O VOTO NULO E O JORNAL NACIONAL

O "Jornal Nacional" de hoje fez uma reportagem que é um verdadeiro libelo contra o voto nulo como se ele ilegítimo fosse. O tosco argumento encontrado por esses verdadeiros defensores da cidadania e da imparcialidade é que quanto mais votos nulos e brancos tivermos menor será a legitimidade de quem for eleito. Sim , pois os políticos serão eleitos com menos votos ! brilhante conclusão que não explica os motivos pelos quais o cidadão não tem o direito de votar nulo ou branco. Se nenhum candidato nos agrada, se ninguém merece nosso voto pra vereador ou prefeito por que não devemos votar nulo ou branco ? Ora, porque o "Jornal Nacional" não acha bacana, o "Jornal Nacional" acha que isso não é exercer a cidadania e blá blá blá...

Ora, toda vez que esses argumentos são repetidos minha pele chega a pipocar . Fico tiririca quando não consideram o voto nulo ( ou branco) como um instrumento legítimo de protestar contra toda essa escória política que aí se encontra. Dizer que votar nulo ou branco não pode porque menos pessoas decidirão nosso futuro é argumento ? Ora, o mesmo direito que tem um eleitor de votar em quem quiser tenho eu de não votar em ninguém . E é o que farei.

Desde novembro passado moro entre Rio e São Paulo. Voto em São Paulo. E votarei nulo. Se votasse no Rio também anularia. Motivos não me faltam mas no caso paulistano me explico. Até algumas semanas atrás votaria em Marta Suplicy sem o menor entusiasmo. Tipo voto útil para evitar um mal maior como Kassab ou o insosso Alckmin. Sucede que Marta perdeu definitivamente meu voto por um motivo aparentemente pueril. Perguntada por um repórter do CQC sobre dívida de 1 milhão de reais na campanha passada ( ou seja , muita gente foi caloteada e não recebeu) ela simplesmente disse que a dívida era problema do partido e não dela. Como alguns sabem tenho verdadeiro horror a caloteiros. Calote denota desvio de caráter que foi exatamente o que eu disse no vídeo que pus no Youtube pra denunciar um velho calote de campanha ( ano 2000) que me passou o deputado megalô Ciro Gomes e sua ex, a insípida e inodora Patrícia Saboya que vai perder a eleição em Fortaleza. Quando Marta praticamente também se assume como caloteira perde meu voto ainda que fosse um voto de má vontade. Esse voto não lhe fará a menor feita e eu fico bem comigo mesmo. Não existem também boas opções para a vereança em São Paulo pois não vejo ninguém seriamente comprometido com qualidade de vida, verde, meio -ambiente, opções para os carros e o caos urbano. Portanto que o Jornal Nacional não me aborreça com esse tipo de repto ao voto consciente. BLEARGH !!! como diriam os quadrinhos !!!

Comentários

elisabete cunha disse…
Ricardo

Nem discuto o serviço de INUTILIDADE pública em que se resume o Jornal Nacional,um jornal estéril,onde as notícias são pausterizadas de acordo aos interesses globais.A campanha pelo voto limpo, voto consciente e outros preciosidades utilizadas por autoridades respeitáveis deste país, como “O Brasil está em suas mãos”, “O Brasil é tão bom quanto o seu voto”, o eleitor é “o patrão” etc., implicam numa mensagem cujo sentido é acusatório, responsabilizando o eleitor pelos políticos que temos e, por extensão, pelas falcatruas praticadas por estes. Ou seja, a culpa é do eleitor. Parte-se do princípio de que a representação política funciona e de que o eleitor tem controle sobre o seu representante. Ora, não precisamos ir à Brasília para constatar o fosso existente entre o representante e o representado, basta avaliar como os representantes atuam no micro-espaço de uma universidade pública, na qual são eleitos desde os cargos de chefia até a reitoria. Tão logo processa-se a eleição, inicia-se o distanciamento entre representante e representado; o primeiro se voltará cada vez mais às atividades burocráticas, à luta para a manutenção das posições de poder e a possibilidade de alçar vôos políticos mais altos, seja internamente ou externamente à comunidade acadêmica; os segundos se envolverão com o cotidiano, com a rotina das suas atribuições e tarefas e tenderão a se manter distantes dos eleitos; há, é claro, um grupo que se manterá próximo ao poder, pois haverá cargos a serem preenchidos. A eleição revela-se simplesmente mero mecanismo de distribuição de cargos: o candidato vencedor ganha também a legitimidade de ocupar os postos da máquina administrativa com “os seus”. E isso ocorre em todos os âmbitos, da eleição numa universidade à câmara e prefeitura de uma cidade, congresso e executivo. E quanto mais importante o cargo disputado, mais empregos e recursos estão em jogo.
Aqui em Salvador sinto-me sem tesão algum de votar. Sabe aquela mulher que perdeu o tesão no marido?
Pois é sinto-me assim. Portanto não votarei só pra satisfazer interesses de outrem. Seria o mesmo de transa r sem vontade.NUNCA CHEGARIA AO ORGASMO. nesse caso ORGASMO político.

