IRMÃOS KARAMABLOCH

Li de uma enfiada só o livro "OS IRMÃOS KARAMABLOCH" do jornalista e escritor Arnaldo Bloch , sobrinho-neto do lendário Adolpho, criador da revista "Manchete". Confesso meu preconceito contra Arnaldo justamente por ser ele um Bloch. Confesso que sempre tive má vontade com suas crônicas e reportagens ( inclusive a biografia de Fernando Sabino) por ele pertencer ao clã para o qual trabalhei entre os anos de 1980 e 1982 na sucursal paulista de Bloch Editores que ficava no casarão da avenida Europa. Ali eu fui para trabalhar numa revista para caminhoneiros chamada BOLÉIA mas depois de algum tempo já escrevia reportagens para todas as revistas do grupo como MANCHETE, ELE&ELA , FATOS&FOTOS E PAIS E FILHOS. Paradoxalmente Bloch Editores foi o pior lugar onde trabalhei na vida e ao mesmo tempo de onde guardo as lembranças mais pitorescas de minha carreira. O diretor da tal sucursal paulista naquele período, o deplorável "jornalista" Salomão Schwartzman , é o pior (em todos os sentidos) profissional da minha área que conheci na vida. Já falei dessa criatura uma vez aqui no blog e voltarei a ele depois do que ele escreveu hoje na Folha de S.Paulo em defesa dos israelenses que massacram palestinos na faixa de Gaza. Mas hoje meu tema não é Salomão embusteiro mas o livro do Arnaldo Bloch. Instigante, delirante, contundente e implacável livro de Arnaldo Bloch. Muito bem escrito. Que soa assim como uma espécie de acerto de contas dele com a família a qual pertence. Rapaz que parecia tímido e de baixa auto-estima. Gerado no ventre de uma família épica saída de um romance folhetinesco de Nelson Rodrigues que ,aliás, também é personagem do livro. Nào sei se o livro para mim parece mais saboroso pois conheci bem muitos dos personagens que nele são despidos. Mas não creio. Creio que será um livro saboroso para todos aqueles que queiram apreciar a saga de uma familia em sua ascenção e queda quando parece que os únicos valores que sempre estão em jogo( e como eles gostavam de jogar !) são poder, sexo e dinheiro. Tristes Blochs. Triste fim de tanta megalomania. Muitos pontos do livro poderiam aqui ser discutidos mas prefiro que os amáveis leitores mergulhem naquilo que Arnaldo escreve e tirem suas próprias conclusões. De meu lado, imperfeito como sou, me sinto molecamente vingado quando vejo tipos asquerosos como Oscar Bloch Sigelmann e o antes temido e poderoso Jaquito reduzidos ao nada que sempre foram. Arnaldo mostra que patéticos seres humanos eles foram por trás de tanta empáfia. Gente assim é bom ter distante da nossa vida. Que fiquem apenas como pesadelos de vidas passadas. Tenho saudades dos tempos da Bloch , jamais da Bloch e sua ideologia. Melhor lê-los como um romance. Por sorte me libertei deles muito cedo.

Comentários

Ei moço!!!
Como vai? Como foi a viagem?
Você já visitou o novo blog de meu irmão?
Dá uma passada por lá!! É o buteco virtual.. http://butecovirtuall.blogspot.com coisa fina! rsrs Falei de sua amiga Tânia Celidônio para ele e ela já tá lá.. srrs
Quero ver você lá como colaborador com suas idéias e recitas maravilhosas!!
Beijão!!
Apareça no msn..
p.s. é virtual com dois ll...
Tania Celidonio disse…
Sou leitora da coluna do Arnaldo.Gostei particularmente de um artigo sobre o filme JUVENTUDE, do Domingos Oliveira, escrito na semana passada. Um artigo escrito com emoção mas com a rédea firme na pena virtual do autor. Ainda não li o livro sobre a família dele, mas chego lá. Quem sabe agora você manda bala e começa a ler mais nosso Bloch biógrafo?

Ana Paula: já estou trocando figurinhas no site do seu irmão. Muito interessante.Recomendo.
Arnaldo disse…
Salve. Obrigado pelos cumprimentos. Queria ressaltar que o livro não se limita a relatar o que há de triste na família, mas também as belas coisas e as luzes e sombras de personagens como Adolpho, Jorge e Fanny.
Marcio Gaspar disse…
hahaha falaverdade, ricardo: era você que escrevia aquela seção 'fórum' da ele & ela, né??
Denise do Egito disse…
Ricardo,
Tb trabalhei na Bloch durante alguns anos e não trago boas lembranças: péssimas condições de trabalho, pessoas empregadas sem qualificação profissional (mas porque era amante de beltrano), salários baixos, restaurante ruim. O que manteve durante todo o tempo foi a minha paixão cega, surda e muda por editar revistas. Apenas isso. Arnaldo me convidou para o lançamento, mas acabei não indo. Mas lendo seu post me deu vontade de ler. Tb detestava o Oscar e o Jaquito e muitos outros. A Bloch era um covil. Asquerosos...
angelo alfonsin disse…
A sessão "Fórum" de Ele&Ela" devia ser reeditada em livros de capa dura, e põe ereção nisso, como os livros de arte.
A cultura e solidão brasileiras agradeceriam eternamente.
abraço
Armando Maynard disse…
Como um amante de revistas, toda vez que se fala em Bloch me vem logo a lembrança de suas coloridas revistas, que na década de 60 fizeram grande sucesso. A saudosa "Manchete", a ousada e informativa "Ele & Ela" , "Pais & Filhos" e a revista "Encicoplédia Bloch". As revistas da bloch chegavam nas bancas ainda com o cheirinho de tinta. Um abraço, Armando

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