CONTUNDÊNCIA DA DOR

Não se trata de fazer proselitismo da tragédia , repetir surrados argumentos de que a natureza se vinga e que os homens merecem. Não se trata sequer de tomar um susto. Talvez se trate mais uma vez de pensarmos na nossa pequenez, na dimensão humana da ajuda desinteressada, no que podemos fazer diante da dor, da natureza da dor, da contundência da dor tão bem expressa na triste foto acima. O Haiti, se por karma ou mero descuido de Deus, é sempre devastado por toda sorte de azares.Muito mais que nossa solidariedade ou ajuda é preciso que pensemos que parte temos nisso tudo. A Terra "pur si muove", é fato. Mas não anda assim  tristemente chacoalhada com tantos destemperos, desmazelos e abusos que cometemos contra ela ? Não se vinga ferozmente no Haiti, no Rio, em Angra, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Ilha Grande ? o  ano começa mais uma vez com sua triste crônica de tragédias ambientais, devastação, desrespeito, noções toscas de desenvolvimentismo que privilegia a queima total dos combustíveis fosséis, o consumo desenfreado como turbina da economia e a ridicula e falsa noção ( muito brasileira por sinal) que família feliz é família com carro novo ? A contundência da dor deveria ao menos nos ensinar que por enquanto ela é de muitos mas ainda não é de todos. No ritmo em que vamos , vamos muito mal. Em breve não teremos quem vele ou enterre nossos mortos porque estaremos todos mortos. Isso não é alarmismo, isso são sinais que nos chegam todos os dias em nossos plasmas chiquérrimos. Uma realidade que nem mesmo os horrendos textos açucarados e melodramáticos da Tv Globo podem amenizar. A contundência da dor, como na foto acima, incomoda, é cruel. Mas pode ser educativa. E eu , mais uma vez ingenuamente, achei que os homens pudessem despertar melhores em 2010...

Comentários

Cafeína disse…
O planeta cada dia nos suplica por atenção e tudo que fazemos é ignorar seus sinais. Há tempos venho dizendo o quanto temo pelo futuro próximo, não aquele que os egoistas dizem não estarem vivos para assistir. Aquele futuro próximo que viveremos no dia seguinte.

Mais um belo texto, querido, é uma honra poder te ler. Se me autorizar publicarei no meu blog com os devidos créditos.

Há braços! ; - )
Ricardo Soares disse…
fique a vontade querida...publicar esse texto num blog tão hiperativo e bem amarrado como o seu só me lisonjeia...e grato pelos elogios exagerados...hehehe...kiss

ps. o que as pessoas não se tocam é que o dia seguinte está aqui, na nossa frente... e nós vamos afundando...o naufrágio começou... será que eles não enxergam ?
Jaime Guimarães disse…
Ricardo, não saberia nem como definir o sentimento que eu tenho sobre o Haiti. É uma confusão de tristeza, de assombro, de raiva...arrisquei umas palavras no blog procurando entender algo.

Catástrofes naturais como terremotos, maremotos, furacões são até comuns, mas quando o país atingindo é absolutamente miserável como o Haiti a coisa se transforma em caos absoluto. Na verdade em qualquer país que ocorresse um terremoto de tal magnitude sofreria muito. Imagine em um país miserável. Agora tente imaginar algo parecido no Brasil. Melhor não imaginar, mas quando olhamos casas soterradas por toneladas de lamas que deslizam dos morros devido às fortes chuvas...

Enfim, reconstruir o Haiti será preciso, claro; mas já passou da hora de reconstruir nossas consciências. Nossa condição humana neste planeta.

Um abraço e parabéns pelo texto!
Dri Viaro disse…
Boa tarde, chegou fim de semana!!

Por isso lhe desejo que vc fique com os seus, e aproveite totalmente estes 2 dias de folga.

bjssss

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