WILSON SIMONAL- vestiu azul e sua sorte não mudou

Sei que muito já se falou sobre o tema mas não resisto pois fiquei embevecido com a qualidade do documentário "Simonal- ninguém sabe o duro que dei" que assisti no sábado a tarde no Unibanco Arteplex na praia de Botafogo. Dirigido pelo "casseta" Claudio Manoel mais Micael Langer e Calvito Leal o documentário revira as vísceras de um dos maiores tabus do meio musical brasileiro que foi o ostracismo total ao qual foi submetido em vida o cantor Wilson Simonal após a sedimentação da suspeita de que ele fosse delator das forças da repressão nos anos de chumbo de nossa última ditadura militar. É bom lembrar que Simonal foi do céu ao inferno em poucos anos porque antes de cair em desgraça era um dos maiores ídolos de nossa música. O documentário nem vilaniza nem sataniza o personagem dando vez e voz aos que o acusam e aos que o absolvem de ter sido um crápula a serviço dos brucutus. A edição do documentário é sensível e sensata dando dignidade inclusive aos filhos do artista ( Simoninha e Max de Castro) que não entram no mérito das acusações contra o pai mas ressalvam o extraordinário talento que ele tinha. Nem é preciso redundar recomendando vivamente o documentário que resgata uma época e um ídolo que muitos fizeram força para sepultar. Eu,aqui confesso, que nos fins dos anos 80 quando fiz uma reportagem com Simonal para o Caderno 2 do Estadão também dei minha chapoletada nele. No dia em que ele estrearia seu show na boate "Les Innocents" saiu uma matéria irônica sobre ele cujo título de minha própria lavra era : "Simonal, Vestiu Azul mas sua sorte não mudou". Era uma alusão a um trecho de uma das suas canções de maior sucesso. Tal qual "Ninguém sabe o duro que dei" que dá titulo ao documentário que resgata do limbo esse artista único que foi alijado dos livros da MPB por erros que até hoje não se sabe se ele cometeu ou não. Valeu-se sim do seu contato com agentes do DOPS para prejudicar seu ex- contador mas não se tem provas concretas que tenha sido um dedo-duro superlativo a favor dos milicos. Pobre Simonal. Provavelmente tenha ido para o limbo apenas por sua ingenuidade e arrogância. Morreu em 2000 aos 62 anos e pelo menos nessa sessão que assisti no sábado a tarde o documentário que lhe resgata foi aplaudido com entusiasmo pelo público. Fazia tempo que eu não via um filme, ainda mais um documentário, ser aplaudido em exibição normal , fora da pré- estréia.

Comentários

Já que para você eu tenho a oportunidade de perguntar, POR QUE você contribuiu com a sua chapoletada? Pergunto por curiosidade, mesmo; sempre quis entender os porquês desse tipo de chapoletada (não especificamente sobre o Simonal).
BJS!
Ricardo Soares disse…
Christina ...porque era consenso de que ele era um canalha, um venal , um dedo- duro. Na matéria eu não fui canalha mas não deixei margem a dúvida lançando sobre ele , como sempre, a suspeita de que era um colaborador dos militares. Era o espírito da época , o que o filme capta tão bem... kiss
Paula Quental disse…
Ricardo, que lindo seu blog, não conhecia. Fecho com tudo o que você disse sobre o documentário, que é muitíssimo bem feito. Também fiquei com pena do Simonal, que pagou caro por sua ingenuidade e arrogância, como você disse. E por um ego absurdo, infantil. Mas nem mesmo a ingenuidade é perdoável, principalmente em tempos como aqueles. Para mim, que era criança na época e cresci ouvindo que o Simonal era um dedo-duro, valeu poder conhecer finalmente o seu suíngue. E que suíngue!...beijo grande pra ti.
Marcelo Moutinho disse…
Ricardo, me manda seu email. Quero te enviar um convite. O meu: m.moutinho@uol.com.br
Não vi o filme, ainda.

