VAIDADES LITERÁRIAS


"Ele costumava não suportar a maioria dos escritores como pessoas, sobretudo se admirava o trabalho deles. Mais valia jamais encontrá-los. Melhor seria se fossem de papel e estivessem encadernados"

a frase é de CEES NOOTEBOOM (foto) no livro "Paraíso perdido" que ainda não li mas que foi entusiasticamente recomendado pela intrépida blogueira "K" do Incompletudes. A frase que ela pinçou tem a ver com um post anterior onde eu dizia sobre a simpatia de autores extraordinários e a antipatia de alguns que pouco ou nada são mas que se acham a mais linda azeitona da empada literária tupiniquim.

Seja por falta de opinião própria, por covardia, por omissão , por não querer "ficar mal na fita" , por falta de senso crítico ou mesmo por ignorância, a mídia nativa bajula alguns desses entojos literários alçando-os à condição de gênios incontestáveis. A mídia nativa aliás não tem nenhuma opinião literária. Salvo raras exceções ela se pauta pelo interesse das grandes editoras ou pelo interesse dos editores de cultura dos grandes jornais e revistas, uma parte deles escritores frustrados ou desprovidos de talento. É um triste moto-contínuo que dura faz tempo . Um assunto intocável pois se tocado não renderá benesses aos "boca-rotas" e muito menos convites pra cobrir eventos elitistas onde os pedantes pululam como a tal FLIP que sinceramente não consigo entender porque é tão valorizada. Essa gente sequer se envergonha de escrever bem sobre um mau livro de um colega de revista ou jornal. Um patético corporativismo que acaba escondendo talentos literários como de uma craque como Ivana de Arruda Leite ou omitindo o talento já conhecido de uma gigante como Márcia Denser. Enquanto isso dá-lhe ruindade ! com o show de auto-promoção de tipos como Fernanda Young , Márcia Tiburi ou a "deeeeeeeennnnnnnnnsaaaaaaaaaa" Patrícia Melo que concebe suas tramas violentinhas pesquisando com muito afinco a internet e os arquivos de jornais e revistas. Parece se regozijar com a alcunha de " Rubem Fonseca de saias" e se dá uns ares de grande importância. Imagina , como eu já disse, se essas moças tivessem o currículo de Guillermo Arriaga.

Por tudo isso louvo a frase do Nooteboom que me mandou a intrépida k. Apenas ressalvo que antipatia não significa que eu não vá ler o autor. Não os quero como amigos nem mesmo como namoradas se fêmeas forem. Por isso livro com prazer a cara de alguns antipáticos como Bernardo Carvalho que apesar de altos e baixos é um escritor da maior competência.

Todas essas tolas pensatas me vêem a mente no momento em que escrevo essas mal traçadas na sala de imprensa da 20º Bienal Internacional do Livro de São Paulo que independente de ser um feirão muito barulhento que tenta aproximar o leitor comum dos livros promove todos os dias desfile dos egos inflados de autores, editores e até de alguns professores. Pior senhores e senhoras é a feira de vaidades literárias que se reúnem em patotinhas muito fechadinhas. Portanto , acreditem, é muito melhor ler o blog da intrépida K. do que muitas das moças vaidosas que escrevem nesse país. K. nos deve um livro. Mas,no entanto, se um dia ela publicar um livro e ele for ruim a culpa não é minha. Muito menos se ela se tornar antipática como algumas autoras aqui mencionadas...

Comentários

Querido Ric

se eu publicar um dia e for um sucesso (bom ou ruim), serei insuportável... rs rs rs

vou deixar essas "suas meninas" no chinelo....


.
.

:P

rs rs rs

pronto.. já passaram os cinco minutos de fama de pseudo-escritora..rs..

usando uma frase do mesmo autor, ele diz que "escrever é saber observar"....

e quem só olha para o próprio umbigo não tem tempo e disposição de observar o mundo.

logo... tire suas próprias conclusões.


beijo... :)


e coisa boa ai na Bienal tem? rs
Francisco Castro disse…
Olá gostei muito do seu blog.

Parabéns!

Um abraço
sp disse…
Muito bom!

Um abraço...
Só posso dizer que assino embaixo.Embora eu não seja ninguém. Se quiser conferir, tem uma entrevista minha sobre o assunto no http://www.danielslopes.com
Abraços,
Daniel.
Marcia Barbieri disse…
Adorei o texto. Penso sempre no assunto e adorei a definição de Patrícia Melo: "Rubem Fonseca de saias".
Beijos,
Márcia
Ô Ricardo, ser citada como talento obscuro no seu blog ilumina meu dia e minha vida. Obrigadíssima!
Um beijo
Cláudia disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Cláudia disse…
Depois dessa ávida crítica, tenhamos nós a sorte de encontrar um livro seu nas prateiras... mas eu, que nunca escrevi nada publicado por editora e que sei que publicar algo não é sinônimo de best-seller, não deixo de admirar quem, de alguma forma, se lança à escrita. Importa mais o falar do que o agradar e conjugar esses verbos no tempo presente é uma arte rara, muito rara... ;))
Arroba disse…
Passei por acaso, fui baixando o texto e, constactei uma vez mais que, o que se passa aí no Basil no panorama literário é semelhante ao que por aqui vai em Portugal. Como diz uma velha frase portuguesa (que já nem sei se é ou não provérbio): "As moscas mudam, mas a porcaria é sempre a mesma. Perdoe-me a ironia.
Porque será que só ós mortos tem direito ao reconhecimento? Em vida, definham o corpo para pagar a conta do reconhecimento na Eterna (Idade).
Abraço luso.

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