Na cidade fantasma



      Não tem filme mais rodando por ali. Nem o parquinho de diversões funciona. Os telhados não são mais telhados, são fendas abertas nos tetos a deixar entrar o tempo. Há buracos nas lajes, nos portões de ferro, nas podres bicicletas e nos assentos das cadeiras do cinema antigo que tem um cartaz do “Destino de Poseidon” esmaecido logo na entrada e um ninho de corujas onde ficava o projetor.
   Uma geladeira estática está no meio da rua a congelar as horas. Um dia comeram do que ela guardava. Perto dela um fogão descabeçado, sem forno, bocarra aberta a engolir morcegos.Choveu e as poças empoçam as recordações. Os pais, os filhos, os tios e tias estão mortos, postos em outras dimensões erráticas a cultivar futuros. Aqui é tempo de desolação mas também amanhece. Um jornal perdido , perto de um bueiro, anuncia inclusive que na quarta-feira fará um tempo muito bom. Pena que não posso me levantar daqui pois se assim fizer todo o cenário desmorona.

Comentários

José Alencastro disse…
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Ricardo Soares disse…
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