DOMINGO DE CHUVA NO RIO

Descobri hoje, depois de muitos anos indo e vindo ao Rio de Janeiro, como o cariocas procriam. Eles procriam nos dias de chuva, quando a garoa vem de viés e um vento nordeste bate nas partes baixas do corpo esfriando os arroubos tropicais e a libido. Aí eles se recolhem , confundem chuva com frio, se agasalham, escondem-se sob edredons e fazem crianças e pipocas. Descobri, enquanto caminhava perto do meio dia bem próximo ao caminho dos pescadores no Leme, que os cariocas se recolhem nos seus conjugados, apartamentos e sobrados e ficam viúvos de sol fazendo crianças e planos para o futuro. O calçadão da Atlântica estava espantosamente deserto (como nunca vi), as bicicletas e as pessoas não circulavam , a praia estava vazia e meu coração paulistano aflorou no meio da garoa achando que nessa manhã o deserto Rio de Janeiro era só meu.

Comentários

ANGELO ALFONSIN disse…
Que maravilha, Ricardo, de texto.
Um desenho autêntico extraído da tua privilegiada pena, compatível com o jornalismo que praticas.
Lembrei Rubem Braga, meu cicerone dos sentimentos da cidade.
Esse é exatamente a imagem que tenho do Rio no inverno como um carioca adotivo.
O que eles consideram inverno para mim é primavera.
Chego na praia e parece que a cidade é só minha.
Uma cidade que não merece os malucos que a dilapidam, mas que resiste pela paixão dos adotados.
Sig Mundi disse…
Oi SUMIDO, passei pra deixar um beijo! Andrea
Aline disse…
Parabéns pelo blog Ricardo!!!
Blog com conteúdo é o canal dos dias de hoje!!
Entre no nosso blog tb...
sobresaltos.wordpress.com
Mr. Fart disse…
Olha, isso daria uma belíssima canção... nostalgia digna de Vanzolini, Capiba, Adelino Moreira.
Na voz do Cauby, então, ê, coisa boa, sô!
Devaneei? Talvez. O texto, contudo, propicia isso: faz-nos sentir transportados para outro lugar.
Alvíssaras, prezado!
elisabete cunha disse…
Ricardo

http://elisabetecunha2008.wordpress.com/
novo endereço da elisabete.
deixe um recadinho pra ela!
toda pura disse…
...e são nesses dias de chuva que os cariocas se apaulistam um pouco, e percebem como a garoa, o edredon e o aconchego são igualmente felizes.
E que, por esquecer o sol, podem reconhecê-lo no retornar do céu azul.
E fazer pipoca, e tentar filhos (só por brincadeira!), e morder a orelha e colocar aquele filminho que tantas vezez foi largado meio sem dono no canto da estante, substituem, com garbo e alegria (mas só por alguns dias, por favor!) o mergulho salgado, o chopp gelado e o limão e mate com polvilho.
Como é boa a diferença, não é mesmo, Coração de Leão? E não é melhor ainda saber que, afinal, o sol vai voltar a nos aquecer na próxima semana?
E que a gente ainda pode combinar aquele frescobol à beira das ondas do mar do Leme...
Dauri Batisti disse…
Lindo texto, leve, bem humorado. Na verdade, um poema.

Sou aqui marinheiro de primeira passagem por este porto e gostei muito. Parabéns.
Edna Federico disse…
riso...bela teoria essa sua e faz todo sentido!
Beijo
El Deme disse…
¡Y pensar que en Agosto estaré en Rio de Janeiro!
Me acordaré de ti, Ricardo.
Marcelo disse…
Lindo texto.
Também gostei muito.
Abraços caminhoneiros
Marcelo
Silvana Tavano disse…
oi Ricardo,
gostoso esse texto com jeito de bossa nova!
beijo, Silvana
Ricardo Soares disse…
colocar um textículo desses pra fora, sem pretensões, e ainda receber afagos de amigos que não vejo há tempos, de blogueiros que me prestigiam, da filha que deixa um beijo e de anônimos que me convidam a jogar frescobol na praia é muito mais do que eu pretendia para um dia de frio...adorei os mimos... beijos a todos
may shuravel disse…
E que venham mais domingos chuvosos, se eles te motivam a escrever belezuras como essa...
um abraço
May

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