ORGULHO E PRECONCEITO

Nessa fase de segundo turno estou no Rio , portanto não tenho acompanhado de perto o esquentamento do embate Marta X Kassab. A essa altura é chover no molhado mas li que ontem o prefeito Kassab declarou-se "solteiro e feliz" no debate que aconteceu na Tv Record. Acho bom que ele seja "solteiro e feliz" tentando com a frase sepultar o sórdido debate sobre sua sexualidade que foi lançado em debate anterior e numa desastrada propaganda de dona Marta que deveria ser a última política do mundo a destilar preconceito contra gays visto que sempre legislou a favor das causas dos homossexuais. Se no primeiro turno deixei de votar em Marta por ela ter admitido ser caloteira a um repórter do CQC( "a dívida de 1 milhão da campanha anterior é problema do partido") no segundo turno acaba de perder meu voto pelo seu orgulho e preconceito.
Deploro Kassab sob todos os pontos de vista e jamais votaria nele. Mas a questão de sua sexualidade não tem a menor relevância muito embora se gay ele for estaria prestando um enorme favor à causa ao assumir sua condição como já o fizeram o prefeito de Paris e de Berlim. Mas isso é problema dele. Talvez muito pior do que um gay não assumido seja uma pseudo liberal e moderninha que quando o embate político esquenta faça uso da sordidez humana na tentativa de angariar votos juntos aos setores mais retrógados da sociedade. Nesse quesito Marta se alia ao pior do pior da caretice, ficando muito mais a direita do que a direita do engodo Kassab. Que triste embate esse de São Paulo. Voto nulo neles !!!!!!!!

Comentários

Edna Federico disse…
É deplorável ligar a TV e ver coisas desse tipo...de ambos os lados!
Beijo
Botelho disse…
Ricardo,

Sobre esse assunto o Clovis Rossi publicou um artigo interessante na Folha desta segunda. Aproveitando, tomei a liberdade de linkar seu blog no botelheco.blogspot.com

Teu espaço tá bem legal.
rm disse…
Ricardo,
apenas pra registrar concordância quase integral.

Só não estou de acordo que a "saída do armário" represente algum tipo de benefício, pra quem quer que seja. Defendo que haja muito maior separação entre vida pública e privada.

Se um é boiola, se outra é histérica ou outra coisa qualquer, isto não interessa aos objetivos da eleição. É problema PESSOAL de cada candidato e, em princípio, nada interfere em suas vidas públicas.
toda pura disse…
Olás,
depois de longa ausência, eis que retorno a esse tão simpático e inteligente blog, já me sentindo compelida a deixar um comentário por aqui para discordar, em parte, de RM.
Creio também que ninguém cuja vida seja privada (desculpe, não achei outra palavra mais simpática)tenha a obrigação de sair por aí levantando bandeiras de quaisquer espécies.
Mas, porém, contudo e todavia, quando a questão envolve políticos, acho que a vida pública se torna maior do que a, perdão de novo, privada e que, sim, bandeiras devem ser desfraldadas. Políticos são de domínio público e suas vidas devem ser um livro cheio de letrinhas visíveis construindo uma biografia. Acho que existe responsabilidade histórica na parada, gay, ou não gay, democrata, ou republicana, vermelha, ou azul, atéia, ou crente. Questão de princípios, saca?
Quando um candidato não assume sua sexualidade, ou sua fé, ou sua qualquer coisa que seja, a mim me parece uma covardia, construção de telhado de vidro. Por mais que eu não tenha nada a ver com a sexualidade alheia (e não tenho mesmo), sou contra a hipocrisia antes de qualquer coisa.
Se o político não tem culhão para assumir, perdão pelo trocadilho, posições, que vá batalhar em outras causas não tão de frente (ops), que fique na retarguada (ops) e que deixe o palanque para os mais "audaciosos". Precisamos de verdades, de coragem, de gente que peite a caretice reinante, que coloque questões para "as pessoas na sala de jantar..." (lembrei-me de Mutantes agora).
E quanto a você, Ricardito, devia ter transferido seu título para o Rio!
mil beijos e...Gabeira forever!
Filó disse…
Rapaz, o que é um bom mancheteiro! rsrsrs

O mais perfeito do post é o título, precisa de mais nada não!

Beijo
Filó
rm disse…
Toda Pura,
entendi a razão do pseudônimo.
Mas também defendi a opinião aqui exposta por razão de princípios e também não gosto de hipocrisia.

O que tentei falar, e agora repito, é que mesmo pessoas que tenham vida pública (stritu sensu, por exemplo, como políticos) tem direito à vida pessoal, privada, no sentido de que ninguém tem nada com isso.

Nem o eleitor. Se este precisa ter tal tipo de informação para avaliar políticos ou definir seu voto, acho que vamos mal de eleitores.

