A REPÚBLICA DOS ALCOLUMBRES
A REPÚBLICA DOS ALCOLUMBRES
Talvez
muitos de nós nos perguntemos como um político desqualificado , egresso do
baixo clero como o senador Davi Alcolumbre,
se tornou um dos elementos mais poderosos da República com seus deslumbres e
seu “currículo” que parece muito mais uma folha corrida, a popular “capivara”
com quem tem, aliás, algumas semelhanças físicas , mas que é muito mais útil do
que o “preclaro” senador.
Levando
em conta apenas e tão somente a consistente reportagem de “Piauí” de abril de
2026 (assinada por CAMILLE LICHOTTI e ALLAN DE ABREU ) é de estarrecer
a constatação de como um obscuro politico de um estado politicamente
irrelevante (Amapá) chegou onde chegou.
Uma longa e densa tessitura de tráfego de influência , rachadinhas,
manipulação de emendas, artimanhas burocráticas
e rapinagem fez o Alcolumbre “bonachão” se tornar o que é hoje.
O
elemento parece gostar de boa comida, boa bebida, música e (consta na reportagem) na juventude, depois de
encerrar o expediente na loja dos seus pais, a Shalom Autopeças em Macapá,
ligava as caixas de som automotivo e convocava os amigos para uma festa com
música alta e bebida farta ali mesmo, na calçada. Na Câmara, onde exerceu três
mandatos de deputado de 2003 a 2015, costumava escapar das sessões plenárias
para tomar vinho e confraternizar em restaurantes de Brasília, em especial no
Dom Francisco, local tradicional da capital. Fosse só isso o deslumbre do Alcolumbre a
gente poderia até relevar. Mas, o elemento se superou e seus tentáculos em
poucos anos se estendem hoje a todas as capilaridades da república federativa e
muito além das mesas dos restaurantes chics da capital federal.
O
“bonachão” tem só 48 anos de idade. Então imaginem o potencial de dano que tem
nos anos que ainda lhe restam como figura de proa na política nacional onde hoje
ele está distante do chamado baixo clero, formado pela massa de parlamentares
que atuam na defesa de seus interesses, mas não têm voz nas grandes questões
nacionais. Saiu desse limbo com astúcia desde que sua principal ocupação era
servir de mensageiro do ex-presidente José Sarney, seu mentor e aliado no
Amapá. Alcolumbre frequentava ministérios e gabinetes, resolvendo demandas do
ex-presidente. Era convidado para as reuniões, festas e jantares na casa de
Sarney, nos quais não dava palpite, mas observava a atuação dos cardeais da
política como o finado e nefasto Antônio
Carlos Magalhães.
A
passagem de Davi Alcolumbre pela presidência do Senado ocupou muitas páginas do
noticiário político, mas também foi generosa em notícias policiais. Seu
gabinete, por exemplo, chegou a ser flagrado aplicando o golpe da rachadinha, o
mesmo que alçou à fama o senador Flávio Bolsonaro. Rememorando: o parlamentar
contrata alguém para trabalhar em seu gabinete por um determinado salário, mas
pede que o novo funcionário devolva a maior parte dos seus proventos.
O
dado mais evidente é que Alcolumbre e seu pessoal não vivem apenas de escândalos
passados como rachadinha e orçamento secreto. Os nomes do senador e aliados
aparecem também em dois dos maiores casos de corrupção em curso no país: o
desfalque do INSS e a fraude histórica do Banco Master. Em agosto do ano
passado, quando tentava salvar seu banco da liquidação, o banqueiro Daniel
Vorcaro apareceu na residência oficial de Alcolumbre, de onde saiu à
meia-noite. Depois, em troca de mensagens acessadas pela Polícia Federal,
Vorcaro comentou que a reunião fora boa e mencionou que um novo encontro
aconteceria dias depois. Onde há fumaça há fogo, confere ?
Por
tudo isso talvez não seja mera coincidência que
no Amapá, a família Alcolumbre , comendo pelas beiradas ou não, transformou-se
numa potência local. Hoje parecem ter 35
empresas em atividade, com capital
social remonta a 35 milhões de reais.
Alcolumbre
é raso, inconsistente e brincalhão e nessa toada parece improvável que tenha
concentrado tanto poder e influência ainda mais egresso de um estado que fica esquecido
no mapa brasileiro, lá em cima no nosso quente e pirateado Norte. Aliás, é
assombrosa a quantidade de meliantes políticos que se concentram no eixo Amapá-
Roraima- Rondônia e Amazonas talvez também resultado da pouca vigilância da
mídia sudestina preocupada ( ou não ) com seus cafajestes locais. Lá em cima
com “baixa vigilância” da mídia ou com uma mídia totalmente comprada os “bonachões”
como Alcolumbre vicejam na arte de fazer amigos e influenciar pessoas e verbas.
Isso nos torna, infelizmente, a república dos Alcolumbres.


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