ainda sobre a extinção do jornalista

É óbvio que a postura deles não poderia ser outra mas não deixa de ser muito triste ver William Homer (digo Bonner) e sua partner Fátima Bernardes,jornalistas formados e diplomados, lendo com regozijo essa noite no Jornal Nacioanal a notícia de que o patrão deles apoia plenamente o fim do diploma para exercer a profissão de jornalista. Jornalistas risonhos lendo com satisfação a notícia de que o patrão deles apoia ( e acha democrática)o fim do diploma para a profissão que eles exercem. Como muitas vezes o jornalismo global é mera ficção fica então aberto o caminho para que o JN seja apresentado por Juliana Paes e Márcio Garcia por exemplo. Cuidado casal telejornal ! É óbvio mas nunca imaginei viver pra ver cena tão surreal.

Comentários

Anônimo disse…
Sr Soares, o sr (e outros defensores da diploma) sempre vêm com expressões alarmistas tais como "fim da profissão", "vitória do patronato", etc. Mas nunca explica porque países de grande e longa tradição de jornalismo livre e combativo (sem ser perfeito), por exemplo Inglaterra e os Estados Unidos, não exigem diploma? Também, seu próprio texto milita contra seu argumento - "..eu teria feito era História mesmo como eu queria.." Duvido que o sr, fazendo história na faculdade e depois entrando no jornalismo para aprender no dia-a-dia, seria hoje um jornalista melhor (lambe, lambe...) mas quem sabe? O sr acha que seria (a) jornalista melhor, ou (b) ser humano mais feliz/realizado? Ou nenhum dos dois?
Com o abraço do...
Seu amigo inglês.
Marcio Gaspar disse…
olha ricardo, pra mim é foda ter que ficar 'do mesmo lado' dos editorialistas da folha, mas tendo a concordar com a não-obrigatoriedade do diploma de jornalista. o diploma não atesta qualidade profissional, ainda mais com as faculdades que temos por aí, onde pululam e de onde jorram analfabetos 'fuuncionais' e/ou ignorantes completos. fiz jornalismo na puc, não aprendi porra nenhuma - aprendi mesmo foi na lida, na vida. faculdade não vale de nada se o cara não estiver afim, se não estudar por conta própria, se não fizer 'a sua própria agenda'. ao mesmo tempo, não acho que qualquer um seja creditado a escrever. acredito que os cursos de jornalismo deveriam ser uma especialização de humanas e, aí sim, o diploma poderia ser obrigatório. mas do jeito que é, melhor que não seja. e pra completar: meu pai, que foi o melhor jornalista que conheci - e com quem convivi - na vida, mal e mal concluiu o ginasial.
angelo alfonsin disse…
A não exigência do diploma, talvez sirva para o jornalismo "tudo-o-que-meu-mestre-mandar", afinal o dito cujo pode ser aceito pela cor dos olhos, e pela fauna modelo-atriz, jogador de futebol, empresário....
as novas gerações afiarão seu senso crítico da realidade.
Já Bonner and Clyde Fátima só são jornalistas pelo diploma.
Inglaterra e USA historicamente fazem (vivem) o elogio do estudo, do mérito na concorrência, com ou sem exigência de diploma.

ESSA é a diferença.

Eu, que nem jornalista sou, me sinto insultada!
Esse desaforo MAIS UMA VEZ faz AQUI o ELOGIO DA IGNORÂNCIA, da DESQUALIFICAÇÃO da formação acadêmica.

A academia é feita também por seus estudantes; seu curso está ruim? Brigue pela melhora, mas não desqualifique o valor do estudo, da conquista desse espaço.

Meu pai foi jornalista (radialista) dos primeiros anos do rádio no Brasil (até o Estado novo destruir sua vida profissional), e teria dado a vida por um aprimoramento que viesse da academia, que no tempo dele não havia ainda aqui; ele não tinha grana para buscá-lo fora.

Mais uma vez ficará valendo a porta aberta ao valor do "QI", ao valor do "homem cordial" (do "amiguinho do coração"), que - longe de ser um elogio - era o horror do sabiamente crítico Sergio Buarque de Holanda do "Raizes do Brasil".

