RUMO A ESTAÇÃO COLÔMBIA 2

Em post do dia 15 de setembro do ano passado eu prometia que assim que a revista Rolling Stone colocasse link para a matéria sobre a Colômbia - que escrevi para a edição número 3 de dezembro de 2006- eu repassaria para os leitores desse blog. Naquela ocasião a Rolling Stone ainda não estava on line no Brasil . Agora está e, aproveitando o ensejo de que o assunto Colômbia volta à tona com força total , eu repasso o link para vocês . Cliquem aqui e conheçam um pouco do multifacetado conflito colombiano pela ótica desse que vos fala. A matéria começa assim :


Muito além do impressionante conjunto arquitetônico da Plaza Bolívar, dos caricatos traficantes colombianos fabricados por Hollywood, das margens do rio Magdalena, dos livros de García Márquez e dos rebolados de Shakira, a Colômbia é um país desconhecido para os brasileiros. Espremido entre a guerrilha e o governo, não cabe nas definições simplistas e nos comentários jocosos. É um enorme enigma que tentamos em vão desvendar nessa viagem que passa pelas FARC, pelos paramilitares, o povo e o seu presidente. Muitos anos depois que uma multidão enfurecida incendiou e destruiu Bogotá, muitos anos depois que esse incêndio gigantesco e esse ódio caudaloso se espalhou em uma corrente de magma – quente, mortal e perigosa – por todos os cantos da Colômbia, muitos anos depois que os linchamentos e saques, depredações e pancadarias mancharam de sangue ruas e avenidas pondo fim ao IX Congresso Panamericano que acontecia na capital colombiana, os descendentes daqueles que participaram desse derrame incontrolável de testosterona olharam para os céus, para as planícies e planaltos, para o Mar do Caribe, para o enorme rio Magdalena e para os rostos dos netos dos insurgentes e resolveram parar.

O dia dos conflitos sangrentos. O dia do vulcão explodir, o dia do caos absoluto foi 9 de abril de 1948, data marcada nos livros de história colombiana como Bogotazo. Trinta e cinco anos depois, ao meio-dia de 7 de dezembro de 1983, durante dois sagrados e infinitos minutos, milhares de colombianos fizeram uma pausa interna em favor da paz no país que tem muito mais que os 100 anos da solidão que a guerra provoca. A guerra na Colômbia remonta a tempos imemoriais, tempos dos quais nem a avó desalmada de Cândida Erendira há de lembrar dentro da ficção delirante de García Márquez. ( continua no link acima para os que estiverem interessados)

Comentários

rm disse…
Excelente matéria, Ricardo.

Apesar de não poder concordar com algumas de suas conclusões, dou meus sinceros parabéns pela qualidade jornalística.

Gostaria de fazer mais uma sugestão, se me permitir: caso não existam impedimentos contratuais ou de outra natureza, por que você não publica essa matéria, da forma como está lá, em pequenos capítulos, aqui no seu blog?
Ricardo Soares disse…
ana, gracias ...

rm ... posso publicar sim em capítulos aqui no blog ... mas vc não acha que isso ia cansar o leitor ?... a reportagem é imensa e minha experiência de publicar em capítulos anteriormente ( o conto São Bernardo do Campo) parece ter sido infrutífera do ponto de vista de comentários...abs e gracias pela força
Patty Diphusa disse…
Ricardo, vi ontem a matéria no blog, mas já estava conseguindo vencer minha insônia e não li. Hoje veio antes de eu chegar perto da vitória sobre a perda de sono. Que bom. O texto é ótimo e mais uma vez lamento não ter visto o documentário. Apesar de não trabalhar com tv, adoraria ter feito parte da equipe que esteve com vc lá.
Agora, ainda buscando o sono, vou comentar sobre o dormir no post de cima. bjs
rm disse…
Meu caro,

Foi só (mais) um pitaco, você é que entende dessa praia. Mas permitiria ao menos que o seu público blogueiro (principalmente aqueles mais jovens, que tem certa aversão a textos mais longos) tivesse acesso a essa matéria, que está mesmo, sem rasgação de seda, muito boa.

Também poderia vir numa tacada só ou num número menor de capítulos. Ou inaugurar um espaço lateral, com fotos, quem sabe pequenos vídeos, etc.
Manyukeh disse…
Ricardo, licencinha da ignobil de plantão, queria mesmo é dizer, (consequência da sindrome de Tourette que me assombra e prolixia aguda), que a Ivete está com cara de psicopata na cover dessa edição.
Amedrontei-me.
Dito.
Beijos
Many
Alexandre Core disse…
A matéria está muito boa realmente. Só não posso deixar de registrar que quanto ao conteúdo tenho que discordar da forma branda e até com certa simpatia com que tratou os pretensos guerrilheiros.

Um abraço,

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