RIO LITERÁRIO


     Já fazia um tempinho que eu queria escrever sobre esse belo livro acima, publicado pela editora Casa da Palavra em 2005. "Rio Literário Um Guia apaixonado da cidade do Rio de Janeiro" tem organização de textos de Beatriz Resende e fotografias (belíssimas) de Bruno Veiga. Encontra-se disponível nas boas casas do ramo no Rio e São Paulo e tem preço camarada levando-se em conta a qualidade do produto. A começar dos textos ( e que textos!) que declaram desbragadamente (ou de maneira embutida) o amor ao Rio de Janeiro que tanto bem fez às nossas almas. Pelo menos à minha faz. 
   Pois, e quem assina os textos ? Gerações diferentes de escritores e criadores que nasceram, viveram , morreram ou adotaram o Rio como sua cidade natal. De Antonio Callado a Clarice Lispector, de Aldir Blanc , Ferreira Gullar a Chico Buarque e Carlos Drummond de Andrade passando por contemporâneos como Cecília Gianetti e Marcelo Moutinho que me informa por e-mail, hoje, que seu belo texto "Sexta Feira de Cinzas",embutido nesse livro, foi publicado na sua coletânea de contos chamada " Somos Todos Iguais nessa noite". O livro é uma gostosura e a gente chega a sentir nele o cheiro do Rio, sua maresia, seus sabores e dissabores cotidianos espalhados do Leme ao Méier , do Estácio a Madureira. Até a definição de que o "carioca é um estado de espírito" que muita gente pensa que é de domínio público aqui tem sua autoria desvendada. A frase é do Vinicius de Moraes e está no texto "Estado da Guanabara" que consta desse livro e diz no trecho citado : "pois a verdade é que ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito", diz o poeta pra tecer sua precisa definição de que para ser carioca não é preciso ter nascido no Rio de Janeiro. Eu, às portas de ser um cinquentão quase confesso, me sinto mais carioca do que nunca quando acordei na última segunda- feira, olhei o céu azul e caminhei das areias do Leme até as areias do miolo de Copacabana. Sem queimar meus pés e achando que apesar de tudo o Rio dá pé. E continua lindo, visceral, paradoxal. Tenham esse livro em suas estantes os que gostam ou não da cidade cheia de encantos mil.

Comentários

carol disse…
Ricardo,

Também gostei muito do seu blog! Mas você está morando no Rio, é isso? De qualquer jeito, fica claro lendo seus textos que você tem uma relação especial com a cidade. Quem sabe, né? Quem sabe o RJ toma jeito...

bjs,

carol
Roberta Mattoso disse…
Olá, tudo bem??
Que bom que gostou do blog!! Você também trabalha na Lapa?? Eu sou Assessora do CIC (Fundição Progresso) e faço o programa Moderna Lapa Retrô na rádio comunitária da Lapa.
Tb gostei mto do seu blog. Por falar em livros, vc deve conhecer a livraria Folha Seca, na Rua do Ouvidor, que é excelente!!!
Bjokas e ótima semana!
Groo disse…
Bem legal, Ricardo, essa dica sobre o Rio de Janeiro e esses textos feitos por grandes nomes que me parecem mais contemporâneos ( até porque não iria caber se juntassem Machadão, Lima Barreto, João do Rio...).

O Rio continua lindo, apesar de inúmeros problemas...

abs!
Danitza disse…
Verdadeira relação de amor e ódio!
Beijos
Amèlie disse…
Eu tenho uma relação muito particular com o Rio de Janeiro, coisa de tempo de menina, paixão platônica e tal.

Levo a dica do livro e deixo um beijo especial como agradecimento da sua visita ao Lost.



Beijos
Victor Colonna disse…
Parabéns pelos textos! Segue aí um poema!

CURTO-CIRCUITO (Victor Colonna)


De repente eu paro e olho: é ele!
E desengato marcha-a-ré cerscente
Meu rosto fica roxo, vermelho
E desamarra-se o elo da corrente.

Curto-circuito, incêndio, tragédia!
E meu cabelo arrepiado espeta
E meu pulso desencapado te choca
E meu corpo endiabrado, capeta.

E meu peito pega fogo: vida
Um calor que se desprende e solta
Amor é caminho longo: é ida
É só ida. Não tem volta.
Patricia disse…
Ricardo,
Olhando o bloga da minha irmã, Carol Vaz, vi um comentário seu.
Acabo de ver que ela também comentou o seu.
Coincidência,não? Aqui é a Patricia do MDGV, das reuniões. Logo depois, minha irmã faleceu. Uma tragédia.
bjs

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