BEIJO!
leve&solto disse…
Concordo!! Jornal Nacional? eca!!!

Devo dizer que os candidatos para prefeito ou vereador "prometem" e expõem uma série de propostas mirabolantes, enganam os leigos com futuros "feitos" que nem seriam da alçada municipal.

Não sei se é sorte ou azar termos um pouquinho mais de esclarecimento. Só sei que diante de tanta lama acho inútil o voto útil!
Defendo o voto branco ou nulo... Ora, democracia é isso: escolher, ter idéias e vontades próprias.
Defendo ainda o direito de "não votar"... quem sabe um dia né?!
bjs
rm disse…
Gostei muito do comentário da Elisabete, mas preciso lembrá-la da sempre atual frase do velho Churchill: o sistema representativo é mesmo muito ruim; pena que não tenham ainda inventado nada melhor (porque pior, você sabe que tentam inventar todo dia, né?).
Também muito pertinente a analogia com o mundo acadêmico, principalmente as universidades públicas, pequenos feudos onde campeia o privilégio imerecido, a ausência de compromissos com resultados e a gastança (ou pior) de dinheiro público.


Quanto ao tema principal confesso dúvida. Tendo a ficar com a liberdade, assim defendo, em tese, o voto facultativo. Por outro lado, não tivéssemos a oportunidade do voto útil, talvez estivéssemos em plena ditadura militar até hoje.

Sempre que esse tema vem à baila recordo-me de uma frase do velho Briza, na qual ele defendia o voto obrigatório com o argumento de que isto balança o stabilishement, "dá um susto nas elites".

É outra a história do ponto de vista individual: se o voto é meu faço dele o que quiser. Voto branco há várias eleições e, você há de reparar, não é por falta de interesse em política.

Mas acho que a questão-chave está, atualmente, nas deficiências insanáveis do sistema eleitoral. Pretendo escrever sobre isto, hoje mesmo, no blog do meu amigo Marcos Rocha.
Também fico descontente quando vejo pessoas se achando civilizadas ou cultas que adoram criticar quem opta, conscientemente, pelo voto nulo.
Anular é uma opção, e em muitos casos a melhor ou a única possível.

Aí vem a TV e coloca na cabecinha fraca de muitos que isso é pecado, que papai do céu não gosta e que se fizermos isso seremos os responsáveis pelas mazelas deste país.

Como concordo com teu argumento, sugiro que dê uma passada no meu blog, pois também falei sobre isso bem como coloquei uma proposta para uma nova forma de elegermos representantes.
Pablo Pamplona disse…
impressionante como os conceitos de democracia e liberdade são deturpados, não? como adoram dizer que você tem "liberdade de escolha" no seu "exercício de democracia"!

mas cadê a liberdade e "poder do povo" de não votar, de não aceitar pessoas que o representem?

ah, e você já pensou sobre qual é o valor do seu voto? ;)

abraço!,
Débora Rubin disse…
Ai...ando tão desanimada que assino embaixo. Faltam poucas horas para ir lá "exercer meu papel de cidadã" e eu não sei em quem votar!! Como meu mote é o (não) trânsito, não vi uma proposta decente nesse sentido...então, se nada me agrada, porque tenho de escolher "o menos mal"? Ridículo, né?

Curti o blog! Voltarei sempre ;-)

bjs
elisabete cunha disse…
Ricardo

Tomei a ousadia de publicar meu comentário lá no Encanto. Destaquei seu post que esta maravilhoso e bem adequado.

beijim baiano!
Adriana disse…
Bacana o post sobre a ludibriante matéria sobre o voto branco ou nulo. Já reparou que a Globo não faz mais jornalismo, mas campanha? Em tudo,em qualquer assunto?
Vira e mexe, pronto,lá está ela,toda professoral. Ô chatura!
Bacana mesmo foi vc opinar sobre a eleição de Beagá, e agora à noite, às vésperas do "grande momento democrático", o Riquinho disparou no Ibope.
Mama Mia! (vá ver o filme, que é um delicioso passeio pelo Abba), o PMDB vai ocupar Beagá, com aquele canastrão do Hélio Costa por trás.
Ninguém merece. E não merece tb o Ciro Gomes, ô corja!
Obrigada pela visita. Apareça. Seu blog é muito legal. Vou colocar o link,
Abs, das Minas Gerais
Adriana
Julio Silva disse…
E depois discordam quando dizemos que há manipulação por parte da imprensa!!!

