OS NOSSOS MORTOS

Não é finados e nem quero entristecer ninguém. Mas quero falar de nossos mortos. Os que morreram de verdade e aqueles que morreram dentro da gente e que talvez sejam os piores pois ficam apodrecendo nosso interior, minando nossa psique pois não sabemos porque foi mesmo que morreram pra nós e porque provocamos ou permitimos essas mortes. Tenho alguns desses mortos dentro de mim e na verdade poucos me incomodam. Na verdade com alguns nem me importo pois ao morrerem pra mim me deixaram alíviados. Quanto a alguns poucos, esses me doem pois queria ter resolvido com eles algumas pendências. Mas eles não me pedem perdão nem eu peço perdão a eles e assim vamos morrendo um pouquinho todos os dias por não sabermos perdoar. E para que isso se depois morremos de verdade ? Penso nisso sempre que alguém que partilhou um pouco de minha vida parte . E principalmente penso isso quando alguns se vão tão bruscamente como Marina Gomes que se foi nessa quarta - feira quando eu voltava do Rio e sequer pude comparecer ao seu sepultamento no cemitério da Lapa paulista. Marina foi das primeiras pauteiras do extinto programa LITERATURA que eu dirigia e apresentava e que ficou muitos anos no ar na rede sesc - senac de televisão e em outras emissoras públicas de tv. Gostava de livros e autores, era uma grande colaboradora, incentivadora e bastante crítica ao meu trabalho o que é importante pra gente não perder a medida e nem o bom senso. Me questionava e peitava o tempo todo porque tinha conhecimento de causa e eu lamento não ter podido voltar a trabalhar com ela. Sequer sabia que ela estava doente e sua morte me pegou de surpresa. O máximo que pude fazer foi acender uma vela por ela e desejar que esteja bem do outro lado. Marina, lamento... muitos mortos ficam vivos na gente...Porque o tempo passa mas a dor não esfria...morrer é se desligar da tomada sem aviso. E os que ficam , egoístas, lamentam pelos que foram sem nos pedir autorização.

Comentários

Maz disse…
meus sentimentos sinceros, espero que se cure o quanto antes, desta triste partida. sei que não existem palavras que possam nos consolar em momentos como esse, e que pessoas assim, como você a descreve, são insubstitutíveis e estarão sempre presente por todos seus bom feitos!
"Morrer é se desligar da tomada sem aviso..." concordo com o fato de sermos egoistas, mas o pior de tudo, é quando fica o sentimento de culpa, talvez por eles terem ido, sem ao menos ouvirem de nós, tudo o que sentimos em relação à eles... :/
Linkado :*
Lilica Mora Aqui disse…
vim agradecer seu comentário e conhecer seu espaço. Aliás, tudo muito interessante. Lamento chegar em um dia tão triste. Também guardo dentro de mim algumas pessoas que passaram, não acho ruim, agradeço a oportunidade, mesmo que breve, da convivência.
São os dramas humanos. Dolorosos mas plenos de sentidos.
Beijo e apareça quando quiser.
K. disse…
A morte é um bicho traiçoeiro mesmo. Para quem vai e para quem fica. Lido bem com a possibilidade da minha. Mas, me apavora a idéia de que as outras pessoas (especialmente as que amo) morram. Em 2006, meu ex morreu um mês depois de nossa separação de 6 anos morando juntos. Uma separação muito, muito, complicada, especialmente para ele, que não queria. A sensação foi exatamente a que você descreveu. De muitas coisas ditas (que não deveriam) e muitas que deveriam e não foram. Quase dois anos depois, às vezes, ainda acordo com ódio dele por ter ido assim, sem aviso. E, às vezes, triste, pq sei que ele queria viver.
Aprendi muito com isso. A morte de alguém próximo sempre bagunça e põe à prova alguns valores, sentimentos, postura. Eu passei por uma profunda transformação depois disso.

Fique bem.
um beijo carinhoso em vc.
SAMANTHA ABREU disse…
amém por ti.
e silêncio, que é preciso.

sou uma morta diária.
Quanto você diz no começo sobre nossos mortos, eu me sinto uma delas.
Morro e renasço todos dia.
Agradeço, apenas, por poder renascer.

Obrigada pela visita ao blogue.
E quando eu disse que escrevo para ser outras, é isso: nasço, todas as manhãs, dentro de almas que não são minhas.
E gosto assim.


Parabéns pelo blogue.
Beijos.
lamento pela sua perda. como você bem acentuou, há mortos que vivem na gente e há vivos que morrem dentro da gente. eu tive as duas perdas recentemente e sei bem como é isso. vive-se para morrer, esse é o fato. eu também sou egoísta ao ponto de querer morrer antes daqueles que amam. mas, a pior morte, de novo, é aquela em vida. abraço.
Rego disse…
A gente tá torto prum lado! Marina foi um dos alicerces do nosso encanto pela vida. Vinícius escreveu quase isso, generalizando, e eu uso aqui para dizer sobre a tão querida amiga. e continuo com Vinícius: "Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos..." e ela se foi sem o tempo de ficarmos mais perto.... Saudades dela, saudades de ti. Beijos

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