Espasmos da memória



    Sei lá porque ,espasmos de memória, atos de contrição, "envelhescência", hoje me vi descendo uma escada aqui de casa lembrando de um antiquíssimo amor de adolescência. Platônico e não correspondido. Eu com 13, 14 anos, ela um ano mais velha. Nunca lhe esqueci o aniversário: 4 de março. Nunca lhe esqueci a magnífica estampa; uma mestiça morena com uma mãe branca italianada e o pai um japonês bronzeado que gostava de pescar na represa Billings onde acabou por morrer afogado. Ela levava uma pinta do lado direito do rosto, próxima ao nariz. Tipo Cindy Crawford. Eu estou a perceber que cresce em mim uma pinta (saudável ?),sem o mesmo charme, no mesmo lugar.Todas essas reminiscências são pueris e remontam a muito mais que 30 anos. Blog também pode ser um ridículo diário estilo "Pollyana Moça" onde desfiamos nossos fiapos de tempo ? Hoje me vi assim, a desfiar, sem tecer. E me pergunto o que teria sido feito de Cássia Aparecida Kitagaki (esse era o nome dela) que, mais velha do que eu , evaporou-se nos meandros dos calendários. Onde foi parar tanta formosura ? Temo em saber a resposta pois a implacável passagem dos anos não anda de mão dadas com a beleza.Gosto de uma imagem poética dela perdida em tempos idos e vividos. É bem provável que me decepcionasse com o que veria hoje.

ps. para ilustrar um post que tem a ver com o imponderável do tempo só mesmo uma imagem de Dali.

Comentários

Carol Rocha disse…
Que delícia essas recordações, não? Quem nunca teve um amor platônico não saberá reconhecer um amor de verdade nunca! A gente aprende a amar assim, à distância, né?

beijo!
Luciana G. disse…
O primeiro amor é mesmo como diz a genial propaganda: igualzim soutien, a gente nunca esquece... rs
Ainda bem que sabes que o tempo é uma máquina de fazer monstros...
Tania Celidonio disse…
Quireras. Era aqui que eu tinha que vir pra te agradecer pela força. Tenemos blog. Habemos coragem. E entre amores platônicos e envelhescências apareço para confirmar que: sim, recordações são sinais do tempo implacável mas podem ser incrivelmente prazeirosas. Ric dear,ainda não sei assinar como blogueira. Beijim.
Tania Celidonio disse…
que nada.... acabei assinando como blogueira. Ueba!
beijito
Espelho meu... disse…
Belas palavras naõ devem ser comentadas mas sim sentidas...Obrigado pelo lindo poema e pela visita! Um beijo de Portugal! :)
Pavitra disse…

adorei esse texto!
e envelhecer é contratempo (?)
para beleza...
mas para alguns, o tempo até que ajuda, eu acho... rs

HEHEHE ! Acabo de assistir Ricardo Soares entrevistando Ruy Castro há ...9 (?) anos atras...
( Canal Sesc TV)
Ah ! A memória do audiovisual...
Camila disse…
Olá Ricardo
Você deixa uma pergunta e quem sabe eu lhe entregue uma resposta... onde conheceu a Cassia?
Camila disse…
Oi Ricardo, novamente lhe escrevo. Fiquei bem surpresa ao ler comentarios sobre a minha familia. Ah se voce soubesse como o mundo da voltas e tudo muda. Mas o que mais me chamou aten'cao foi ler, voc^e escrever, corretamente o nome Kitagaki. Me pareceu que ainda ha alguma curiosidade a respeito do que possa ter ocorrido com todos nos.
Eu tambem tenho a imensa curiosidade em saber onde e quando conheceu a Sra. Cassia.
Por favor me escreva.
Camila
Cassia Kitagaki
Uma das mais belas alunas do Colegio Fausto Melo
Estudei o primeiro ano do colegial com sua irmâ Marcia
paulo benitez disse…
Cassia Kitagaki
Estudou no Fausto Melo
Estudei com sua irmâ Marcia
Duas alunas das mais belas
Ricardo Soares disse…
Paulo Roberto Benitez...fiquei pasmo com seu comentário aqui tantos anos depois eu ter escrito esse post. Sequer sei se o escreveria de novo hoje e aproveitei a chance para dar um "tapa" no textinho, tirando alguns termos inadequados. Essa é a magia da internet. Uma delas. Jogar garrafas no oceano virtual. Aí aparece você, anos depois, referendando o que eu disse. Cássia e Márcia eram mesmo das mais belas alunas do Fausto Mello onde eu também estudei. Cássia virou amor platõnico, gentil, linda, distante e insinuante para mim. Tudo ao mesmo tempo. Anos depois tive um fugaz namorico com a Márcia.Nem ela e nem eu lembramos disso. E falo por ela sem saber pois nunca mais a vi nem as suas irmãs.É bom lembrar que Lúcia, a mais nova, era também bela. Muito legal essa volta ao tempo que vc proporcionou num começo de tarde de domingo de agosto. Você estudou com a Márcia...morou na Paulicéia ? vive em São Bernardo ainda ? abraço pra vc...

Camila...aproveito , tantos anos depois , pra responder a vc também sem a menor esperança de que você leia. Não sei porque motivo mas nunca havia lido esse seu comentário feito há seis anos... o mundo virtual pode ser cruel também. Não nos chegar aos olhos e às mãos recados antigos ...só li agora o que vc escreveu. E como poderia, mesmo que tivesse lido antes, te escrever se vc não manda nenhum endereço ?? hehehe...pelo sim, pelo não fica no ar também uma pergunta : você é da família ? conheça Cassia, Márcia , Lúcia ? só curiosidade pois nunca teria a intenção de reve-las para não criar embaraço pra ninguem. Só curiosidade mesmo...um abraço tantos anos depois. Quem sabe esse recado ainda chegue às suas mãos ???
Acredito que a Marcia , saiu do Fausto na mesma época que eu me desliguei.Deve ter feito matricula em outra escola de São Bernardo ou da região do ABC.Ela também jogava muito bem esportes
meu email pbenitez585@gmail.com
Sim ainda estou em São Bernardo
Estudei com a Marcia em 1976
Belo o seu texto !
Sim ainda estou em São Bernardo
Estudei com a Marcia em 1976
Belo o seu texto !

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