PICADINHO

PICADINHO

Sabes a que urnas abres ?
sabres a que membros corta ?
cobras a que lagartos ?
tanges a que rebanhos ?
experimenta a quais tamanhos ?
e quantas ovelhas tange ?
e o manche daquela nave ?
encalhou naquele istmo ?
ou na ponta do cabo que a brisa beija e alavanca ?
no vento que o Índico traz
pacífica onda arrebenta
a minha atlântica paz
a espuma que o oceano desfaz
me devolve na praia águas – vivas
folhas de louro e urtigas
lembranças que a pele sente
enquanto a tez se amorena
portanto, saiba pequena,
que o ártico verso gelado
na verdade está cifrado
tosco refrão tropical
peixe envolto em banana
coco, moqueca, siri mole
luz no alto da duna
suor que rompe a falésia
peixeira que parte miúdos
amores que me foram graúdos


Ricardo Soares
Fortaleza – 11/09/98

Comentários

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Obrigado!
c.k. disse…
Ei, isso dá música...
.
.
Ri e reli o poema.
Uma coisa engraçada é que a palavra 'siri mole', que não sei ao certo o que ilustra mas sei que é uma comida, sempre me trouxe um certo desconforto. Talvez eu imagine um siri sob sua toca, amolecido e afogado pela água porque alguém tapou o buraco por onde ele sai. E confesso que adorava fechar tocas de siri quando criança. :/
Imaginação à parte, 'siri mole' é uma palavra que me causa desconforto, e não sei bem o porquê.
.
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Belo e sonoro poema, parabéns.

c.k.

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