Minha mãe partiu faz oito anos


Escrevo de manhã nessa surpreendente rede social que é o Facebook, e também no Twitter que : ”Ouço frase clichê :mãe é uma só! verdade! há exatos oito anos perdia a minha.A saudade rima com dor,doe, me espezinha”. Agora, de noite, vejo alguns comentários que esse escrito suscitou e pergunto a mim mesmo : “por que escrever sobre a própria mãe assim a esmo, na promiscuidade internética das emoções baratas ?”.
Na verdade não sei dizer os motivos que me fazem escrever sobre ela e nem se de fato me culpo por estar expondo as vísceras para falar disso. Fato é que se não escrevesse sobre o assunto talvez não ficasse livre dele.De uma maneira simplista, rastaquera, lembro aqui do que dizia o Leminski : " eu não faço terapia, eu escrevo". Pois sim ... me identifico com isso e dessa maneira lido com a dor da perda , oito anos depois. Uma perda comum a muitos de nós que navegam nessas ondas virtuais. Uma perda para a qual outros tantos não se acham preparados. Muitos nem querem pensar sobre isso.
Toda vez que isso o blog pra coisa tão corriqueira e tão pessoal volto a refletir sobre o sentido de ter um blog. É ter utilidade pública ? mas quem foi que disse que as vezes falar de assunto tão pessoal não pode ajudar , ser de utilidade pública ? Enfim , já estou divagando apenas pra dizer da falta que ela me faz. Pra lembrar do último gesto que me dirigiu e da última palavra que me proferiu . Pra lamentar não ter aqui uma bela imagem digital de minha mãe pra mostrar pra vocês. Só essa aí acima ao lado do meu pai ( já falecido também em 1996) pela qual tenho o maior carinho pois ambos estão bem postos. Plenos e serenos. Suspiro então com relativa serenidade  e encaro de frente essa dorzinha pesarosa no dia  que lembro que ela partiu. São oito anos. O  nome dela era Nilza. Mas pra mim apenas mãe...

Comentários

Depois de uma postagem dessas... Acredito que, onde quer que esteja, a sua mãe está emocionadíssima pelo seu carinho por ela!!! Ricardones... Um dos talentos que pretendo evoluir com vc é esta veia escritora que vc possui!!! fico sempre de cabelos arrepiados quando leio um texto seu!!! suas pilulas de sabedoria são já um secesso absoluto cá em Angola. Bravo Ricardones Chinendeli!!!

Abraços calourosos do seu discipulo... Bruno Constantino
E faz exatos oito anos que nos conhecemos!! Foi nessa época que nos "achamos". Vc esteve aqui para se despedir de sua mãezinha linda e não pudemos nos encontrar. Dois meses depois vc retornou e nossa amizade começou.
Não imagino como deve ser essa dor. Ou melhor, só de pensar que isso pode acontecer comigo (caso eu não vá primeiro)já sinto uma parte de mima arrancada.
Ric, amore mio. Se agarre às boas lembranças. Aos ensinamentos. Aos legados de caráter que eles te deixaram.
Eles vieram para nos dar essa pessoa maravilhosa que é você. Sim, teimoso, nervoso e meio intolerante às vezes, mas um cara com um coração enorme!! Que ama as irmãs e sobrinhas... que venera o filho... que tem carinho pelos amigos...
Sinto muito por sua perda (mesmo!!!), mas agradeça a Deus por ter tido a oportunidade de ter nascido em uma família tão linda e amorosa!!!
Te adoro!!!
E morro de saudades!
beijos e feliz dia de lembranças da mãe!
O meu blog chama Divã por causa dessa exposição mesmo. Não é emoção barata sentir saudades da mãe. Mesmo de mãe viva. A foto escaneada de seus pais é linda. Como os meus, eles foram feitos no tempo que as coisas duravam. Mãe e pai nunca deveriam morrer antes da gente. Mas minha irmã morreu aos 24 anos e minha diz até hoje que nenhuma dor pode ser comparada a de perder um filho. Ou seja, nunca estaremos verdadeiramente preparados pros definitivos adeus. Achei seu texto lindo. Obrigada por expor sua poética víscera pra gente.
E. Campos disse…
O comentário do Bruno Constantino chegando da África justifica o teu blog por mais uns treze anos.

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