Emboscada em Tom Wolfe

Muitas vezes nessa minha bissexta e mal cuidada trajetória de TAMBÉM  escritor pensei em largar mão do assunto quando me deparo com caras tão habilidosos no ofício que nos deixam apenas com a opção de desistir pois ficamos a pensar que tudo que é bom em literatura já foi feito.Um desses caras é Tom Wolfe de quem conheço muita coisa mas não havia lido a curta novelinha chamada EMBOSCADA NO FORTE BRAGG, lançada no Brasil em sua primeira edição em 1998. O livro me caiu nas mãos numas dessas bancas de ofertas em livrarias de aeroportos e agora eu trouxe e li aqui em Luanda já que tentei pôr na bagagem livros mais leves no sentido de tamanho e número de páginas. Preferi mais quantidade do que "tijolice" para trazer na mala. Wolfe nessa curta e amarradíssima história funde uma poderosa rede de televisão americana  com soldados skinheads homofóbicos que arrebentam com um recruta gay no banheiro de um bar cheio de testosterona num recanto racista e militar onde a soldadesca ouve country metal  e bebe cerveja e drinks pesados em quantidades industriais. De certa forma uma leitura que nada mas ao mesmo tempo tudo tem a ver com essa minha estada em Luanda por conta da quantidade de jovens cheios de testosterona que vejo a fazer horrores com carrões por aqui embalados por cervejas e outros aceleradores de macheza , se é que vocês me entendem. Pelo sim , pelo não, Tom Wolfe sempre é bom. Quem não conhece esse livro corra atrás. Deleite garantido. 

Comentários

E. Campos disse…
Bom saber. Esse Forte Bragg sempre me deixou curioso. E, afinal, o cara é autor de The right stuff.
Mas o que tá pegando no Brasil (eufemismo do avesso pra 'aqui em casa')são as traduções e edições da obra do japonês Kawabata pela Estação Liberdade.
Se ainda não devorou, vai a lembrança. Aqueles Contos da Palma da Mão são essenciais.
Não conhecia Tom Wolfe até ler este livro. É realmente uma novela que questiona muito os meios da televisão para conseguir audiência. Mas, por outro lado, me deixou com a impressão de que ele tenta passar uma mensagem a mais do que uma simples crítica social. A novela aborda tabus, como o racismo skinhead, a homossexualidade, o machismo. O personagem Irv Durtcher é judeu. Não sei se tem algo a ver com o fato do personagem não ter ética, e se fazer coisas ilegais para atingir seus objetivos. Por isso leiam e reflitam também. Vale a pena. Lindomar J.L. de Souza Lajeado RS

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