A LINDEZA DA VELHICE

Quem de nós não filosofa mesmo sem saber ? daí nasceu por certo a filosofia de botequim, o “mora na filosofia” , o epíteto de filósofo a todo aquele que de certa forma nos faz pensar um pouco. Pois nos meus estilhaços de filosofia barata sempre pensei na questão do envelhecimento e seus paradoxos. Afinal velhice é uma questão de estado de espírito ou mesmo uma questão física ?
Por tudo o que vivi em meio século de vida e pelo que vivencio hoje em dia em Angola cada vez mais creio que a velhice é mesmo um estado de espírito pois estou conhecendo por aqui jovens muito velhos e velhos muito jovens. Quando pensava no meu próprio envelhecimento sempre mirava como modelos aquelas mentes ativas e produtivas que continuavam a criar apesar da idade avançada. Um desses “modelos”, ou o principal deles, era o falecido cineasta japonês Akira Kurosawa que entrado nos oitenta anos continuou a produzir coisas lindas . Aliás o assunto desse post surgiu justamente pq ontem em conversa com meu amigo Sérgio Tulio Caldas, cá em Luanda, ele revelou exatamente a mesma impressão e modelo quando pensa na velhice : Akira Kurosawa. Na mesma linha de “idoso ativíssimo” do diretor de “Dersu Uzala” podemos pensar em Fellini, John Houston , Manoel de Oliveira é só aí então percebo que inconscientemente quando falo de “velhice produtiva” estou elencando cineastas, talvez porque os holofotes da profissão exponham muito mais esses profissionais experientes. Mas os “kotas” – como se diz am Angola- estão por sorte em muitas atividades . Até no jornalismo pátrio como podemos ver pela lida diária que ainda exercem profissionais de diferentes matizes ideologicos como Mino Carta, Alberto Dines, Janio de Freitas, Elio Gaspari, Carlos Heitor Cony sem falar em escritores gringos como Garcia Marquez, Vargas Llosa, José Saramago, Philiph Roth e até o fim caras como Norman Mailer e Bukowski. Tudo isso , a par ser uma digressão filosofica barata, oculta um desejo interno meu , extensivo a amigos queridos e produtivos. Que envelheçam e morram na mais frenética atividade, reconhecidos e bem pagos pois o ostracismo, a aposentadoria e o esquecimento são os piores venenos que podem existir.
JOHN HOUSTON

Comentários

E. Campos disse…
Um bom amigo e vizinho meu, recentemente falecido, aos cem anos de idade, sempre me dizia que 'na velhice, o que não dói é porque não funciona mais'.
Mas apesar das dores e da cegueira, não se mudou para a cidade, e manteve o bom humor até o fim.
peri s.c. disse…
Oscar Niemeyer, outro grande exemplo.
Ricardo Soares disse…
E.Campos... que figuraça esse seu vizinho...

Peri... bem lembrado o Niemeyer
E. Campos disse…
Esse vizinho bem humorado foi um sábio que, por seu trabalho e ações ambientalistas, mereceu e recebeu o mesmo prêmio internacional concedido a Chico Mendes.
Quanto ao Sr. Niemeyer, me desculpem, mas não consigo admirar alguém tão ligado ao Poder, por tanto tempo.

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