CELSO PITTA, cadáver político


A revista Piauí 39 que está nas bancas trouxe como artigo de saída da edição uma pensata não assinada que tem como título “Um Judas da Política” que trata sobre vida, obra e morte de Celso Pitta, o prefeito carioca de São Paulo que faleceu recentemente aos 63 anos vitimado por um câncer no intestino. Nós brasileiros temos um habito muito paradoxal em relação aos nossos mortos. Ou os incensamos e os transformamos em semideuses como aconteceu com Ayrton Senna ou então chutamos o cachorro morto como já se fazia em vida com Celso Pitta, relegado a um ostracismo politico e pessoal quase que sem precedentes na crônica mundana recente.
Nunca tive e jamais terei a menor simpatia pela figura pública de Celso Pitta mas salta aos olhos o quanto esse cadáver politico foi espezinhado enquanto seus mentores e outros tão ruins ou piores do que ele continuam aí na vida pública e a freqüentar salões nobres e colunas respeitáveis de jornalistas bajuladores. Pitta tornou-se involuntariamente uma espécie de bode expiatório para tudo de ruim que acontecia em São Paulo como se através dele pudéssemos purgar todos os nossos pecados politicos . Não creio nessa balela de que ele foi hostilizado porque era negro, elegante e pedante. Acho que foi muito mais hostilizado por ter feito sempre esforço enorme para ser aceito onde não o queriam mais. Pitta despencou do panteão dos quase-heróis. Não pode ser incensado , não pode escapar das graves acusações que pesavam contra ele mas continuava a freqüentar com sua “girafica” figura todos os salões de novos ricos e emergentes servindo de carniça facil para os urubus engraçadinhos que chegavam de câmera em punho pra tirar onda da cara dele. Cavaleiro de triste figura, anti-exemplo para os negros por sua péssima gestão na medida em que a cor de sua pele dava margem a argumentos hediondos de que negro no poder não dá certo visto que o outro exemplo, Benedita da Silva, também foi um fiasco total.
Não acho Pitta digno de dó. Acho que toda a politica é digna de dó na medida em que usa, masca e cospe certas figuras. Pitta foi uma delas. Um Judas malhado em praça pública. Um bagaço de cana jogado na beira da estrada. Mesmo que tenha dado motivos pra isso lembro daquele seu olhar entre altivo e sorumbático como a prescrutar as nossas consciências perguntando : onde foi que eu errei ?
Seu fim foi tão triste que poucos se deram conta de sua morte. A mim mesmo a notícia passou batida e só me dei conta dela com o artigo de Piauí. Pitta está morto mas tudo aquilo que ele representa ,todos os seus fantasmas,continuam por aí rondando corações, mentes e verbas públicas.

Comentários

ANA LÚCIA disse…
Passei por aqui para ver as últimas postagens, como sempre inteligentes!
Abçs,
Ana
Faço minhas suas palavras. Adoro passar por aqui.
Bjs
edson menezes disse…
Ricardo, você tem a manha de, em poucas linhas, expressar o pensamento de muitos.
Quando estás inspirado é foda !

Abraço e parabéns pelo post.

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