Porém, pior do que manipular é ser manipulado!!!
Ainda não tenho idade para votar, mas quando puder, se a situação estiver a mesma, votarei nulo sim, e espero que eles tomem isso como uma forma de protesto.

Se há vários votos em branco ou nulos é porque a população não confia em ninguém que está se candidatando!!!!

Um abração.
Denise do Egito disse…
Assistir ao Jornal Nacional me irrita, já desisti. Aliás, todo o grupo jornalístico das empresas Marinho.
É preciso estar muito atento para não ser "enrolado" e com o espírito crítico aguçado.
Um excelente domingo para todos!
MELISSA S disse…
Vc tem toda razão, Ricardo. E eu já cansei de ter q votar pra falar a verdade. Mas acho que a sociedade tem os políticos que merecem. Assim como há maus jonalistas e dentistas, há maus políticos. O chato é ter q participar do teatro. Bjs
O JN sempre foi tendencioso, Ricardo. Levar em consideração o que ele apresenta é perda de tempo. Infelizmente é de grande alcance até por pura preguiça de se trocar de canal, mas ainda bem que temos sorte de ter pessoas que pensam além disso, né?

bjimm
andrea

ps: estive em Sampa semana passada e achei a cidade muito bonita e limpa, entre outras coisas. Me parece que o Kassab fez uma boa administração por aí.
ANGELO ALFONSIN disse…
Que texto!, Ricardo, não consegui para de ler e reler.
Elizabeth arrebentou, eita baiana arretada, tchê!
Disse tudo bem demais.
Já cumpri com o dever de anular ( patrióticamente ) meu voto.
ANGELO ALFONSIN disse…
Liguei na Globoboca
Na hora da polítitica
Com o cérebro em pororoca
Tomei estriquinina
Ricardo Soares disse…
SENSACIONAIS COMENTÁRIOS como os que motivaram esse post é que dão alento a um blogueiro em prosseguir com suas falações quase diárias num espaço virtual que divide-se com tanta gente.

Nem vou responder um por um porque as questões aqui levantadas por comentaristas de tão alto nível me encheram de orgulho a ponto de achar que os comentários estão melhores até do que o próprio post em si. Revela que a questão voto nulo deve ser levada a sério e discutida a sério pela grande mídia que prefere fazer campanha contra sem dar vez e voz àqueles que defendem os votos nulos. Vcs repararam que inclusive não se divulga o número de nulos e brancos. Há orgãos de comunicação que inclusive proibem a divulgação desses números para não desestimular mais ainda o eleitor desestimulado. Uma vergonha!

Entra-se na madrugada de segunda- feira com muitos resultados já definidos em várias capitais brasileiras. Mas ainda espero o novo dia para tecer maiores comentários sobre os resultados desse primeiro turno . Alguns deles me alegraram bastante...

Para encerrar volto ao assunto voto nulo pra reiterar minha alegria com as questões levantadas aqui ... da maior pertinência...
a Elisabete Cunha transformou inclusive o comentário dela em post lá no blog dela ( Encanto de Renascer, aqui linkado) e o neo - visitante Carlos Henrique manda ver no seu blog com vários argumentos que também justificam seu voto nulo...

obrigado a todos vocês que foram sensíveis ao tema... mostra-se aqui que deve se levar a sério aqueles que levam a sério o voto nulo... pra votar em porcaria é melhor não votar!!!
abs e beijos a todos e boa semana
Muito boa a questão mesmo, Ricardo. Inclusive, acho que essa gente deveria ler o "Ensaio sobre a Lucidez", do Saramago, pra tirar algumas lições sobre a relevância do protesto. Mas, cá entre nós... esperar isso dessa mídia imbecil e mauricinha que temos por aqui.. é pedir demais.

Abração
Filó disse…
O que mais me irrita é a urna nem ter previsão para o nulo, apenas para o branco...
Ora, voto nulo é voto contra todos.
Voto branco é voto em qualquer um!
Se mais de 50% dos votos forem nulos, a eleição tem que ser anulada.
Se mais de 50% dos votos forem branco, tudo válido, o branco é voto válido.
Vai daí que o TSE sumiu, na urna eletrônica, com o voto nulo...
Thais Machado disse…
As vezes me pergunto por quê insisto nesse tal de jornalismo...
Não foi o que eu sonhei nem é a razão pela qual estudo, trabalho e luto todos os dias =/
Na verdade, vejo uma infinidade de veículos de desinformação e, quando me oponho a "ser adaptada", sou considerada radical ou encrenqueira.
Me parece um mar sem fim de gente incapaz e sem força de vontade.
Honestamente, tenho vontade de trabalhar num shopping!
Tenho dó das pessoas sem senso crítico e sem base intelectual suficiente para duvidar do que lê, vê ou ouve na mídia...

Parabéns pelo blog! Estou super entusiasmada aqui! rss

Obrigada pela visita =]

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