O CRIME DA RUA SAPETUBA
O crime da rua sapetuba
Vinha eu nem tão lépido e nem tão fagueiro descendo a rodovia Raposo Tavares no último sábado, começo da tarde, para me dirigir até a estação Butantã e de lá pegar o metrô para tomar um drink com uma velha amiga no centro, improviso de happy hour sabático. Eis que quase chegando ao km 10 onde começa a rodovia sou freneticamente ultrapassado por umas quatro viaturas policiais mais carro de bombeiro e ambulância. Literalmente todos numa aflição gritante que dava a entender que mais abaixo de onde eu estava ( ali pelo km 13, 12) tinha acontecido alguma coisa grave.
Não deu outra. Era o crime da rua Sapetuba que tinha acabado de acontecer e tomou o noticiário do fim de semana e do começo dessa. Um empresário foi fulminado por dois tiros de um policial valentão (sempre eles) quando tentava evitar o roubo de sua moto ali no começo da Sapetuba e foi alvejado pelo "homem da lei" que num carro ao lado do assalto resolveu intervir por sua conta e risco e levou de chofre um dos bandidos e , por engano, a vítima conforme atestou sua mulher que a tudo assistiu. O outro "elemento" fugiu.
Por que reporto aqui a morte do empresário Celso Bortolato ? Principalmente pela recorrente sensação de que estamos sempre a deriva aqui em Sp, reféns da sorte tanto no que tange a abordagem de criminosos como na de policiais belicosos e perigosos. Tivesse eu um ou dois minutos à frente poderia ter presenciado a barbárie ou (toc toc toc) até ser alvejado pela imperícia .Para minha sorte quando cheguei ao fim da Raposo uma viatura já desviava o tráfego da Sapetuba para a rua Camargo e pude ver a moto caída , um carro atravessado na via e um corpo estendido no chão. Essa sensação de impunidade e fragilidade que nos cerca, turbinada pela normatização do uso de armas de fogo sem o devido preparo acaba por nos fazer reféns do perigo e da sorte. Por sorte a minha estava em dia e pude ir ao centro tomar meu drink. Mas, diante de tanta insegurança, confesso que até pela dificuldade logística de subir ou descer a Raposo em qualquer dia da semana tem me dado cada vez mais preguiça de sair do meu recanto arborizado.


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