O apagão bíblico

       
     Diante dos flagelos naturais surge à tona o pensamento sobre a precariedade da civilização humana e todos os valores tecnológicos que temos a disposição (?) e que de uma hora para outra podem falhar. Quem aqui já não ficou refém da frase "o sistema caiu ?". 
    Pois o "sistema" cai todos os dias em algum lugar do país ou do mundo ou cai avassaladoramente e em conjunto como vimos agora na região serrana do Rio. E ninguém sabe para onde correr pois ficamos sem celular,internet,água, luz,toda a modernidade imersa na precariedade. Somos reféns dos monstrengo que criamos e já não se imagina um mundo sem computador,Ipod, Ipad, celular, internet, redes sociais. Armamos uma armadilha para nós mesmos quando fazemos nossos pagamentos, resgates bancários, supermercados, embarques aéreos dependerem do "sistema" que cai.
   Uma variação desse tema que abordo já foi descrito com maestria pelo Carlos Heitor Cony numa crônica para a "Folha" em 2003 e ali ele descrevia inclusive que um simples fusível colocado no lugar errado ou a chamada "fadiga de material" ou simplesmente erros humanos podem gerar apagões de proporções diversas.
    O grande medo, o fantasma senior dessa nossa era é justamente o apagão de proporções biblicas, aquele que é previsto que aconteça três dias antes do fim dos tempos e que nos devolva para as trevas das quais viemos. Esse o nosso paradoxo maior. Tanto caminhos para a modernidade que estamos ombro a ombro com o nada, o vácuo absoluto. Nesse momento , se ele ocorrer,é preciso mais do que nunca saber quem a gente quer do lado pra segurar a nossa mão.

Comentários

E. Campos disse…
Thoreau na cabeça.
Radical é ar condicionado.
Anônimo disse…
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c.k. disse…
Apoteótico isto tudo que está acontecendo no Rio. Como a explicação 3 do Michaelis:

"Quadro final em representação teatral, no qual costuma tomar parte toda a companhia e onde a riqueza da montagem e da iluminação tem o objetivo de produzir um clímax emocional nos espectadores."
Explico a metáfora.

A culpa é um sentimento que devia ser banido da humanidade. Há um desastre? Doe dinheiro, doe alimentos, doe água ou o que quer que seja. Mas bater palmas para a cada corpo que é resgatado em sua culpa seminal de existir não faz sentido algum.

Não estou escrevendo isto para suas belas palavras, e sim para o que vira para o cidadão comum acompanhar cada tragédia do que acontece no nosso planeta.

... E o carnaval virá. Espero que não chova.

Claudia Ka.

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