São Bernardo do Campo- capítulo 1
São Bernardo do Campo- Vila Paulicéia
Ainda hoje quando se desce para a Baixada Santista pela via Anchieta dá para avistar na altura do quilometro 15 a enorme estrela da Mercedes Benz no alto do edifício da empresa construído em meados dos anos 50 na vila Paulicéia, São Bernardo do Campo. Quando inaugurado ficava num grande declive que se avistava da estrada e no correr dos anos todo o seu entorno foi sendo preenchido por uma vila feia, fabril e sem árvores.
Foi nesse cenário que nasci, ou melhor, fui levado para casa depois de ter sido parido numa noite fria no distante bairro da Lapa em São Paulo. Desconheço como meus pais me transportaram a uma distância tão sentida. Suponho que de ônibus visto que um táxi para cobrir essa distância naqueles tempos devia custar os olhos da cara.
Vim ao mundo quase ao mesmo tempo em que brotava do chão a Mercedes Benz num local então ermo e distante da grande São Paulo, vizinho da torre da rádio Record e de uma capelinha muito concorrida de nossa senhora Aparecida que ficava lotada todos os domingos. Ali naquelas vizinhanças entrei em bambuzais para pegar matéria prima para a feitura de pipas , capuchetas e papagaios e hoje me assombra o que virou todo aquele antigo cenário bucólico convertido em uma maçaroca de asfalto, feiura e viadutos.
O sobrado modesto em que cresci num conjunto habitacional era financiado pelo extinto BNH (Banco Nacional de Habitação) . Casas muitas dispostas uma ao lado da outra onde era possível ouvir gritos e sussurros dos vizinhos nas noites silenciosas ou nem tanto. Ainda lembro que do meu quintal eu conseguia ver o Akira, da casa ao lado, debruçado sobre livros, estudando pra ser fiscal da receita federal , esforço que foi recompensado levando-o a abandonar nosso bairro para viver em plagas mais alvissareiras. Ele era casado com Toyomi , uma linda nissei que virou grande amiga de minha mãe e as suas filhas viviam lá em casa brincando com minhas irmãs. ( segue)


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