JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS


      Hoje eu ia escrever sobre a epidemia de dengue no Rio de Janeiro ( estou com medo! ) que acometeu até Luciano Huck, o princípe dos mauricinhos. Ou talvez fosse escrever sobre a "luz difusa do abajur lilás" que tem contado com muitas adesões aqui. Mas a blogosfera é sempre um navegar imprevisível e ao dar uma passeada entre os visitantes que aqui aparecem fui ter no blog de uma jornalista de Blumenau, a Gê. Pois a Gê, que eu já conhecia, tem linkado no blog dela uma tal de Dra. Repolha... simpático o blog da doutora como podem ver e ler. Pois ali chegando me deu um estalo . A "doutora" falava em um de seus posts sobre um autor que sempre quis falar aqui mas acabava adiando ou esquecendo. Aliás ele e seu livro mais conhecido ( O meu pé de laranja lima) andam esquecidos.
   Estou falando de José Mauro de Vssconcelos , um nome que pode não dizer muito para as novas gerações mas que (pasmem !) nos anos 70 era tão popular no Brasil quanto Paulo Coelho e vendia tantos livros como Jorge Amado. Adolescente eu mergulhei na leitura de muitos livros do Zé Mauro que faleceu em 1984 aos 64 anos.
    Me impressionou principalmente um chamado "Barro Blanco" que era ambientado nas salinas de Macau no Rio Grande do Norte. Gostei de muitos livros dele inclusive do singelo "Meu pé de Laranja Lima", a história do garoto Zezé que resiste ao tempo muito embora, desde sempre, a crítica considere José Mauro um autor menor e datado. Aliás , talvez venha daí o começo de minha implicância com a crítica e com os "acadêmicos" da literatura. Eles sempre espinafraram José Mauro e Jorge Amado e os colocaram na estante dos autores menores e populares. Como se vender muitos livros fosse sinônimo de pouca qualidade. Sempre que lia criticas pesadas contra os dois me sentia um ignorante pois prezo esses autores até porque são fundamentais no meu desejo de continuar escrevendo. Devo a eles e a Monteiro Lobato, Francisco Marins e Fernando Sabino minha irremediável paixão pos livros e autores.
  Aliás , quanto a José Mauro de Vasconcelos , tenho um episódio singelo pra contar. Em 1975, no auge de sua popularidade, já não me lembro como e nem porquê, fiz chegar a ele uma porção de contos datilografados caprichosamente por uma tia. Eu tinha um contato dentro da editora Melhoramentos - que publicava os livros do Zé Mauro- que fez chegar meus pobres originais de menino de 15 anos ao escritor que eu tanto admirava. Para meu espanto algum tempo depois recebi um amável bilhete dele, escrito numa letra grande e bonita, onde ele não me desestimulava a continuar seguindo em frente apesar da evidente ruindade dos meus textos. O episódio deixa claro dois fatos : o quanto eu era um cara de pau e o quanto Zé Mauro não tinha soberba. Seu gesto naquela época equivaleria a hoje o senhor Paulo Coelho ler e comentar em bilhete escrito pelas próprias mãos o livro tosco de um menino de subúrbio. O que acho improvável .

Comentários

G disse…
Mas é claro que conheço. Li e reli "O meu pé de laranja Lima" e ainda vi o filme. Zé Mauro e Monteiro Lobato foram os ícones da minha meninice
rm disse…
Também sou dessa geração. Além de "O meu pé de Laranja Lima", que virou filme e, se não me engano, até novela, lembro-me de ter lido outro livro tristíssimo, do qual não me recordo o título, talvez você saiba...

Mas não posso deixar de fazer aqui uma provocação: pra que serve mesmo esse estúpido ministro da saúde?
Anita disse…
Posso até não ser uma "gente grande" com meus dezenove anos. Mas eu conheço muito bem esse livro e admito que foi minha paixão na infância. :)

Algumas observações:

1. Não sei se estou sozinha nessa... mas acho a literatura de Paulo Coelho um tanto questionável. Não gosto, simplesmente. E olha que eu sou fã incondicional do gênero que ele diz escrever. Textos desconexos, histórias mal-acabadas...Típico best-seller que se vê em prateleiras de supermercados e máquinas de venda no metrô. Um tanto radical, eu sei... Enfim.

2. Essa história de dengue me causa um pânico absurdo. Primeiro: não sou fã de insetos. Segundo: não moro no Rio, mas surtos não conhecem fronteiras. E do jeito que a população E(ler em tom "Datena", obrigada. rs) o governo são descuidados, não duvido nada para que São Paulo logo se torne um novo ponto de epidemia. (Duvidar não duvido. Mas espero que não aconteça!)

