PRAÇAS DE ALIMENTAÇÃO CHEIRAM MAL

     

   Triste constatação.Cheiram mal as praças de alimentação. De todos os shoppings que,aliás, parecem ser todos iguais independente do endereço. Viu um, viu todos. Aquelas luzes frias, aqueles seguranças circunspectos,abobalhados e robotizados que muitas vezes sequer sabem onde estão. Aquelas crianças correndo a procura de vitrines, aqueles pais e mães que passam a semana trabalhando e vão curtir um lazer de sábado e domingo nos tétricos shoppings centers.
  Mas não estou aqui para fazer apologia anti-shopping.Ou estou ? se estou é ingenuidade de minha parte visto que eles são cada vez mais fatos consumados. São Paulo é a terra deles. Tristes gigantes de cimento a enfeiar esquinas e degradar o entorno engolindo o comércio local, transformando toda a realidade num quase virtual espaço cosmético onde não entra pobre, não entra ar (a não ser o condicionado) não entra a vida como ela é e sim a vida como o mercado impõe. Consumo e sonhos, consumo e frustração, apologia para estourar todos os cartões de crédito. Apelo a que compremos itens dos quais não precisamos.
     Já repararam que hoje em dia qualquer cidade média (ou mesmo de pequena pra média) mede seu índice de progresso e desenvolvimento por shoppings ? cidade legal é cidade que tem shopping. É como um certificado ISO 9000 de civilidade. Recentemente,em viagem rodoviária de fim de ano, passei por Três Lagoas, cidade média do sul mato-grossense,cuja mídia lamentava o adiamento do primeiro shopping center da cidade. Isso era motivo de vergonha geral.
     Mas já que visitamos o conceito de shoppings vamos aos cardápios amassados das suas praças de comida. Alimentação como convencionaram chamar. Geralmente lotadas em dias de intenso movimento. Geralmente iluminadas de maneira dúbia para que o freguês não veja a qualidade do "produto" que está prestes a deglutir. Mas o pior é o cheiro. Aquele estranho odor de geladeira aberta onde residem legumes e outros itens de prazo de validade vencida. Coabitando o mesmo "buquê" fétido você sente tons de comida requentada, comida esquentada em forno de microondas, comida nada saudável que pulula entre mesas espremidas umas contra as outras servindo seres que falam alto, babam em seus celulares e esperam dias melhores sempre. Evidente que a felicidade para a maioria deles é comer num fast food dentro de uma praça de alimentação de shopping. Bizarro conceito de felicidade refrigerada. Me incluam fora dessa.
     
  

Comentários

☆Lu Cavichioli disse…
Affff, sabe que nunca tinha observado essas verdades?

Genial!
Tu é fera Ricardo, mandou bem.

abraços
Jaime Guimarães disse…
Em Salvador os shopping centers também proliferam e lotam nos finais de semana - e com uma orla detonada e sem áreas de lazer seguras e preservadas, a tendência é aumentar a frequência. :(

Mas a "praça de alimentação", pra mim, é o lugar mais deprimente de um shopping.

Abraço!
Ricardo Soares disse…
Jean...podes crer é isso mesmo! abss

Lu...gentileza sua...absss

Jaime...para mim a praça de alimentação também é o lugar mais deprimente de um shopping...abss
Altavolt disse…
Salve, Ricardo,

Que satisfação poder ler um texto com esse conteúdo tão crítico e tão certeiro, na contramão de toda a publicidade onipresente nesse mundo asséptico em que os bem nascidos têm procurado viver, isolados das mazelas do cotidiano de verdade. Faço um adendo: Os prédios e as configurações dos shoppings são horrendos, mas, particularmente, acho ainda mais tristes e patéticos os modos pré-formatados, idênticos e artificiais que as famílias de bens adotam ao perambular por esses ambientes. Muito bom saber que um jornalista tão experiente e viajado pensa dessa forma acerca dessa aberração consumista do mundo contemporâneo.

Grande abraço!
Ricardo Soares disse…
Salve Altavolt!!! se eu fosse aqui falar das famílias de bem que frequentam os shopping centers ia perder os poucos leitores que me restam ...que preguiça dessa gente feita em série...absss e obrigado pela sua deferência

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