A COLÔMBIA POR VEJA E POR CARTA CAPITAL


Antes que a semana acabe quero lembrar ao amável leitor uma curiosa peculiaridade de nossa mídia nativa . Uma exata impressão de como o conflito colombiano é tratado de maneira absolutamente antagônica dependendo de quem fale sobre ele. Na semana posterior à morte do comandandante guerrilheiro Raul Reyes e a crise internacional que essa morte provocou a revista VEJA trata os que protestaram contra a invasão do Equador como cães danados em sua capa pouco sutil onde coloca chefes de estado como "Feras Radicais". Em outra mão a CARTA CAPITAL de Mino Carta mostra na capa o presidente colombiano Álvaro Uribe ( com o espectro de Bush ao fundo) dizendo que o o continente rejeita o "ataque preventivo" de Uribe . Ou seja , se um inca venusiano chegasse ao nosso planeta e tentasse entender essa crise teria visão diametralmente oposta dependendo de que revista lesse. O pior de tudo não é isso e sim as eternas imprecisões, achismos e chutes sobre o que se passa dentro da sociedade colombiana. E nisso todas as publicações estão se nivelando pois partem de uma leitura ideológica do conflito e não em uma leitura dos fatos como eles são. As vezes fico me perguntando se o muro de Berlim caiu mesmo...

Comentários

Pinto disse…
Olha, enquanto Alan Neto nao der a opiniao dele sobre o assunto, estou nas trevas.
rm disse…
Ô Ricardo,

sinto-me pouco à vontade para comentar, pois que não li nenhuma das duas matérias.

Mas não me parece de todo mal que expressem visões diferentes ou antagônicas. Pelo contrário, ainda bem que não estamos sujeitos (nós e os "incas venusianos") à ditadura da versão única.

PS: eu não sou do tempo do Nacional Kid não, viu? (rsssssss)
Bob disse…
Sobre a veja prefiro nem comentar, estou numa fase de boicote total e irrestrito a ela. Agora, mesmo assim, pelo menos, como apontou o RM, temos visões diferentes para os eventos.
Pablo Pamplona disse…
As idéias antagônicas poderiam ser postas à mostra em ambas as revistas. Eu não acredito em imparcialidade, mas acho que jornalismo deveria ter um pouco (pelo menos um pouco?) mais de ética e responsabilidade.
Talvez valha dizer que eu acredito em Papai Noel.
abs,
Ju disse…
o que RM colocou é um fato importante: pluralidade de idéias. mas agora pergunto: quantas pessoas leêm carta capital? e veja?
O.o
Ricardo:
O lance nessa história toda é que uma revista nunca é apenas uma revista.
A Veja defende um tipo de ideologia, que é aquela vinculada aos interesses do "grande" capital. O interessante de nossa época é que temos uma classe média extremamente subserviente, pacificada que está pela lógica do entretenimento. Essas revistas são, em certo sentido, uma espécie de anestésico... "vamos esperar os próximos movimentos, pra ver no que vai dar..." e aí ninguém faz mais nada.
Nos países presididos pelas tais "feras radiciais", os problemas são enfrentados de frente. Aqui, tem sempre alguém pra apartar... o "público" consumidor da revista Veja é exatinho esse tipo de gente. Tá comendo farelo do bolo, mas adora babar nos pedaços maiores. E nisso, continuamos nosso caminho rumo ao abismo..
Revista Veja? Não veja...
franka disse…
raro eu ler revistas, ricardo, mas fico impressionada com os rostos desses presidentes.
já reparou como são esquisitos, gorilões e furiosos?
Marcio Gaspar disse…
o que me irrita muito é a arrogância de muitos jornalistas - aquela coisa de achar que sabe tudo e que confunde ideologia com reportagem, conceito com preconceito. eu, que um dia já fui jornalista, digo hoje que cada vez sei menos, cada vez tenho menos opinião formada/fechada sobre qualquer assunto. sobre o problema 'colombia', por exemplo, só daria uma opinião mais profunda e/ou definitiva se analisasse atentamente cada um dos lados da questão, se convesasse pessoalmente com representantes de cada facção, se passasse ao menos um mês por lá...
Blogildo disse…
Só caiu a parede, Ricardo. O resto ainda está de pé.

Veja só, eu mesmo não considerava Reyes um "comandandante guerrilheiro". Considerava-o um terrorista. Pura e simplesmente.

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