Sei que sua opinião é amplamente defensável e, de certo modo, padrão nos países com tradição democrática mais consolidada que a nossa. No entanto, penso que isto é um desvirtuamento dos nossos tempos, de massacrante hiper exposição. Não me interessa o BBB dos políticos, mas o que eles tem a oferecer, na sua biografia, em relação aos temas políticos.

E não é preciso ser gay para defender a bandeira dos direitos das minorias, não?

Gostei muito do seu comentário, além de tudo simpático e bem-humorado.
INIT disse…
Esse será o meu voto, o nulo e sem a menor culpa!
Marcio Gaspar disse…
A diarista que trabalha aqui em casa, Leide, vai votar na Marta Suplicy. E me explicou porque:

“Tenho quatro filhos e moro lá no final da Parelheiros. Antes da Marta prefeita, eu pegava no mínimo quatro conduções por dia para trabalhar e tinha que gastar dinheiro em todas. Os ônibus eram muito velhos, caindo aos pedaços – vira e mexe, quebravam no caminho; ou eu desistia e voltava pra casa, ou pegava uma daquelas lotações clandestinas, que corriam muito e eram ainda mais caras que o busão. Meus filhos não tinham material escolar e nem roupa; tinham vergonha de ir à escola vestindo ‘roupinha pobrinha’ – me contavam que eram discriminados pelas outras crianças que tinham pelo menos uma havaiana pra calçar. Fora da escola, lá no bairro, as crianças não tinham nada pra fazer, nenhum lugar pra brincar ou pra aprender alguma coisa boa. Daí veio a Marta, ela inventou o bilhete único e eu passei a gastar metade do que gastava em condução – e os ônibus melhoraram, tinha até ônibus cheirando a novo na periferia! E mais: a Marta foi lá e inaugurou um CEU – por isso, pela primeira vez na vida, meus filhos foram no cinema”.

Esse breve depoimento dá a pista para aquilo que considero o mais importante na minha decisão de voto em Marta Suplicy. Esse voto é um ato de desprendimento, um ato de amor ao próximo, um ato POLÍTICO de ALTRUÍSMO. Isso porque, ‘na real’, para um cara como eu ou como você que lê esse blog, não faz muita diferença se ganha a Marta, o Kassab, ou o Alckmin, ou até mesmo o Maluf – esses dois, se ainda estivessem no páreo. Continuaríamos com nossas vidinhas mais ou menos na mesma, com nossas pequenas ambições, nossas pequenas conquistas, nossas pequenas posses. Mas o problema é que a maior parte da população precisa - e depende - de governo. Senão, falta até comida. Aqueles que acham, por exemplo, que a popularidade do Lula é um fenômeno de mídia ou fruto da ignorância do povo, enganam-se completamente. É gente que não comia e passou a comer – se o Lula pular do vigésimo andar, o cara pula atrás.

E é o egoísmo das classes mais altas que revolta. Já ouvi gente dizendo: "não preciso de creche, não preciso de bilhete único, nem de banda larga de graça, muito menos de programas sociais. Por que político só tem proposta pra pobre?" Classe me®dia conservadora, mesquinha, hipócrita. Não vale o que come.

Os filhos da Leide não preferem filme de humor a suspense, não saberiam escolher entre um passeio no parque ou uma tarde em casa fuçando na internet. Simplesmente porque essa realidade não existe. Uma pesquisa feita na Cidade Tiradentes, quando o primeiro CEU foi inaugurado, mostrou que 90% da população NUNCA tinha entrado num cinema. Mais que isso: nos CÉUs, além da educação básica, tiveram a chance de aprender dança, fazer cursos artísticos, balé, cursos de línguas, várias coisas: tudo aquilo que nossos papais e mamães de classe média alta insistiam/pagavam para fazermos, para termos cultura, para termos acesso a oportunidades. Já ouvi também muita gente dizer, entre risinhos, que é besteira fazer coisa de qualidade pra pobre – o cara não tem nada mesmo, qualquer coisa tá bom. Pura maldade de quem não sabe enxergar um palmo adiante do nariz.

Pois Marta deu o feijão e o arroz, mas deu também a cereja do bolo. E mais: a prefeitura de Marta Suplicy distribuiu uniforme e material escolar de qualidade para mais de 1 milhão de crianças em São Paulo. Fui testemunha de uma cena emocionante, uma vez no Parque do Ibirapuera, quando organizei um dia inteiro de oficinas musicais para as crianças de 4 a 8 anos, da rede pública do tempo da Marta. Quando a prefeita chegou pra conferir a ação, todas, absolutamente TODAS as crianças, pararam o que estavam fazendo para aplaudi-la, para abraçá-la, para beijá-la, para simplesmente estar com ela.

