A respeito da produção sustentável, para não ficar muito longo me explique esses conceitos, que eute repondo com prazer, tem muita coisa legal nessa área.
Se a produção de baixa tecnologia em pequenas propriedade coletivizadas fossem o caminho para agricultura, a África seria o paraíso.
O Maragato.
Anônimo disse…
Caro Urtigão, gostei do nome ou apelido?
Desenvolvimento sustentável:
Estratégia para o desenvolvimento econômico e social que implica a satisfação das necessidades básicas das gerações atuais sem entorpecer a capacidade das gerações futuras para satisfazer as suas.
Se a definição de sustentabilidade
for essa, soja, cana, milho tudo pode se enquadrar, existem varios modelos de produção diferentes sendo usados, se quiser discutir, vamos ser mais específicos, preciso saber a sua visão desse conceito, enfim do que você realmente está falando. A floricultura é a produção mais antiecológica do mundo, onde a terra é pasteurizada a 90 graus, porque ninguém discute isso? E está em franco desenvolvimento, principalmente no nordeste. Estamos falando de produção organica? Que não é necessariamente ecológica? De agricultura limpa como se referem os adeptos do Plantio Direto? De rotação de culturas, de conservação de solos? Ou você está usando o conceito como a maioria, uma panacéia idealisada, como se fosse uma receita de bolo, pronto e acabado. Cansei ouvir isso, em manifestações políticas de grupos diversos, em varias ocasiões, pura bobagem, no jornalismo então tem uma meia duzia que usa isso com argumento exatamente onde falha o conhecimento. Aguardo esclarecimento.
O Maragato.
Jorge Urtigão disse…
Maragato ou Saulo ?

respondendo aos seus dois comentários: sucede que desconheço a questão da floricultura que você aborda. Mas posso te dizer que a impressão que tenho é que não é tão simples a substituição do milho pela cana quando temos milhares de trabalhadores empregados na colheita da cana (as máquinas como vc sabe são bem caras) que serão descartados com o milho . Essa é apenas uma questão que talvez diante de sua análise meramente tecnicista não tenha grande importância. Outra questão , a que me parece mais polêmica , é que passamos anos desenvolvendo tecnologia pra fazar álcool da cana e quando parecia que esse era o modelo que devia ser levado pra fora vamos apenas nos render às conveniências ianques que prefere tirar álcool do milho??? de novo vamos nos ajoelhar com a complacência de pessoas como vc ??? logico que vamos né ?? afinal somos meramente uma colônia que deve expandir suas fronteiras agrícolas sem prejudicar os interesses da matriz né mesmo ? me elucide essa questão ... como milhares de pessoas ( latifundiários ou não) vão substituir cana por milho???hein hein ?
abs
urtigão, que é um apelido...
Saulo disse…
Urtigão. Você não leu ou não entendeu nada do que escrevi. Não há nenhuma possibilidade de substituir a cana por milho, não faz nenhum sentido, da onde você tirou uma idéia estapafúrdia dessas? Ao contrario a cana vai crescer muito principalmente no centro oeste. E o problema é exatamente o crescimento da cana em detrimento da soja, milho, gado e algodão. Em goiás o medo é o crescimento da cana em Rio Verde por ex.prejudicar os investimento feitos para o biodisel de soja, mamona, etc.Correm o risco de ficar sem produto. Não precisamos expandir fronteira nenhuma para produzir mais milho, só não fazemos por falta absoluta de preço e mercado, não conseguimos concorrer com a produção subsidiada dos EUA e Europa. Fazem 20 anos que o Brasil luta para colocar o nosso modelo de álcool no mercado internacional, é o nosso sonho, até o Lula está nessa luta. A discussão real é a seguinte: se os EUA vão produzir milho para energia, vai diminuir a oferta para o mercado de alimentação, e vai diminuir a área de soja deles, criando oportunidade de preço e mercado para o Brasil, Índia e África.
Só 1/3 da área agrícola já produzindo e aberta existente no MT fossem de milho já era o suficiente para o Brasil e parte do mercado internacional, sem contar com a produção potencial do RS, SC, PR, MA, MS, PA, BA, TO, MG e GO. Os EUA e Europa são nossos concorrentes e eles não querem comprar nada, manipulam subsídios para nos inviabilizar, eles não querem nem nosso álcool, nem nossa soja, muito menos o nosso milho, entendeu? Entendeu ? A produção de cana daqui para frente será feita por maquinas que já estão sendo nacionalizadas, estão iniciando o modelo de plantio direto, com isso vão evitar as queimadas necessária na colheita manual, protegerão o solo e vão parar de contribuir com o aquecimento global. E o destino dos bóias frias é em pouco tempo acabarem, desaparecerem pelo menos na colheita de cana. Em São Paulo esse ano se pretende colher 50% da produção de forma mecanizada, e totalizar 100% em no máximo 5 anos. Acho que você está fazendo altas confusões. O mercado agrícola é muito complexo, você não tem pré requisitos para esse assunto, e deve estar, como muitos ouvindo muita, mas muita bobagem sem nenhum sentido. Da onde, o que levaria as usinas que custaram milhões substituírem a cana por milho, se não damos nem conta do nosso mercado, o álcool no Brasil é mercado cativo, quem larga uma teta dessas? Ta louco! A maior besteira que ouvi em 2007.
Nem que o milho virasse ouro, por hora não tem preço nem para ser produzido em roça do MST. Na verdade o milho em grande parte do Brasil só serve para rotação de cultura, mas o que você entende disso? Nada, então paro por aqui.
Saulo - O Maragato quando mal humorado.
Jorge Urtigão disse…
Eu não entendo nada desse assunto mesmo. Por isso estava perguntando pra vc que parece ser do ramo. Acontece que seu discurso está contaminado por aquele velho ranço de latifundio que acredita que se o mal é inevitável ( fim dos plantadores de cana por exemplo) que se lixe a consciência. Tipos como vc que só pensam em si que destroçam qualquer sentido comunitário nesse país. No mais grato pela "aula". Eu não sei muito a respeito mesmo e andam falando por aí que Bush quer milho mesmo pra acabar com nosso álcool... sei que a cana preda mais que o milho.Mas até parece que seus amigos fazendeiros estão lá preocupados em predar menos ou mais... o que vale é o dinheirim pra queimar em Las Vegas depois né??? ou você prefere Miami???
Saulo disse…
Urtigão - qual é o seu problema? Continua insistindo nessa bobagem do Bush acabar com a nossa cana, isso nunca vai acontecer, são duas coisa distintas, isso é impossivel,
por diversas razões, e o Bush esta andando com o nosso milho que nem consegue participar do mercado munial. Se você escutou essa idiotice por favor esqueça, o mercado da cana e o alcool só vai crescer no Brasil por muito tempo. Quem vai para o saco são só os boias frias, com a mecanização.
Preciso ser mais claro? As suas afirmações sãos absurdas, só provam que você nem sabe do que esta falando, é melhor parar por aqui, essa sua linguagem é ridicula, não da nem para discutir seus adjetivos ao meu respeito, afinal qual é sua área? Só curioso. Se for procure se informar melhor. Não saia por ai espalhando informações intelectualmente desonestas. A globalização nunca aconteceu na agricultura, nem vai acontecer tão cedo.
Saulo - O Maragato.

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