Como meu pai foi radialista (associada a Arte), e penou no DIP do Estado Novo, e muita coisa que aconteceu depois ficou meio obscura para mim, penso muito sobre isso, sobre essas relações da "mídia-ação".

Outra coisa que me marca muito é a diferença (por exemplo) das críticas da Bárbara Heliodora (que conheço, e adoro - melhor professora é difícil encontrar), em relação ao "processo de críticar" que o saudoso (meu ex mestre, também) Yan Michalski usava.
Por mais que eu seja louca por ela, tenho que reconhecer que o método do Yan levava o leitor à reflexão em primeiro lugar, o que sou obrigada a sentir como mais produtivo...além de me lembrar o que meu pai fazia no rádio, para frequente desgosto do Getúlio...

Nem me passaria na cabeça que você em algum momento fosse "canalha" escrevendo (ou fora disso, claro); seu texto, se caracteriza por ser "...abrupto porém reto..." como diria Roberto Schwartz; assim, seu próprio texto desmentiria por si essa possibilidade.

Mas o jogo que sabemos existir na "mídia-ação" cria situações no mínimo embaraçosas (como várias pelas quais meu pai passou, que um dia te conto).

Daí a curiosidade.

Caraca...tô falando muito, e o espaço é teu; perdoe-me; no próximo "ataque verborrágico" mando e-mail, ok? rsrsrsrs
+BJS!
Grazi Aronovich disse…
Achei o documentário maravilhoso e muito pertinente pra esclarecer um grande erro histórico do Brasil em relação ao SImonal.além do mais, foi muito bem montado e costurado o doc. ah!parabens pelo seu blog, muito legal mesmo.
visite o nosso tbem e deixe sua opinião. http://inteirativa.blogspot.com
angelo alfonsin disse…
Foi coisa da esquerda festiva carioca, que só prestava para justificar o golpe, sua guerrilha etílica deu nessa injustiça diante de um dos maiores cantores do Brasil em todos os tempos.
Já se conhece inúmeros torturadores, muitos corpos desaparecidos já foram descobertos, só não apareceu ninguém que se saiba dedurado por Simonal.
Arrogância por arrogância nada se compara ao jornalismo tupiniquim, os médicos se acham Deus, os jornalistas tem certeza.
Patty Diphusa disse…
Ainda não vi, mas verei. E gostei do que vc falou em relação à chapoletada. Era muito difícil para todo mundo se distanciar como é possível agora. Mas vale muito reconhecer que talvez tenhamos contribuído para algumas injustiças. Isso o distanciamento nos dá e não pensar nisso nos prende, irremediavelmente, ao passado.

Um abraço
Anônimo disse…
O que eu tenho percebido é essa constante confusão entre obra e autor. Em se tratando da obra, as músicas de Simonal nunca me atraíram, assim como as de Roberto Carlos não me atraem. Mas isso não quer dizer que eles não tenham importância no cenário da MPB.
Quanto ao autor, seu ato foi de uma repugnância tamanha. Ninguém manda prender e torturar (e ainda presenciar tal tortura) uma pessoa e, depois que tais fatos se tornam públicos, querer manter a mesma simpatia de antes. Simonal foi juiz, algoz e réu condenado ao mesmo tempo. Se ele delatou alguém do meio artístico, não sei. É difícil acreditar que seja verdade. Mas vamos aguadar. Pelo que me comentaram, a resposta ao desafio do Chico Anysio está sendo preparada em "banho-maria".
Isso ainda vai render muito. E espero que renda até que a verdade venha à tona.
quilombonnq disse…
1. REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA!
A COMUNIDADE NEGRA AFRO-LATINA BRASILEIRA
A FAVOR DAS COTAS RACIAIS E
APOIA É SOLIDARIA AO POVO PALESTINO. VIVA A PALESTINA!
Viva! Chávez! Viva Che!Viva! Simon Bolívar! Viva! Zumbi!
Movimento Chàvista Brasileiro
Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
quilombonnq@bol.com.br
Anônimo disse…
2. REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA!

Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder Zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che,Viva MalcolnX ,Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Fidel,Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
quilombonnq@bol.com.br

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