O medo das guerras

         

O MEDO DAS GUERRAS

 

Vivíamos em uma democracia. Aí passamos a ver as paredes se fecharem ao redor de nós. Eu e meus amigos nos sentíamos seguros até que isso mudou. Depois de tantas guerras demoramos para perceber que na verdade vivíamos no período entre elas e que as guerras, afinal e infelizmente, eram o destino da humanidade.

         Agora, mais uma vez, vivemos um período de sustos e apreensões onde o perigo parece rondar, apesar de distante. Mas, prova a história, o distante pode se fazer próximo na absurda logica de que uma agressão bélica resulta em outra e assim por diante até a beira de um abismo insondável onde podemos não guerrear com ninguém na medida em que estaremos extintos.

         A humanidade se desafia sempre nessa falsa sensação de imortalidade onde se imagina que todos os recursos serão eternos. Não, serão infinitos enquanto durem e parece que já começamos a batalha pelas migalhas. Quem tiver o petróleo (combustível fóssil que deveria estar sendo substituído) vai mais longe e logo ali, na esquina, será a “batalha” pela água potável e pelas terras raras e assim por diante.  Quem tiver mais poder militar e grana no alforje leva. A estúpida lógica dos homens que nunca andaram de mãos dadas para o benefício em comum. É o mesmo velho comportamento de quem pode mais chora menos.

         Diz o clichê que as democracias sempre serão relativas. E que apesar de todas as imperfeições ainda é o melhor regime que o homem inventou visto que o anarquismo será sempre uma utopia que prevê que uma mão lava e ajuda a outra e ninguém nos desgoverna. Só trocamos e colaboramos uns com os outros o que não é para a humanidade mas, talvez, para uma raça de extraterrestres distantes que não estão aqui para nos salvar.

         Achamos que em alguns pontos do mundo vivíamos em democracias. Até que elas passaram a ser, mais uma vez,  aviltadas, desrespeitadas  e chutadas machucando e ferindo de morte o direito internacional.  E , pior, com apoio de uma parte significativa da humanidade . As pessoas comemorando invasões de territórios e assassinatos em massa numa triste repetição do apocalipse hitleriano.

         Um mundo que pariu o chefe do terceiro Reich pariu também os monstros fascistas contemporâneos.  Esses que não enxergam nada além dos próprios interesses. Esses que seduzem, cativam e excitam a imaginação dos maus e dos “guerreiros” de uma liberdade contra a qual conspiram todos os dias.

         As paredes estão se fechando a cada dia, independente de territórios ou fusos horários. Vai-se destruindo o que já não temos. Tolerâncias, recursos naturais , respeito a soberanias nacionais. Eu sempre fui afeito a termos um mundo sem fronteiras. Mas, já que isso nunca foi possível, eu gostaria de pelo menos ter um mundo  e não uma bola ainda azul solta no Universo onde a raça humana foi extinta por sua própria estupidez com o medo das guerras concebendo guerras que nos levarão ao fim.

Ricardo Soares, 8 de janeiro de 2026

        

        

        

        

Comentários

Brilhante -- e tristemente real -- visão do presente que despreza as lições do passado e, dessa forma, destrói o futuro.
Ricardo Soares disse…
obrigado por seu comentário no blog querido amigo

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