NATÁLIA E VALENTINA

direto da guerrilha colombiana
Sabe-se lá porque cargas de pé d'água que hoje ao voltar de uma viagem até a região de Resende e Itatiaia (RJ) me deu uma vontade de escrever sobre a foto acima quando esbarrei nela no combalido HD do meu soluçante computador. A foto é de final de junho de 2001, uma época remota se formos levar em conta que o mundo se divide em antes e depois do atentado de 11 de setembro daquele mesmo ano.Talvez o fato de voltar de uma viagem com lama em volta me tenha levado para essa lama toda que vocês miram aí na foto , uma lama que gruda nos pés e botas de quem se aventura pelo sul da Colômbia, o que fiz pela primeira vez nesse remoto 2001  quando fui acompanhar a entrega unilateral de prisioneiros  que guerrilheiros das FARC faziam sob a supervisão da Cruz Vermelha e outros organismos internacionais.
Essa incursão acabou resultando em outras tantas pela Colômbia até 2007 quando foi montado e lançado às pressas( contra a minha vontade) o documentário "Colombianos" que a Tv Cultura lamentavelmente só exibiu duas vezes o que me deixou com a sempre presente sensação de frustração como realizador, frustração compartilhada por alguns telespectadores que gostariam de assistir a uma versão mais completa e menos compacta do documentário . Mas essa é outra questão que não cabe aqui hoje.
Vim para falar das guerrilheiras Natália (à minha esquerda na foto) e Valentina, à direita. Elas foram nossas  cicerones no período em que passamos dentro do acampamento das Farc na região de Los Pozos naquele junho de 2001. A foto que vocês vêem deve ter sido tirada pelo bravo repórter Aldo Quiroga que nos acompanhou nessa jornada rumo ao esquecimento assim como o cinegrafista Edgar Luchetta e o operador de áudio Alcides que também aparece na foto.
E por que falo dessa foto e dessa situação ? simples ... ao achar essa flagrante perdido no HD ( não é uma foto digital ainda) lembro que depois dessa data toda a zona de exclusão ao sul da Colômbia foi extinta e o conflito entre governo e guerrilha recrudesceu como bem acompanhamos nos últimos anos. Muitas inverdades são ditas todos os dias na mídia mundial sob as caraceristicas desse conflito peculiar e complexo e ao ver essas jovens guerrilheiras que nesse momento confessavam de maneira muito informal e sem freios suas apreensões e desejos como mulheres, guerrilheiras e colombianas simplesmente me pergunto que fim elas levaram. Acho muito improvável que estejam vivas o que faz meu coração ficar apertado porque independente do que tenham feito eram jovens cheias de ideais. Eu , suado, cansado, molhado pelo mormaço tropical estava ali diante delas tentando entender. Mais de oito anos depois continuo querendo tentar entender não só esse conflito mas tantas outras coisas ali passadas e falsamente recontadas. No entanto aqui só há espaço para esse sentimentalismo batido e barato que pergunta : onde estarão vocês, Natália e Valentina ?. Se não posso responder ao menos queria dizer que há um conto que escrevi e que foi publicado na BESTIARIO (revista de contos on line) que foi livremente inspirado naqueles momentos que vivi com vocês e com um grande grupo de guerrilheiros em julho de 2001. Quem tiver curiosidade de ler o texto é só Clicar aqui...

Comentários

Tomara estejam vivas, tenham voltado a estudar, e conquistado uma autonomia mínima......
Torçamos...
Bjs!
E. Campos disse…
Nada contra o engajamento e a capacidade de se manifestar da nossa juventude, como a que ganhou as primeiras páginas dias atrás, protestando contra as vestes arejadas de uma nórdica tropical; mas também não posso deixar de notar, com algum desânimo, que todos os ativistas que tenho visto atuando por causas ambientais têm a cabeça branca.
Aí estão Belo Monte, a transposição das águas do São Francisco, as obras no Madeira e no Tapajós; os Urutus do PAC contra nossos rios, Fauna e Flora, indefesos e abandonados.
Eu gostaria que Natália, Valentina e muitos outros tivessem cruzado as fronteiras.
Ou, ao menos, alguns de seus ideais.
E. Campos disse…
E o conto é lindo.
Transparente, bem escrito, e, melhor que tudo, humano.
Anônimo disse…
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semelokertes marchimundui

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