Enquanto a grande parcela da burguesia opta por Kassab e uma outra reclama do sistema e diz que Marta e Kassab são iguais (mas vota no segundo, ou nulo, ou branco), a galera de Parelheiros, Cidade Tiradentes, São Miguel Paulista, Brasilândia e outros lugares paupérrimos preocupam-se com a educação de seus filhos, as parcas oportunidades de trabalho, a condição da saúde pública e a existência de comida no prato ao fim do dia. Será que só populismo explicaria a quantidade de votos de Marta nas regiões mais carentes - assim como a vitória avassaladora de Kassab nas áreas mais ricas?

Acabei de ver na TV o ‘ direito de resposta’ do Kassab. A Justiça concedeu isso por considerar que a campanha da Marta ofendeu o atual prefeito. Perguntar se alguém é casado é ofensa? Puxa... não sabia... Também acho que foi uma cagada o pessoal da Marta levantar essa lebre, mas acho ainda muito mais ridículo, absurdo e revoltante, a relevância que tal fato gerou na mídia em geral. Nas eleições anteriores, a campanha do Serra distribuiu panfletos com o título ‘ Dona Marta e seus dois maridos’. Alguém se lembra de alguma manchete na Folha ou no Estadão sobre isso? Não, porque não houve. Mas certamente, muitos se lembrarão das várias fotos, nas primeiras páginas dos jornalões, onde seus autores procuravam maldosamente um momento fugaz para ridicularizar e desrespeitar Marta – fotos dela cruzando as pernas, até foto de suas pernas DEBAIXO DA MESA me lembro de ter visto. E onde estavam os arautos do politicamente correto, os defensores do não-preconceito? Onde estava o Sr. Contardo Calligaris – sujeito de quem gosto (ou gostava...) – e que semana passada escreveu ridículo artigo comparando Marta a McCain?

Votar em Marta é votar pelo bem da maioria, é votar pelo abrandamento da tremenda injustiça social que abala e envergonha essa cidade. Votar em Marta é uma obrigação para aqueles que se preocupam em enxergar além de suas próprias vidinhas mesquinhas e patéticas.

Marta Suplicy para prefeita de São Paulo. Tenho dito.
Marcio Gaspar disse…
perdão pelo comentário extremamente longo, meu caro amigo. mas eu precisava 'make my point'!
Ricardo Soares disse…
edna... o limite ético tem que ser respeitado... senão onde vamos parar ?bj

botelho...não li o artigo do clovis rossi mas também linkei seu blog que está bem legal... abs

rm...quando eu falo que sair do armário pode ser legal para "otoridades" estou querendo dizer que ao assumirem a sua sexualidade estariam contribuindo pra o fim do preconceito... apenas isso... abs

toda pura... veja o que vc disse :
"Políticos são de domínio público e suas vidas devem ser um livro cheio de letrinhas visíveis construindo uma biografia. Acho que existe responsabilidade histórica na parada, gay, ou não gay, democrata, ou republicana, vermelha, ou azul, atéia, ou crente. Questão de princípios, saca?"... saquei e concordei total... bom tê-la de volta... bjs

filó ... tens razão... muitas vezes uma manchete vale mais do que mil palavras...e obrigado por gostar das minhas manchetinhas... kisses

