TODO PROSA

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Escritor, jornalista, roteirista, diretor de tv. Dirigi, apresentei e escrevi para a  TV Cultura, CNT/GAZETA, BANDEIRANTES, MANCHETE,  Rede SESC/Senac,TV Brasil, TV Pública de Angola, TVT-TV DOS TRABALHADORES, GNT entre outras. Editei as revistas RAIZ, TRIP e HV e fui conselheiro editorial da Rolling Stone e um dos criadores do programa METRÓPOLIS da Tv Cultura do qual fui o primeiro apresentador. Fui repórter do Caderno B do JB e tomei parte da equipe fundadora do Caderno 2 do Estadão. No mesmo jornal fui cronista de 1993 a 1998. De 98 a 2001 fui cronista do Jornal da Tarde.  De 1998 a 2005 dirigi, escrevi e apresentei "Literatura" e "Mundo da Literatura" exibido em várias emissoras abertas e fechadas. Sou co-autor das peças "Olho da Rua" e "Quatro Estações". Autor de sete livros publicados como CINEVERTIGEM (ed. Record) e os infanto-juvenis VALENTÃO, O BRASIL É FEITO POR NÓS ?, DIA DE SUBMARINO e FALTA DE AR. Co-autor de outros tantos. Dirigi mais de uma dúzia de documentários e séries documentais para várias emissoras de tv. Publiquei todos os dias durante um ano em www.revistapessoa.com o 365- Diário do Anonimato do Mundo. Uma história por dia. Cada dia um lugar do mundo. Escrevo duas vezes por semana para a revista digital  Dom Total em www.domtotal.com . Entusiasta da comunicação pública também fui gerente de produção da TV Brasil e diretor de conteúdo e programação da EBC.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Volto aos malcriados



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publicado originalmente no DOM TOTAL ((clique aqui)

       Volto a falar sobre os malcriados porque todos nós somos vítimas deles todos os dias. Direta e indiretamente. A má criação é uma praga que continua firme estragando a sociedade brasileira. Ela é tão daninha, tão perigosa e desprezível que tem gente que acredita que possa vir a ser não só o maior perigo com o qual nos defrontamos mas a ameaça da destruição total das mínimas regras de civilidade. Esta praga já foi detectada e batizada de 'brasilianização' pelo professor e escritor americano Michael Lind. Ele escreveu 'The Next American Nation' onde mostra que nosso péssimo exemplo de comportamento social também pode ser a maior ameaça para a sociedade americana e brasileira no século 21.
     A brasilianização, a grosso modo, é hoje principalmente representada por tipos ricos, prepotentes, tapados e insensíveis que se encastelam em condomínios fechados e são indiferentes à miséria. Antes de ser uma generalização acaba, infelizmente, por ser uma regra. Essa patuléia é useira e vezeira em se vestir de pato da Fiesp mas não paga as contas em dia, trata mal os empregados e assim por diante. Este é o perfil de qualquer oligarca nordestino mas também dos novos ricos que se espalham país afora que acreditam que direitos só são bons para eles próprios. Nunca reconhecem o direito do outro. Ele desconhece vida além da sua. É aquele tipo que a bordo do seu carrão não respeita nunca farol vermelho e muito menos faixa de pedestre. Costuma exibir celulares em locais inadequados, fala alto nos bares e restaurantes e acredita firmemente que o dinheiro a tudo compra e pode isolá-lo do mundo comum.
   Exemplos dos muitos malcriados que contaminam e estragam as mínimas regras de conduta e polidez estão por aí aos borbotões. Exemplos de má criação vemos todos os dias sem fazer o menor esforço. Exemplos típicos são seus carros de luxo subindo nas calçadas para deixarem seus ocupantes defronte a festas e recepções ou mesmo atravancando a pista até que um manobrista venha tirar o veículo. Dane-se quem está atrás. O mesmo se dá nas portas das escolas chics todos os dias. Os tais “bacanas” não reconhecem os pedestres ou outros motoristas como seres humanos a serem respeitados.
    Mais exemplo de má-criação acontece sempre entre a canalha política nativa, o que há de pior na sociedade brasileira. Há 20 anos em Nova York onde um grupo de parlamentares resolveu ir as compras e passear a pretexto de "observar"“ a ONU e voaram de primeira classe - com comida e hotel de graça tudo por conta do contribuinte- até os dias de hoje não há dia nesse país que um magistrado ou político não se ache melhor do que nós. Naquela comitiva há 20 anos estavam os deputados Inocêncio de Oliveira (cuja folha corrida de “serviços” dispensa maiores apresentações), o boto Bernardo Cabral e o petista Jacques Wagner cujo partido em tese não deveria concordar com este tipo de aberração. Foram-se os botos e Inocêncios e ficam outros iguais ou piores como mostram os Jucás e Cunhas da vida.Naquela ocasião todos os deputados estavam muito pimpões com seus sobretudos emoldurados pela paisagem outonal nova-iorquina. Um deles, muito vaidoso, era a “reserva moral” José Aníbal, eminente tucano então líder do governo do “impoluto” FHC. Ou seja, da safadeza nunca escapou partido algum.
     A praga da brasilianização revestida em arrogância, estupidez, dinheiro e falta de modos está influenciando muita gente. Malcriados de todos os naipes são vistos como vitoriosos , tomados como modelos. É só ver os “cases” dos almofadinhas João Dória e Luciano Huck. Orgulham-se da própria ignorância e na TV e outros veículos tem diversos programas que sempre divulgaram e valorizaram seu “modus vivendi”. Há 20 anos eu escrevia no Estadão que “tomara que eles não se tornem maioria porque aí estaremos a um passo da barbárie. Junte-se isso à doença dos pequenos poderes que contamina qualquer porteiro de prédio e segurança e estamos bem”. Pois é, 20 anos depois parece que os valores dessa gente triunfaram. Sociedade desigual, tratamento Vip só aos que economicamente merecem e assim por diante. O professor Michael Lind temia que os malcriados acabassem com os Estados Unidos. Com a ascensão de Trump parece que se cumpre a profecia. Já aqui, infelizmente, eles já acabaram, faz tempo , com o longínquo brasileiro cordial. Vivemos o triste triunfo da sociedade dos malcriados.

Ricardo Soares é escritor, diretor de tv, roteirista e jornalista. Publicou 7 livros e dirigiu 12 documentários. Em breve lança a novela “Amor de Mãe”.

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