EXÉRCITO OCIOSO ?


     Pode até ser simplismo mas me parece muito grande o número de soldados e oficiais do exército no Rio de Janeiro que tem uma saudável vida matinal , sempre correndo pelo calçadão e pelas areias da praia do Leme,em animados exercícios físicos, enquanto a cidade partida padece dos hediondos males que aparecem com a ausência do aparelho do estado. Onde o estado não chega a bandidalha se instala seja através da presença dos traficantes seja através dessa nova praga que são os paramilitares , aqui auto-intitulados "milicianos". Foram eles que inclusive torturaram uma jornalista, um fotógrafo e um motorista do jornal " O DIA" numa favela da zona oeste carioca no mais novo escândalo que costura as rodinhas de papo aqui no Rio. Enquanto isso é a cena mais comum do mundo vermos os bem nutridos rapazes do exército darem gritos de guerra imaginários nas areias do Leme e adjacências o que solidifica aquela impressão ( errônea ?) de que o contribuinte paga o exército para ficar fazendo educação física. Pelo menos em boa parte do Rio de Janeiro , cidade cheia de quartéis e de milicos como a Urca não nos deixa mentir. Isso me parece escandaloso e urge uma mudança na legislação visto que uma das atribuições de nosso exército seria  (teoricamente) garantir a integridade de nossos cidadãos quando nos vemos ameaçados. Ou será que o Rio não está em guerra e os tiros que ouço vindos dos morros Babilônia e Chapéu Mangueira são de mentirinha ? Por coincidência nessa manhã eu liguei o noticiário matinal da Tv Brasil e vi o Rubem César Fernandes (do movimento Viva Rio) dizer exatamente a mesma coisa : que o nosso exército devia trabalhar em conjunto com a policia carioca e com a comunidade para garantir que as coisas não piorassem. Rubem diz inclusive que tem feito trabalhos no Haiti e que lá tem se contido a criminalidade com a junção de forças entre polícia, exército e comunidade. Se o Haiti é aqui e já faz tempo por que será que nosso exército continua fazendo apenas educação física e se divertindo em quadras bem instaladas como as que vemos acima  (essa no forte Duque de Caxias,no Leme) enquanto os cidadãos ficam à mercê de uma polícia bandida ?

Comentários

mundo azul disse…
...sim! Por que será? Há muitas coisas acontecendo em nosso país, que nem Deus entende...
Gostei bastante do seu texto!
Beijos e muita luz...
rm disse…
Bão, Ricardão?

Acho importante mexer no vespeiro, melhor que empurrar para baixo do tapete; mas é difícil concordar com essa sugestão, abraçada hoje por muitos setores, principalmente no Rio.

Mas não é "só" uma questão constitucional, a proposta sofre de falta de aderência à realidade. Resumidamente, as principais desvantagens que decorreriam dessa nova atribuição das forças armadas:

a) soldados não são treinados para trabalho policial, mas para matar;

b) no caso dos efetivos militares, ainda menos competência teriam. Talvez ficassem à disposição apenas os conscritos e suboficiais, ou você acha que os oficiais deveriam ir para as ruas?;

c) correr-se-ia sério risco de ver contaminadas, pelo mesmo tipo de corrupção, as corporações militares;

d) se for só pra enfeitar, fazer número; melhor utilizar (ou quem sabe aprimorar) a chamada Guarda Nacional.

Mais ainda: em todas as experiências, ocorridas no mesmo Rio de Janeiro, não se observou expressiva queda da criminalidade.

Acho que temos que mexer na Constituição sim, mas para criarmos uma nova polícia - desmilitarizada, "democrática" e eficaz -, livre do cancro que hoje corrói o sistema de segurança pública.
Jaya disse…
"Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui..."

Lá pelo final, quando você fala do Haiti, só lembrei dessa música de Gil e Caetano e das tantas críticas que ela engloba.

Tudo continua, como em círculos. Engraçado como os fatos passados se repetem, apenas com maquiagens diferentes.

Gostei daqui, Ricardo. Fiquei babando com teu perfil, teu gosto pra literatura e música. Quero ser assim quando eu crescer! Rs.

Obrigada pela visita.

Beijos.
toda pura disse…
Concordo que é tentadora a idéia do exército nas ruas quando pensamos que uma certa paz adviria.
Lembro-me quando da Rio 92 (cujo melhor resultado foi o samba de Lenine para o Suvaco do Cristo: "Eco no ar, manda avisar, abre os seus porões,Brasiiil!"),os tanques de guerra apontando pra Rocinha, soldado por todo lado, podíamos andar de madrugada por Copacabana na maior das tranquilidades. A zona sul foi, então, um oásis de calmaria.
Com soldados por todos os lados, tanques de guerra apontando pra Rocinha...
Não, não dá. Concordo com RM: exército não é para isso, mal consegue fazer seu trabalho nas fronteiras! Nem a PM, corruptela militar que herdamos da ditadura.
Prefiro crer numa inteligência policial civil e bem treinada, em investimentos sérios em Educação, em trabalhos sociais eficientes que gerem esperança aos que já nascem condenados à marginalidade.
Exército nas ruas é paliativo e me cheira a toque de recolher.
No mais, é torcer para que "bala perdida" seja um saquinho de Drops Dulcora esquecido na gaveta...
Roseane, disse…
Esse negócio de ociosidade tá me preocupando...tomara que encontre teu carro roubado.
leve&solto disse…
Toda Pura, Toda Pura.... nem todos conhecem drops Dulcora.... Apenas nossa geração...rsrsr

Mais um dica sobre você!!! rs

Ahhh, nem falei sobre o exército praticando fitness...rs Mas o RM já falou por todos!

bjs

Mara
may shuravel disse…
Toda Pura, como sempre, disse tudo e disse bem...

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