init... pior é isso querida... votar nulo sem culpa !!! bjs

Pô marcinho... vim aqui,sensibilizado, para agradecer seu comentário...sensacionalllllll!!!! quase me convence a votar na marta!!!... adorei... vc devia transformar esse comentário num post do seu blog...se não o fizer eu faço . Posso ??? abs
Marcio Gaspar disse…
tá lá no blog, ricardo. desde sexta-feira. abs!!
Sentimental ♥ disse…
ficou feio pra Tia MS.
mas dela eu não esperava muita coisa diferente não, agora se todos os candidatos começarem a recorrer a golpes baixos, usando questões de sexualidade e família do adversário pra conseguir votos, as próximas eleições serão um diário aberto.
beijos
É Ricardo, concordo com você que esse episódio foi lastimável. Um deslize e tanto.
Sou totalmente contra o uso de recursos baixos e apelativos, principalmente quando questiona-se a vida íntima do(a) candidato(a). A vida dele (a) é pública? É sim. Temos o direito de saber quais os valores de um político? SIM!! É fundamental!! Mas não vejo sentido algum em saber se o cara é homo, hetero, bi,celibata e afins; se tem dois, três ou nenhum marido. Se usa botox ou não. Se ele tem 9 dedos ou 27. Se teve filho antes de casar...se não casou.
O que me interessa é saber de sua conduta como administrador do dinheiro público.Do meu dinheiro. Sua honestidade tem peso sim. Sua orientação sexual não! Muito menos a quantidade de botox injetado na face de alguém. Se o cara se veste de Carmem Miranda em suas horas de folga e sai cantando tico-tico cá, tico-tico lá, não vai fazer diferença alguma. O que vai fazer diferença é se ele vai governar para todos!! Se haverá esforços para diminuir a injustiça na distribuição de renda. E, principalmente, se ele vai governar para as Leides do Oiapoque ao Chui. O que eu quero é que lá no interior do vale do Jequitinhonha, as crianças possam ter um CEU. Que elas tenham comida, escola e moradia. Que elas não precisem trabalhar aos 4 anos de idade em troca de alguns centavos para ajudar os pais. Que criem políticas públicas de erradicação do trabalho infantil e da fome.
Márcio, seu comentário foi maravilhoso!!
É nisso que eu acredito. Eu não sonho com uma vida melhor só para mim. Sonho com um país justo e igual para todos. Já vi muita gente tecendo comentário ridículos como os que vc mencionou, sempre que sai uma pesquisa indicando a melhoria na qualidade de vida do brasileiro, no governo Lula.
Dizem:"Melhorou para quem? Estou tentando trocar meu carro, mas a alta taxa dos juros não me permite."
Melhorou para milhares de Leides. Melhorou para aqueles que não tinham o que comer. E se melhorou para eles, melhorou MUITO para mim.
Não entendo nada de política, muito menos de economia, mas o que penso é que enquanto não houver uma mudança de foco, dando mais oportunidades aos menos favorecidos, não veremos mudanças significativas em nosso país.
Eu ainda tenho esperança!
Beijos Ric.. que dia vai aparecer aqui?
Márcio Gaspar, qual o endereço de seu blog???
Ricardo Soares disse…
sentimental...há que haver um limite para a exposição da intimidade alheia ou não ?? essa é a questão ... no mais , se a vida íntima das pessoas viesse à tona numa campanha estavam todos fu...kisses

ana paula... que belezura de comentário!!! à altura do comentário do marcinho... fico envaidecido de que gente tão talentosa exponha suas idéias aqui nesse modesto espaço...também quero um país melhor para as leides e acho que a classe mérdia ainda é a grande responsável pelas trevas nas quais estamos mergulhados... quanto à marta meu problema com ela é desconfiar de sua falsa liberalidade...não me fio nas hipocrisias dela... mas é evidente que é anos-luz melhor que kassab!!!
o endereço do blog do marcinho é
http://www.quasepoucodequasetudo.blogspot.com/

o mané faz um ano que tem blog mas não sabe usar o hiperlink ,escrever em azul para dar acesso direto ao blog dele... o dia que ele aprender a usar esse recurso que eu e vc usamos vou pagar uma tubaina quente pra ele..
beijo...
ps. vou passar o natal com minhas irmãs em bh... quiçá bebamos e comamos no mercadão... topas?? kiss
Sentimental ♥ disse…
Little Richard eu acho q sim, deve haver um limite, falar de passado político eu acho válido, mas entrar em questões pessoas eu acho baixaria. Tal qual os candidatos dos EUA, onde o Obama teve a vida devassada por um livro, onde a história de bebedeira, mulheres e violência de seu pai veio a tona...
Enfim, isso é uma longa conversa...
beijos
Compromisso firmado!!! No natal você é meu! Eu, vc e aquele fígado com jiló que comemos lá, lembra?
Êba!! Saudades demais desse meu amigo que tanto me enche de energias positivas!!!
Pois é.. entre ele é ela, não restam dúvidas p mim.. aqui em BH passamos por situação pior!!!
Mas, entre um almofadinha que desconhece a história do país, que que finge um sotaque caipira para ganhar o eleitor se passando por "gente do povo", vou ter que optar por uma aliança que não concordei, mas que espero que dê continuidade à um projeto político que sempre acreditei e que tem dado certo há 16 anos.
Dos "malas", o menor rsrs
Ensine ao Márcio a linkar o blog, pô!! rsrsr
beijão, nêgo.
olivia disse…
Ai, que alívio ler o comentário de Marcio Gaspar!Conheci de perto a periferia que ele menciona,antes, durante e depois do tempo de Marta prefeita.O suficiente para votar SEMPRE nela, apesar das pisadas de bola, da antipatia, do botox,dos argumentos frouxíssimos de gente bem informada que vota em demo com a maior cara lavada,sem sequer pensar na honesta possibilidade de anular seu voto.

olivia
Lu Carvalho disse…
Concordo com tudo que disse o Márcio Gaspar, trabalho em uma escola pública na Cidade Tiradentes, sou testemunha da alegria das crianças quando recebem uniforme e material escolar. Pude ver de perto a emoção de alunos do E.J.A. (Educação de Jovens e Adultos)quando pisaram pela primeira vez em um Teatro em um CEU construído pela Marta.

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