Esses desvalores destroem quaisquer possibilidades de se construir um Brasil que valorize o esforço, a dedicação, a meritocracia justa, ESPECIALMENTE com relação a TRABALHO.
Marcio Gaspar disse…
christina: essa exaltação do trabalho, do esforço , do estudo, do sacrifício, é uma das piores heranças que carregamos da maldita formação católica burguesa moralista ibérica. o trabalho enobrece o homem? coisa nenhuma! o ócio enobrece o homem! o prazer liberta, o sacrifício do estudo é uma merda! quer estudar? que seja por prazer e pelo prazer. quer trabalhar? que seja por prazer e pelo prazer! o resto é discurso de classe dominante, é estratégia escravagista.
Marcio:

Você não consegue imaginar o humor de cada um flutuando TAMBÉM no trabalho?...

Pena que você pareça não estar fazendo (ainda) o que deseja...

Pois quando se trabalha no que se deseja, o trabalho passa a ser o brinquedo do adulto, assim como a brincadeira era o trabalho da criança...

Sou dura-de-marré-de-si, pois trabalho MUITO menos do que gostaria (não por opção, mas por falta de oportunidades);trabalho menos do que seria necessário inclusive para preencher meu ócio (QUE EXISTE, É CLARO) com qualidade ainda maior; mas adoro o que faço, e não abro mão da dureza (praticamente compulsória) em troca de fazer outra coisa!...

Me divirto horrores com meu trabalho, com meus ETERNOS estudos...
E, para sua decepção máxima, sou pagã, embora de um jeitinho MUITO particular.(O solstício de Inverno está chegando, heim?!rsrsrsrsrs...)

Você poderá dizer: -"Tem trabalhos chatérrimos, abjetos, que não tem como dar prazer"; não só concordarei com você, como lembrarei que faz parte do MEU modesto trabalho debater isso, e instalar provocações e intervenções nisso; no Mundo, na vida da Vida...

Se estiver a fim, dependendo da sua formação, e da qualidade do seu currículo, podemos trabalhar juntos! Na boa!
Adoro "encontrar minha turma"!...

Desculpe Ricardo por responder o menino aqui, mas não sou muito boa ainda nessas coisas internéticas, e fiquei sem saber como...