3. A citação de Oscar Wilde... ah, Oscar! Uma visão tão absurda sobre as mulheres...mas às vezes tenho de concordar. rs

De qualquer maneira, obrigada pela visita :)
E vamos trocar figurinhas! heh
Sou uma estudante de Rádio e TV bem curiosa e falante...já viu no que dá, não? rs

Um grande abraço!
Anita
Marcio Gaspar disse…
'meu pé de laranja lima' é um livro tristre pra cacete e foi um trauma na minha infância?adolescencia, mas é realmente bem escrito. o filme, que veio anos depois, transformou aquele potencial 'vale de lágrimas' num dramalhão mexicano da pior espécie.
"O Meu pé de Laranja Lima" foi um livro marcante na minha infância também. Gosto da forma como o autor escreve esse texto, mas não conheço outros dele. Boa dica, Ricardo.
Quanto ao Paulo Coelho, meu problema com ele é que ele escreve pensando demais no leitor...
E acho o Jorge Amado regionalista demais, não sei...
E é sempre bom recordar nossas influências literárias da infância, não? Me lembro também do "Menino do Dedo verde" e, óbvio, do Monteiro Lobato. Além destes, há também o "Robinson Crusoé", que ainda não conheci um garoto que não tenha lido e gostado, e o "Destino de Perseu", com a história da medusa, que tanto povoa o nosso imaginário. E há o Salinger e o Kafka, que li na adolescência...
Enfim, boas lembranças...

Abraços
leve&solto disse…
Que delícia lembrar José Mauro de Vasconcelos e da minha ligeireza pra ler "meu pé de laranja lima".. me marcou muito minha leitura na época!

Paulo Coelho? Era pra comentar? Melhor não né?!rs

bjos

Mara

PS.: Passei por essa loucura/medo da dengue na cidade onde morava no ano passado... É assustadora a situação, pois todos que perto de mim estavam tiveram. Eu e meus filhos tivemos sorte...passamos incólumes! Mas o medo permanece diante da situação atual, não só no RJ.
Dra. Repolha disse…
"O meu pé de laranja lima" foi o meu primeiro livro e continua sendo o meu preferido até hoje... Perdi as contas de quantas vezes li, reli, e me emocionei.

Obrigada pela visita. E obrigada por citar meu humilde blog aqui!
Silvana Tavano disse…
Esse episódio que você contou me fez lembrar de outro, tão singelo quanto... Eu nem era tão menina assim -- acho que já tinha uns 18 anos... Era 1976, talvez, não tenho certeza. Enfim, escrevi um texto que, na época, quis mandar para um concurso. E resolvi citar um poema de Carlos Drummond de Andrade no capítulo final do "romance". Era um poema muito longo -- chama-se "A Bomba". Não lembro porque, mas achei que devia pedir algum tipo de permissão ou opinião ao autor e não pensei duas vezes: enviei o volumoso original (de qualidade bastante discutível, devo dizer!) para a casa do poeta. Ele não só leu, como me escreveu -- tenho guardado até hoje o cartão com seus comentários e sugestões. Uma atitude assim tão carinhosa e gentil parece impossível hoje, não?
Silvana
Luciana Carvalho disse…
Li "O meu pé de laranja lima" pela primeira vez qdo eu tinha 12 anos e jpa perdi as contas de quantas vezes reli, eu amo esse livro. Sempre me perguntei se esse livro é autobiográfico. Será que é?

Beijos
Ju disse…
nossa...li aos 12 anos o "Meu pé de laranja lima". tenho certezaza que se hoje amo a literatura dedvo muito a esse livro. parabéns pela escolha do post!
Ju disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse…
"Rosinha minha canoa" de José Mauro de Vasconcelos, um dos livros mais belos que já li.Indico para quem não ainda não leu, é simplesmente maravilhoso.

Eliane
Anônimo disse…
amo o josé mauro desde os 10 anos de idade e fiquei muitissimo feliz com seu comentário sobre ele neste post.
voltarei em breve e adorei a história sobre ele ter respondido seus originais com um bilhete, sempre o imaginei, sem soberba alguma.
josé marcelo disse…
Li O meu pé de laranja lima na minha infância e continuo lendo de vez em quando (estou com 42 anos) e vi o filme esse ano. Tenho quase todos os livros do José Mauro, só falta O menino invisível e estou tentando escrever a biografia desse grande brasileiro. Com certeza ele foi um dos grandes escritores brasileiros e até hoje é lido por quem gosta de se emocionar com uma boa literatura. Além de ter lido os livros, vi os filmes A Ilha (do Walter Hugo Koury) e Floradas na Serra, em que o José Mauro trabalha como ator. Sugiro aos leitores que gostaram de O meu pé de laranja lima que assim que tiverem oportunidade, leiam os outros livros que também são muito bons. Um grande abraço.
Cem Ceboglu disse…
I do not know your language. I am from Istanbul, Turkey, 38 years old male,a teacher and I love Jose Mauro de Vasconcelos. I read "o me pe de laranja Lima" every year. I have read this book once a year since I was 13.Never ever had I seen the photo of Vasconcelos , 2 months ago I saw his picture. I had tried to find out information about him, but nothing much had I gathered. I really want to know about his life, I want to know if he has any relatives, family, children.Can you help me, is there any way I can find more about Vasconcelos? I hope you can help me. Zeze is a part of my life, just like so many people. CEM CEBOGLU cem.ceboglu@hotmail.com
Vamos Aquecer o Sol é meu livro de cabeceira desde 1979 até hoje.
José Mauro de Vasconcelos, com seu estilo emotivo de contador de histórias, deixou um vazio ENORME na nossa literatura. Uma pena estar sendo esquecido. Seus livros têm uma inocência que [infelizmente] parece não caber no mundo de hoje. Pena, pena mesmo...
Dias atrás, fiquei emocionado ao encontrar o raríssimo O Menino Invisível na Estante Virtual. Não vejo a hora de receber o livro...

Postagens mais visitadas