TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

sábado, 11 de março de 2017

O que é errado e o que é certo


     

    Na verdade me importo. Com a magia da verdade, com o fato da boca de cena estar vazia e um lado da cama estar abandonado. Na verdade me importo com luz baça, mãos de rua trocadas, fraldas sujas, cães sem dono, toda e qualquer espécie de abandono, terrenos baldios, encostas que não se sustentam.
     Na verdade nunca disse que não me importava. Posso até ver a paisagem passando mas , creia, estou ali anotando. Cada verso que despenca, cada folha que cai , cada caixa d’água que aos poucos vai transbordando. Estou ali, anotando.
   Com todas as coisas esquecidas entre nós , abaixo delas há vestígios, como velhas fogueiras paleolíticas que um dia serão redescobertas. Com isso também me importo porque nem todo dia chove e nem todo dia o sol se abre sobre os edifícios trincando os vidros e os nossos alentos.
   Na verdade eu me importo quando o pé de amora tem seu principal galho rompido, quando meu bom cãozinho já não uiva para a lua, quando não posso assistir ao lado do meu pai a chegada do homem à lua. Me importo com as navegações perigosas que jogam corpos nas marés indiferentes e me importo com tantos trens superlotados nas principais cidades favela do mundo.
  Mesmo com tantas coisas escondidas eu me importo. Que permaneçam ocultas ou de uma vez por todas façam o favor de emergir. Porque eu me importo. Me importo quando nossos olhos coçam, quando escorrego sem motivo, quando perco anotações antigas que nada valem mas no fundo valem pois são trilhas. Com as quais me importo. Me importo porque tem muito que é preciso ter por perto. Enquanto o destino não me diz o que é errado e o que é certo.

2 comentários:

Aleatoriamente disse...

Belo texto!

Ricardo Soares disse...

grato , aleatoriamente grato... bom dia

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