BJS para ambos!
Flávia D. disse…
O argumento mais sem noção, depois do GM nos comparar a cozinheiros, é esse seu Márcio. Me desculpe, nem lhe conheço. Mas se for para discutir a formação acadêmica baseada no tipo de profissional que vai para o mercado, vamos retirar o diploma de todas as profissões, pois há médicos, advogados, dentistas, professores que são estúpidos, ignorantes e de mau caráter. Ora, é óbvio que a academia não atesta qualidade, mas não é só a de jornalista. Então, pergunto, pq só nosso diploma não vale? A academia oferece o tempo de reflexão e aprendizado, o comportamento que cada um vai adotar depois é pessoal. E duvido, me custa muito a crer que você não aprendeu nada na universidade.
Esse argumento me parece tão absurdo, principalmente quando se discute que o país precisa cada vez mais de educação.
Márcio disse…
Hoje em dia, qualquer candidata a modelo, apresentadora de tv e starlets em geral afirmam que estão cursando jornalismo. E daí? Terão algum dia a capacidade intelectual e o talento de um Euclides da Cunha, de um Paulo Francis, de um Nelson Rodrigues, ou mesmo de um Truman Capote, para citar apenas quatro grandes jornalistas que nunca cursaram uma faculdade de Comunicação Social? O direito à informação e de ser bem informado é do público, e não monopólio de corporações profissionais. Um exemplo: Prefiro mil vezes ler uma crônica esportiva do Tostão do que as baboseiras escritas pelos jornalistas esportivos, que quando não se deixam levar pela pura paixão esportiva(um dia um time é ótimo, no outro é uma merda...), chafurdam na mais deslavada corrupção, fazendo reportagens que servem de mote para negociação de atletas ou outros fins ainda mais inconfessáveis. E os jornalistas culturais, então? Encontram-se numa situação de tamanha penúria que estão se vendendo até por convites vips em festas, shows e almoços grátis em restaurantes da moda. As vozes que tenho lido nos comentários deste blog são rídiculas, pois ecoam a defesa de um corporativismo inócuo e que já foi tarde. Diploma de jornalista? Bye, bye...
Márcio disse…
Apenas reforçando o comentário anterior: Na situação jurídica pregressa, se Truman Capote e Nelson Rodrigues fossem pedir emprego numa redação, não seriam contratados, pois não teriam o famoso diploma de jornalista. Em vez deles, o jornal bem poderia contratar um ex-bbb, paquita, chacrete e todos esses que, embora dotados de cérebros de gafanhotos, possuem o dito cujo. Ou seja, uma situação absolutamente rídicula, que não tem nenhuma razão de ser, e que só serviria para empobrecer o sagrado direto de informação do cidadão, já lesado por esses quarenta anos de de um injustificável corporativismo.
Marcio Gaspar disse…
alguns pontos. primeiro, para a christina: também nâo sou católica, mas a herança a que me referi é atávida, está 'colada' em nós - que temos ancestrais portugueses -, queiramos ou não. e eu gosto do meu trabalho. mas quantos estão nessa situação. um em cada dez, pra ser otimista. agora, pra flavia d: na universidade, aprendi que na maior parte das vezes o que se faz é comprar um diploma à prestação. qdo fiz a faculdade de jornalismo, já atuava na área - e ficava chcado com a distancia abissal entre o que se vivia nas redações e o que se ensinava em aula. ridículo, absurdo, triste. e o marcio que comentou na sequencia não sou eu, mas mandou muito bem o xará. concordo 'ipsis literis'.
Marcio Gaspar disse…
oops... católicO e atáviCa...
ANA LÚCIA disse…
Estou indignada. Como podem excluir o Jornalismo das faculdades? Não concordo com Márcio, sobre o seu ponto de vista amigo todas as faculdades deveriam deixar de exisitir já que na maioria delas "existem" alunos ignorantes e sem noção, onde muitos estão por ali visando status e por achar que vão ganhar muita grana, exemplo: medicina. Tanto que vemos médicos formados matando pessoas em cirurgias consideradas simples. O que faz a diferença é a seriedade com que cada um encara o curso. A vida ensina, concordo, mas a base (técnica) vem dos cursos superiores. Então vc acha certo de que daqui um tempo, vamos ler nos jornais textos sem sentido, com erros de português e sem credibilidade? Vc acha certo assisitir jornais onde com certeza veremos pessoas apenas lendo o texto sem nem saber do que se trata, digo a nível de profissionalismo. O importante não são rostinhos bonitos e roupinhas engomadas diante da TV e sim jornalistas que nos passam as notícias com clareza e que saibam o que estão dizendo. A faculdade de jornalismo não se limita apenas em ensinar a escrever, pelo que sei tem uma vasta grade de matérias importantes e se vc observar quando o jornalista é bom percebemos que ele usa muito bem tudo o que aprendeu na faculdade. O que vai acontecer? Dizem que os jornalistas que estão no mercado não serão afetados. É claro que serão... Quanto ao comentário (infeliz) do anônimo, digo que estamos no Brasil e aqui a banda toca de outro jeito e diploma é importante sim! O nosso país precisa de mais cultura de cidadãos formados, de muita estrutura e investimento para educação e ao invés disso estão excluindo faculdades! Qual será a próxima? Políticos vão procurar o que fazer, vão matar a fome dos pobres, fazer estradas decentes, cuidar da Amazônia, criar mais escolas etc. Não mexam aonde não precisa!
Michele Prado disse…
Pois é, Ricardo, mas o que mais me assusta é ver pessoas concordando com a decisão do Supremo, alegando que para ser jornalista basta escrever bem. Saber apurar uma informação vai pro beleléu, no mínimo.

Coloquei no meu blog uma imagem que recebi por e-mail falando disso. O novo best-seller "Jornalismo para não-jornalistas".
Karina disse…
Ricardo,me chamo Karina tenho um pouco mais de vinte anos então.por favor desculpe a imaturidade da pergunta que farei.
Com a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo,o que uma pessoa que realmente deseja ser jornalista e não apenas quer ficar fazendo pose em frente a camêra deve fazer?
Obrigada pela atenção.

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